terça-feira, 14 de maio de 2019


Listeria monocytogenes e listeriose

Microscopia eletrônica: biofilme de Listeria monocytogenes

Introdução
A partir das alterações mais recentes feitas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sobre as regras de produção leiteira no Brasil, visando principalmente o melhoramento da qualidade do leite produzido e ressaltando a importância da educação sanitária, trataremos  a seguir sobre a listeriose.
A listeriose é uma toxinfecção causada pela bactéria do gênero Listeria pertencente à ordem Bacillales, sendo um dos poucos representantes do grupo que é um patógeno humano. Tal bactéria pode ser encontrada em principalmente no solo e na água, e embora seja incomum em alimentos, nenhuma fonte alimentar é considerada totalmente segura em relação a uma possível contaminação, pois pode ocorrer em qualquer etapa da produção ou processamento.

Agente etiológico
            O agente causador da doença é a bactéria Listeria monocytogenes, que por sua vez é do tipo cocobacilos, gram-positiva, não formadora de esporos, catalase positiva, geralmente forma cadeias de 3 a 5 células. São tolerantes à sal, ácido, frio e aeróbios facultativos.


Transporte de Listeria monocytogenes entre macrófagos

Descrição da doença
            A listeriose é uma infecção que pode gerar uma série de sintomas, como dor muscular, febre, diarréia e outras desordens gastrintestinais, apresentando variações de acordo com a pessoa infectada. Em adultos, com menos de 40 anos, a doença se mostra mais branda, no entanto, em idosos e imunodeprimidos há risco de septicemia e meningite que são os quadros mais comuns para o grupo, e apresentam taxa de letalidade de cerca de 50% e 70%, respectivamente. Em gestante, a doença representa grande risco, pois há grandes chances de morte, aborto do feto e chances de infecção do lactente recém-nascido.

Tempo de incubação
            O tempo de incubação pode ser curto, com variação desde algumas horas até 3 dias. Porém, a forma mais invasiva é mais longa e  pode levar de 3 dias a 3 meses.

Reservatório
            Os principais reservatórios são: o solo, a água, lodo e forragem.

Modo de transmissão
            O modo de transmissão se dá principalmente pela ingestão de alimentos contaminados. Água, carnes prontas para consumo, incluindo peixes e frutos do mar, laticínios não pasteurizados, e o leite cru ou não pasteurizado adequadamente, são as principais vias alimentares de disseminação dessas bactérias. Há casos raros de transmissão através do contato direto com material infeccioso como lesões na pele em ambientes hospitalares.


Diagnóstico e tratamento
            O diagnóstico é feito pelo isolamento da L. monocytogenes a partir do fluido cérebro espinhal, sangue, placenta, líquido amniótico ou fezes, embora este último seja menos eficaz. Podem ser realizados testes de isolamento do agente infeccioso nos alimentos que foram ingeridos pelo paciente, através do cultivo direto,e mais recentemente por testes moleculares, que se mostram mais eficientes.
O tratamento é feito com o uso de antibióticos, sendo a  penicilina, ampicilina ou trimetoprima suplementado com sulfametoxazol no caso de pacientes alérgicos a penicilinas.

Suscetibilidade e resistência
            Os grupos mais suscetíveis à doença são: gestantes; fetos/neonatos; imunodeficientes; pacientes com câncer; diabéticos e idosos. Adultos saudáveis, via de regra apresentarão sintomas mais brandos, com um quadro mais ameno.

Medidas preventivas
        
    As principais medidas preventivas são: devolução dos alimentos contaminados para o fabricante, bem como adoção de medidas de segurança, visando limitar a contaminação ao longo dos locais onde os alimentos são processados; lavagem e desinfecção de vegetais, consumo de alimentos como carnes e laticínios provenientes de fontes confiáveis e devidamente pasteurizados. Para gestantes é importante evitar contato com animais em sítios nos quais houveram casos registrados da doença; evitar ingestão de alimentos crus, dando preferência para os cozidos. E em caso de surto, notificar o mais rápido possível os centros de vigilância epidemiológica da região. Além de fazer campanhas de conscientização sobre a importância da higiene alimentar para a população, tanto os produtores quando os consumidores. Podendo ser adotados métodos de desinfecção através de radiação e calor, pois a L. monocytogenes é suscetível a tais fatores.

