quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Mudança na classificação dos lactobacilos

 

Antes de abordarmos essa mudança taxonômica pela qual os Lactobacillus passaram, tendo seu gênero reclassificado, faremos um apanhado geral sobre como essa organização funcionava originalmente. 

Os Lactobacillus foram propostos pela primeira vez em 1901, por Beijerink, incluindo microrganismos Gram-positivos, aneróbios facultativos e não esporulados, sendo que para sua classificação levava em conta características fenotípicas, temperatura ótima de crescimento, além da utilização de açúcar e o espectro dos metabólitos produzidos. Porém com os avanços tecnológicos, um dos padrões ouro que surgiu nos últimos quinze anos, foi o sequenciamento genômico, e ao se juntar tais informações com o auxílio da bioinformática, tornou-se possível identificar cerca de 216 espécies diferenciadas de Lactobacillus (até século passado, apenas uma dezena delas era conhecida). 

Dessa maneira, é importante frisar que rebatizar o gênero, partindo da reclassificação das famílias Lactobacillaceae e Leuconostocaceae, no qual os Lactobacillus se dividiram em 23 novos gêneros, sendo essa nova classificação o resultado dos estudos publicados no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology por Zheng et al., 2020. 

Dentre as espécies reclassificadas, muitas são relevantes para a nutrição animal, como demonstraremos na tabela a seguir retirada do mesmo estudo supracitado. 

 

Concluindo, é importante levar em consideração que esta nova nomenclatura estará sendo aplicada nos novos artigos científicos, bem como nos produtos de nutrição animal, de responsabilidade do MAPA, e que não se trata de uma descoberta de novas espécies, mas sim uma nova maneira de organizá-las, sendo assim caso futuramente haja de fato uma descoberta de nova espécie destes microrganismos, eles deverão se encaixar entre esses 23 novos gêneros. 

 

Referências 

Artigo “Reclassificação do gênero Lactobacillus: isso trará alterações nos Inoculantes e Probióticos” acesso disponível em: https://opresenterural.com.br/reclassificacao-do-genero-lactobacillus-isso-trara-alteracoes-nos-inoculantes-e-probioticos/ 

 

terça-feira, 19 de outubro de 2021

CUIDADOS NO PREPARO DE ALIMENTOS

COMO PREPARAR OS ALIMENTOS COM HIGIENE?

Lave as mãos antes de preparar os alimentos e depois de manipular alimentos crus (carnes, frangos, peixes e vegetais não lavados). As carnes cruas e os vegetais não lavados apresentam micróbios patogênicos que podem ser transferidos aos alimentos prontos por meio das mãos dos manipuladores.

Fonte: Google

COZIMENTO DOS ALIMENTOS:

O alimento deve ser bem cozido, em altas temperaturas de forma que todas as partes do alimento atinjam no mínimo a temperatura de 70ºC. Para ter certeza do completo cozimento, verifique a mudança na cor e textura na parte interna do alimento. Deve-se cozinhar bem as carnes, pois temperaturas superiores a 70°C destroem os micróbios. Para carnes bovinas e de frango tome cuidado para que as partes internas não fiquem cruas (vermelhas). Os sucos dessas carnes devem ser claros e não rosados.

                                                                                          Fonte: Google

CUIDADOS COM ÓLEOS E GORDURAS:

Durante a utilização dos óleos e gorduras pode haver alterações no cheiro, sabor, cor, formação de espuma e fumaça. Esses sinais indicam que o óleo deve ser trocado imediatamente. Quando os óleos e as gorduras são utilizados por um longo período, são formadas substâncias tóxicas que podem causar mal à saúde. Essas substâncias dão um sabor e cheiro ruins ao alimento e geralmente, produzem muita fumaça e espuma.

 

CUIDADOS COM OS OVOS:

Não é preciso lavar os ovos antes de colocá-los na geladeira porque eles já apresentam com uma película natural que protege o interior contra a invasão de microrganismos. Quando você lava o ovo, pode retirar essa película natural da casca. Além disso, a água pode empurrar as bactérias que estão na casca para o interior do ovo.
✔️Lave-os antes de usar, pois pode haver micro-organismos na casca principalmente Salmonella.
✔️Ovos não devem ficar na porta da geladeira, para evitar a variação térmica, essa variação é perfeita para microrganismos como a Salmonella se multiplicarem.

✔️Mantê-los na primeira prateleira da geladeira, onde a temperatura é mais fria, aumentando a vida de prateleira do produto.

✔️Tire os ovos da embalagem original, para evitar sujidades e microrganismos na sua geladeira, que possam contaminar outros alimentos.
✔️Coloque o ovo dentro de um copo com água para avaliar se esta fresco, caso boie não consumir, pois indica que o ovo está velho e estragado.

 

Fonte: Google

CUIDADOS COM CARNES, AVES E PEIXES:
A prática de lavar carnes, aves e peixes antes do cozimento ajuda a espalhar microrganismos patogênicos por toda a cozinha, aumentando o risco de propagação de bactérias como Campylobacter e Salmonella. Sendo a melhor forma de limpar carnes, aves e peixes é cozinhando-a bem a altas temperaturas.