Referência bibliográficas
MADIGAN, Michael T. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. 1032 p. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=fk_WCwAAQBAJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 12 maio 2019.

TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
http://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-hidrica-e-alimentar/patogenosdoencas


terça-feira, 7 de maio de 2019

Infecção por Yersinia enterocolitica

                                        (Microscopia óptica de células de Yersinia enterocolitica após coloração de Gram)  




A Yersinia enterocolitica é uma bactéria Gram-negativa pertencente à família Enterobacteriaceae. As células têm a forma de bastonetes (bacilos) e exibem mobilidade por flagelos quando crescem a temperaturas inferiores a 30ºC. É uma espécie heterogênea, encontrando-se dividida em vários subgrupos estabelecidos de acordo com suas características bioquímicas e com os seus sorotipos. Elas causam a yersiniose, nome atribuído a uma gastroenterite veiculada por alimentos que se caracteriza por diarreia aguda e febre, dor abdominal, linfadenite mesentérica aguda simulando apendicite, com complicações em alguns casos como eritema nodoso, artrite pós-infecciosa e infecção sistêmica. É uma doença de distribuição mundial, mas ainda pouco frequente, ocorrendo principalmente em países do norte da Europa, Estados Unidos, Escandinávia e Japão. No Brasil ainda não há dados.

Período de incubação

O período de incubação geralmente varia de 3 a 7 dias, podendo chegar até 10 dias e acomete principalmente crianças, indivíduos debilitados ou imunodeprimidos e idosos.    

Fatores de crescimento

Alguns fatores são importantes para o crescimento desse microrganismo tais como temperatura (crescem em temperaturas que vão de 0ºC a 44ºC, com uma temperatura ótima de crescimento entre 25ºC e 37ºC e conseguem permanecer ativas em alimentos congelados), pH (conseguem crescer em ambientes com valores de pH entre 4,2 e 9,6 e apresenta uma taxa específica de crescimento máxima em ambientes com valores de pH entre 7,0 e 8,0), relação com oxigênio (são anaeróbias facultativas), radiação (são sensíveis à radiação gama) e atmosfera envolvente (seu crescimento é dificultado pela presença de CO2. Em embalagem a vácuo, o crescimento é mais lento, mas não é inibido).

Fontes de contaminação

Y. enterocolitica tem sido isolado de vários animais (cães, gatos, roedores, aves, etc.), alimentos e água. Os porcos são considerados o principal reservatório de sorotipos patogênicos para o homem. Pode ocorrer transmissão por via fecal-oral embora seja pouco frequente. Foi isolada também de leite cru, produtos lácticos processados, carnes cruas ou pouco processadas, vegetais frescos e água não clorada.

Diagnóstico

Como as gastroenterites podem ser decorrentes de diferentes agentes infecciosos, o diagnóstico depende do isolamento do microrganismo em exame de cultura de fezes ou em outros materiais biológicos (vômitos, sangue ou apêndice). Podem ser feitos também testes sorológicos, contudo, a análise minuciosa dos sintomas e da história do indivíduo é fundamental, já que podem ser confundidas com outras condições gastrointestinais.

Tratamento

Na maioria dos casos o tratamento pode se resumir a medidas de hidratação do paciente por via oral ou endovenosa de acordo com o quadro de sintomas. Podem ser utilizados antibióticos em casos mais graves, especialmente na presença de outras doenças e nas situações em que há septicemia. Elas são sensíveis a antimicrobianos como aminoglicosídeos, tetraciclinas e ciprofloxaxino. Em pacientes imunodeprimidos são administrados doxiciclina ou trimetoprim/sulfametoxazol.

Medidas de prevenção e controle

Dentre as medidas de prevenção a mais eficiente é não consumir alimentos de procedência duvidosa e carnes cruas ou malcozidas, principalmente de suínos. Da mesma forma deve-se evitar a ingestão de água não tratada e de leite não pasteurizado e seus derivados. É válido lembrar da importância de notificação de casos para que haja investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas, medidas educativas e outras.

Referência:

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Campylobacter spp


 Campylobacter spp



Os microrganismos do gênero Campylobacter são Gram-negativos e têm como características marcantes a forma de bacilos curvos, espiralados, muito finos e compridos, apresentam um flagelo que permite sua movimentação rápida e na forma de saca-rolha. Não são formadores de esporos, mas chegam a apresentar morfologia cocoide em culturas envelhecidas. Existem diversas espécies características desse gênero, sendo que grande parte delas é positiva para enzima citocromo-oxidase e redutoras de nitrato.
Dentro dessas espécies a principal causadora de gastroenterites é a Campylobacter jejuni, seguida da C. coli e a C. lari (estas últimas só podem ser diferenciadas por meio de testes bioquímicos). Essas três espécies citadas são caracterizadas também por serem bactérias termofílicas, pois crescem em uma faixa estreita de temperatura (30-47°C). Outras características marcantes do gênero Campylobacter são a microaerofilia (necessidade de baixos níveis de oxigênio para multiplicação), capnofilia (necessidade de cerca de 10% de CO2 para multiplicação) e sensibilidade a pH ácido e a desidratação.
Esses microrganismos são responsáveis por causar gastroenterites alimentares e a campilobacteriose, enterocolite considerada uma zoonose de distribuição mundial, sendo a mais importante e comum causa de doenças diarreicas em humanos.

Descrição da doença: Campilobacteriose são infecções agudas causadas por algumas espécies do gênero Campylobacter que acometem o homem através da ingestão de alimentos e líquidos contaminados, a doença se apresenta com um quadro de diarreia, febre, náusea, dor de cabeça, dor muscular e dores abdominais. As bactérias se fixam à mucosa da porção terminal do intestino delgado, íleo e se multiplicam, produzindo uma enterotoxina citotóxica, o que provoca diarreia aquosa, se a invasão acometer o intestino grosso e reto a diarreia pode vir acompanhada de sangue. As infecções sintomáticas geralmente são autolimitantes. A enfermidade pode levar a um quadro mais preocupante e prolongado com características parecidas com a salmonelose ou shigelose. As complicações mais graves podem incluir artrite reativa, colicistite aguda, pancreatite, bacteremia (principalmente em hospedeiros imunocomprometidos) e síndrome de Guillain-Barré – GBS (distúrbio autoimune do sistema nervoso periférico).

Período de Incubação: Os sintomas costumam aparecer geralmente de 2 a 7 dias após a ingestão do alimento contaminado, sendo doses infectantes da ordem de 500 microrganismos. A persistência da diarreia pode durar cerca de uma semana.

Agente Etiológico: Campylobacter jejuni é a bactéria que causa a maior parte dos casos de diarreia, sendo a principal espécie associada às Doenças de Transmissão Alimentar – DTA. É mais virulenta por conta de sua maior resistência a fagocitose. A Campylobacter coli produz uma diarreia mais branda. Ambos são considerados comensais do trato intestinal de um vasto grupo de animais, principalmente as aves de criação. A Campylobacter lari tem como características diferenciadas a sua resistência natural ao ácido nalidíxico e a reação negativa na prova de hidrólise do substrato indoxil – acetato.

Reservatório: Os microrganismos são comensais do trato gastrointestinal de bovinos, suínos, ovinos, felinos, cães, roedores, aves domésticas e pássaros (portadores naturais de Campylobacter, porém não desenvolvem o quadro clínico da infecção).

Epidemiologia: C. jejuni é uma das principais causas de enterite bacteriana esporádica nos Estados Unidos, segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) e no Brasil também é comumente relacionado com as causas de gastroenterite aguda e crônica. A esporadicidade da infecção pelo microrganismo indica uma maior ocorrência nos meses de verão e inicio do outono. As infecções acometem principalmente as crianças.  

Modo de transmissão: A transmissão é feita através da ingestão de água e alimentos contaminados, podendo estes ser atingidos por contaminação cruzada ou manipulação inadequada dos profissionais. Além do contato com pessoas e animais infectados.

Alimentos mais vulneráveis: Leite cru ou insuficientemente pasteurizado é o alimento apontado com mais frequência como responsável pelos surtos de campilobacteriose. Além de carnes de origem bovina, suína, aves (uma das principais fontes de contaminação) e água não tratada.

Diagnóstico e tratamento: O diagnóstico é feito geralmente em cultura de amostras de fezes (para verificar a presença de bactérias), as vezes cultura de amostras de sangue (em casos de suspeita de infecção na corrente sanguínea). O tratamento vai depender da gravidade de cada caso, sendo o uso de antibióticos como a azitromicina (durante 3 dias) e eritromicina (durante 5 dias)  recomendado para as formas mais graves. As espécies C. jejuni e C. coli são sensíveis a uma variedade de agentes antimicrobianos, inclusive macrolídeos, fluoroquinolonas, aminoglicosídeos, cloranfenicol e tetraciclina.

Prevenção: Uma medida essencial é o controle da qualidade da água, principalmente as utilizadas durante o preparo dos alimentos. A superfície onde os alimentos são colocados e os materiais utilizados devem ser devidamente desinfetados e limpos. É necessário um cuidado com a contaminação cruzada e a temperatura de armazenamento dos alimentos. Evitar o consumo de alimentos crus e mal cozidos.

Referências:


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Novas instruções para a produção de leite são anunciadas pelo Mapa



Em novembro de 2018 o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou novas diretrizes  para a produção de leite no Brasil, especificando a qualidade e os padrões de identidade para o leite cru refrigerado, do pasteurizado e do tipo A. Os novos critérios englobam desde a organização da propriedade até a formação e capacitação dos responsáveis pelas tarefas cotidianas.
  • Sobre o que as instruções falam?


As novas Instruções Normativas (INs) permitirão que os produtores intensifiquem o controle na obtenção do leite, adotando boa gestão de qualidade em suas propriedades como manejo sanitário, estocagem, uso racional de medicamentos veterinários, entre outros. A Rede Brasileira de Laboratórios de Qualidade do Leite (RBQL) também oferecerá, junto ao Mapa, capacitação para os responsáveis pela captação nos estabelecimentos industriais, com o objetivo de se obter uma contagem bacteriana baixa e aumento do rendimento industrial, assim como a qualidade do produto e outros que derivem dele. É obrigatório que toda indústria de leite envie amostras para um dos laboratórios credenciados pela RBQL. Com auxílio da Coopavel, serão coletadas amostras uma vez por mês dos associados sem custo algum para o produtor, visando garantir a qualidade do produto.
A contagem bacteriana para o leite cru refrigerado continua com a máxima de 300 mil unidades por 500 mil células somáticas por mL. Agentes inibidores do crescimento microbiano ou qualquer substância estranha à composição do produto é proibida. Não apenas a qualidade microbiológica ganha maior atenção com as IN's, como as condições dos animais leiteiros, que está instrinsicamente ligado à qualidade final do produto. Transporte e armazenamento também são listados.


  • Quais as consequências para quem não seguir as novas normas?

Para os produtos que apresentarem contagem bacteriana superior à 300 mil por três meses consecutivos, o produtor não poderá mais comercializar o leite.

As mudanças visam não apenas a melhora na qualidade do leite, mas também o aumento da oferta de produtos mais seguros e de maior rendimento para a população. Abaixo pode-se verificar as novas resoluções por completo.






Referências

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Vírus de Origem Alimentar

 Os vírus de origem alimentar é um problema muito comum na Saúde Pública e a sua causa mais reconhecida são os surtos de gastroenterite.
 A infecção humana pode ocorrer depois do consumo de alimentos contaminados, através dos manipuladores de alimentos devido a más práticas de higiene, consumo de produtos de origem animal contaminados com vírus (por exemplo, carne e peixe) e através do contato corporal, de pessoa para pessoa. Ultimamente esses surtos de doenças transmitidas por alimentos viral têm sido associados com o consumo de mariscos que foram colhidos de esgoto ou águas poluídas.
 A maioria das doenças víricas transmitidas por alimentos são causadas por poucos tipos de vírus, incluindo:
 Norovírus (a doença vírica transmitida por alimentos mais comum, que causa gastroenterite, uma condição médica caracterizada por diarreia, vômitos e dor abdominal);
 Hepatite A e E (que causa inflamação do fígado);
 
Rotavírus (particularmente associado a gastroenterite nas crianças).

 Os principais alimentos associados às doenças transmitidas por vírus incluem:
 Marisco (por exemplo, ostras e mexilhões) criado ou colhido de águas contaminadas por esgotos e seus produtos derivados;
 
Frutos e hortícolas cultivados em campos fertilizados com resíduos de origem animal ou irrigados com águas contaminadas;
 
Carnes mal cozinhadas, nomeadamente carne de porco.
 Característica de Sobrevivência:
 Vírus de origem alimentar são resistentes e podem sobreviver por longos períodos em alimentos ou no ambiente de manipulação de alimentos, bem como persistem em ambientes aquáticos. Eles são altamente resistentes à refrigeração, congelamento, conservantes e radiação ionizante. Vírus da hepatite A e norovírus ambos foram mostrados para sobreviver 60 ° C por 10 minutos. No entanto, a inativação desses vírus ocorre em temperaturas acima de 65 ° C a uma taxa proporcional à temperatura, mas também depende da composição do meio. Ambos os agentes são mortos pela fervura. Eles são resistentes a condições ácidas (pH 3) e pode, portanto, sobreviver com frutas ácidas, como morangos e framboesas e em processos como a decapagem em vinagre ou produção de iogurte. Eles também são resistentes ao álcool e as concentrações de açúcar. 
 Detecção:
 Detecção de vírus em alimentos não foi considerado possível em um laboratório de rotina por causa de sua exigência de um hospedeiro vivo ou tecido animal para o crescimento. Além disso, o nível de partículas do vírus em um alimento contaminado é geralmente muito baixa. Laboratórios especializados podem alcançar detecção utilizando cultura de células e métodos de extração complexo mas as técnicas anteriormente disponíveis não são adequados para aplicação rotineira e taxas de recuperação continuam pobres. O uso da reação em cadeia da polimerase (PCR) está sendo desenvolvido para a detecção de norovírus em alimentos implicados como fonte de surtos. Um método recente, disse que para dar resultados em menos de 4 horas, envolve-IMS recirculação ligada à PCR (papel de laboratório de ensaios inter-aguardando publicação). 
Métodos utilizados atualmente para a detecção de rotina de NLVs nas fezes são baseados em imunoensaios e PCR. Idealmente, as amostras devem ser coletadas até 48 horas após o início dos sintomas uma vez que estes contêm os maiores níveis do vírus. Utilização deste teste PCR permite a detecção de mais de 90% das infecções NLV e também permite a caracterização das cepas. 
Detecção de vírus da hepatite A nas fezes geralmente não é possível porque, pelo tempo icterícia ocorre, o pico de excreção de partículas do vírus já passou. Diagnóstico é baseado na detecção de anticorpos específicos IgM e IgG no soro de sangue ou saliva. 
 Surtos recentes de doenças víricas transmitidas por alimentos: Em 2008, na Europa, os crustáceos, os moluscos e os produtos derivados foram implicados em surtos de doenças víricas transmitidas por alimentos. Em 2013, um dos maiores problemas foram os surtos causados pelo vírus da hepatite A presente em morangos e bagas, que afetaram 315 indivíduos em 11 países europeus.

 Controle:
 Medidas de controle dependem principalmente de educação e pessoal de fábrica e higiene da cozinha; manipuladores de alimentos que sofrem de sintomas devem ser excluídas do trabalho imediatamente e todos os funcionários informados sobre a facilidade com que a contaminação viral é transmitida. O uso de água limpa para a irrigação de culturas que possam ser comidos crus e cultivo de moluscos no esgoto sem água do mar também são essenciais para evitar a contaminação viral de alimentos. 



Referências:
https://pt.dreamstime.com/imagens-de-stock-royalty-free-alimento-contaminado-image22901589

terça-feira, 2 de abril de 2019

Infecção Alimentar causada por Escherichia coli enteroinvasiva



                                                (Microscopia óptica de células de Escherichia coli após coloração de Gram)                                       

A bactéria Escherichia coli também tem forma de bacilo, é Gram-negativa, não-esporulada, anaeróbia facultativa e fermentadora de açúcares. Existem muitas estirpes de E. coli, desde formas comensais até formas patogênicas. O intestino da maioria dos animais de “sangue quente”, inclusive o homem, é colonizado por formas comensais de E. coli. Basicamente, existem quatro formas de E. coli que causam doenças gastrointestinais: enteropatogénica, enterotoxigénica, enterohemorrágica e a enteroinvasiva que será explicada em seguida.
     
 Escherichia coli enteroinvasiva

Descrição da doença – é uma doença inflamatória da mucosa intestinal e da submucosa causada por cepas EIEC (E. coli Entero Invasiva) com um quadro de diarréia líquida, dor abdominal severa, vômitos, tenesmo, cefaléia, febre, calafrios e mal-estar generalizado, semelhante ao produzido pela Shigella. Em seguida à ingestão da EIEC, os microrganismos invadem as células epiteliais do intestino, resultando em forma de disenteria leve, geralmente confundida com a causada por espécies de Shigella.

Agente etiológico - a E.coli faz parte da flora intestinal normal dos homens e outros primatas, sendo que uma minoria das suas cepas causa doenças por vários mecanismos diferentes. Entre essas, estão as cepas enteroinvasivas (EIEC), sendo os principais sorogrupos O28ac, O29, O112, O124, O136, O143, O144, O152, O164 e O167.

Período de incubação - a disenteria causada por EIEC geralmente ocorre em períodos curtos, entre 10 e 18 horas após a ingestão do alimento contaminado. A disenteria causada por esta bactéria é normalmente auto-limitante sem complicações. Contudo, uma seqüela comum associada a essa infecção, especialmente em crianças, é a síndrome hemolítica urêmica (SHU).

Reservatório - os seres humanos são o reservatório comum da doença.

Diagnóstico e tratamento - é necessário demonstrar a presença da bactéria em cultura de fezes de indivíduos infectados .Nos casos de diarréia extremamente severa utilizam-se os mesmos antimicrobianos que os para a Shigella.

Modo de transmissão - há evidências de que a transmissão é feita através de alimentos contaminados. Os alimentos que, normalmente, podem abrigar a EIEC são desconhecidos, mas qualquer alimento contaminado com fezes humanas de indivíduo doente, seja diretamente ou via água contaminada, pode causar doença em outras pessoas. Carnes mal cozidas, legumes, frutas,  leite não pasteurizado têm sido associados a surtos por EIEC.

Suscetibilidade e resistência - todas as pessoas estão sujeitas a essa infecção.

Medidas preventivas:
●Educação da população quanto às boas práticas de higiene pessoal com especial ênfase na lavagem rigorosa das mãos após o uso do banheiro;
● Lavar bem as frutas e verduras antes de consumi-las;
● Evite comer carnes mal passadas;
● Não consuma leites ou sucos em caixa que estejam fora da geladeira há muito tempo após abertos;
● Lave bem os talheres que foram usados para cortar alimentos crus para evitar a contaminação cruzada;
● Medidas de saneamento básico - sistema de água tratada e esgoto são essenciais para a redução das diarréias;


terça-feira, 26 de março de 2019


Muito em alta, os probióticos pertencem a um grupo chamado de alimentos funcionais e são constituídos de microrganismos vivos que quando consumidos adequadamente conferem benefícios à saúde do indivíduo, tais como integridade do organismo e a melhoria da função e do revestimento intestinal, mas eles não são todos iguais.

As cepas bacterianas (conjuntos de espécies de bactérias que compartilham, ao menos, uma característica) mais conhecidas e utilizadas são Lactobacillus,Bifidobacterium, Enterococcus e Streptococcus, mas existem muitas outras.Cada uma delas tem uma função específica no organismo e vem sendo estudadas de uma maneira isolada dentro de uma patologia específica.




ALGUMAS CEPAS DE PROBIÓTICOS E SUAS INDICAÇÕES

Lactobacillus casei: Envolvido na inibição de bactérias nocivas, tratamento de diarreia, alergia, imunomodulação, redução do colesterol e glicemia, doença inflamatória intestinal. Possui estudos também mostrando efeito anti-hipertensivo e antiobesidade, como adjuvante para erradicação do H. pylori e também para a prevenção de infecções comuns em atletas.
Lactobacillus acidophilus: Tratamento e prevenção de diarreia associada ao antibiótico, síndrome de intestino irritável, redução do colesterol, triglicerídeo e aumento do HDL.
Lactobacillus plantarum: Reduz colesterol, glicose e peso.

Lactobacillus rhamnosus: Tratamento de diarreia causada por Clostridium e por antibióticos, terapia adjuvante para erradicação do H. pylori, redução dos sintomas de ansiedade e depressão, aumento da sensibilidade à insulina, redução de peso corporal.

Bifidobacterium lactis: Aumenta a resposta imune.

Bifidobacterium bifidum: Reduz a frequência de episódios de diarreia.

Bifidobacterium infantis: Alivia alguns sintomas da síndrome de intestino irritável.

Bifidobacterium animalis: Alivia a constipação intestinal, aumenta a sensibilidade à insulina. 

Bifidobacterium longum: Redução dos sintomas de ansiedade.
Lactobacillus gasseri: Perda de peso.
Lactobacillus reuteri: Prevenção da perda óssea, redução de cólicas do recém-nascido, terapia adjuvante para erradicação do H. pylori, redução de níveis de glicose.
Lactobacillus paracasei: Tratamento de diarreia aguda e rinite alérgica.
Lactobacillus helveticus: Redução dos sintomas de ansiedade.
Saccharomyces boulardi: Tratamento de diarreia causada por Clostridium e por antibióticos; terapia adjuvante para erradicação do H. pylori.
Streptococcus thermophilus: Reduz a frequência de episódios de diarreia e os sinais associados com a má digestão da lactose. Alivia alguns sintomas da síndrome de intestino irritável.
Enterococcus faecium: Tratamento de diarreia aguda e causada por antibiótico.

IMPORTANTE:
*As informações fornecidas nesta postagem destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser substituídas pelo profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Procure sempre o aconselhamento do seu médico para tratar suas condições de saúde.

 REFERÊNCIAS:

Revista Essentia Edição10. Essential Nutrition. Nutrição. Cepasde probióticos e suas indicações. Disponívelem: <https://www.essentialnutrition.com.br/conteudos/cepas-probioticos>.Acesso em: 23/03/2019.

Depositphotos.Probióticos. Boas Bactérias Microorganismos Para Saúde Humana MicroscópicosProbióticos Boa — Ilustração de Stock. 2018. Disponível em:<https://br.depositphotos.com/201216584/stock-illustration-probiotics-good-bacteria-microorganisms-human.html>.Acesso em: 24/03/2019.