 

CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS:

Resfriados: 6-10°C (frutas, verduras, maturação de queijos);

Refrigerados: abaixo de 5°C (Leite, carnes, ovos e queijos);

Congelados: –18°C a –23°C  (Carnes, salgados e massas) ;

QUENTE: Acima de 60°C / 4 a 6h: Alimentos prontos para o Consumo (Salgados e self service).

 

DESCONGELAMENTO:

Para um adequado descongelamento, o alimento deve ser mantido no refrigerador a temperaturas inferiores a 5°C até estar totalmente descongelado. O forno de micro-ondas também pode ser utilizado, quando o alimento for preparado imediatamente.

Os alimentos congelados e refrigerados não devem permanecer fora do freezer ou geladeira por tempo prolongado. Os micróbios patogênicos multiplicam-se rapidamente em temperatura ambiente.

As carnes devem ser descongeladas dentro de recipientes. Durante o descongelamento, a carne produz sucos que podem contaminar outros alimentos com micróbios patogênicos.

 

CINCO CHAVES PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR:

Todo alimento deverá ser fornecido de maneira segura, ou seja, o alimento saudável deve estar em ambiente limpo e manipulado por pessoas com higiene e responsabilidade.

Fonte: Google

As 5 chaves para uma alimentação mais segura:
1) Mantenha a limpeza: para evitar doenças de origem alimentar.

-Lave as mãos antes de iniciar a preparação dos alimentos, frequentemente durante todo o processo;

-Higienize todos os equipamentos, superfícies e utensílios utilizados na preparação dos alimentos;

-Proteja as áreas de preparação de insetos, pragas e outros animais.


2) Separe alimentos crus de alimentos cozidos: para evitar contaminação cruzada

-Separe carne e peixe crus de outros alimentos;

-Utilize diferentes equipamentos e utensílios, como facas ou tábuas para alimentos crus e alimentos cozidos;

-Guarde os alimentos em embalagens ou recipientes fechados.


3) Cozinhe bem os alimentos: pois uma cozedura adequada consegue matar quase todos os microorganismos.

-Deve cozinhar os alimentos em temperaturas acima de 70 ° C como ovos, carne de vaca, porco, frango e peixe;

-Se reaquecer alimentos já cozidos assegure-se que o processo é o adequado.


4) Mantenha os alimentos a temperaturas seguras: porque os microorganismos se multiplicam rapidamente em temperatura ambiente.

-Não deixe alimentos cozidos mais de 2 horas à temperatura ambiente;

-Refrigere rapidamente os alimentos cozidos e/ou perecíveis (preferencialmente abaixo de 5 °C);

-Mantenha os alimentos cozidos quentes (acima de 60 °C) até o momento de serem servidos;

-Não armazene alimentos durante muito tempo, mesmo que seja no freezer.


5) Use água e matérias primas seguras: porque se a água ou gelo estiver contaminado pode contaminar os alimentos.
-Use água potável ou trate-a para que se torne segura;

-Selecione alimentos variados frescos;

-Escolha alimentos processados de forma segura, como leite pasteurizado;

-Lave frutas e vegetais, especialmente se forem comidos crus;

-Não use alimentos com o prazo de validade expirado.

 

REFERÊNCIAS:

BRASIL, Ministério da saúde. RESOLUÇÃO ANVISA- RDC Nº 216, de 15 de setembro de 2004.Regulamento técnico de boas práticas para serviços de alimentação. Brasília: ANVISA, 2004.

BRASIL. ANVISA. GGALI. Cartilha sobre boas práticas para serviços de alimentação. 3ed. Brasília: ANVISA.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Alimentação saudável para a pessoa idosa: um manual para profissionais de saúde. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 1ª edição, 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual integrado de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. 158 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar: como ter uma alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, [s.d.]. (Guia de bolso)

FORSYTHE, Stephen J. Microbiologia da Segurança dos Alimentos. 2ª Ed., Artmed, 2013, 607p. SÃO JOSÉ, J. F. B.; ABRANCHES, M. V. Microbiologia e higiene dos Alimentos - teoria e prática. Rio de Janeiro: Rubio, 2019. 272p.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Noz pecan: benefícios para a saúde

             A nogueira pecã (Carya illinoinensis) é uma espécie frutífera caducifólia predominante de regiões temperadas do Hemisfério Norte, de porte alto e de grande longevidade produtiva. Originou-se nos Estados Unidos e no México, mas se popularizou em diversos países como Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Brasil.

            Há diversos estudos e rumores sobre alimentação saudável e estilo de vida alternativos para melhoria do bem estar e da saúde das pessoas como um todo, e uma busca constante por novas opções para cura e profilaxia de diversas doenças. Assim, tem-se pesquisado bastante sobre os usos tanto do fruto, que pode ser utilizado em receitas na forma de farinhas, cremes, pastas, ou consumido in natura, até mesmo o consumo da casca dessa castanha tem sido estudado para alguns fins.

O uso da noz está relacionado aos seus efeitos cardioprotetores, anticarcinogênicos, anti-inflamatórios e antioxidantes, já são conhecidos por ser um fruto rico em gorduras insaturadas, proteínas, fibras, ácido fólico, vitamina E, magnésio, potássio e cálcio, flavonoides e fitoesteróis, entre outras substâncias presentes.  A casca é utilizada em forma de chá para tratamentos de problemas estomacais e pulmonares, redução dos níveis de colesterol e pressão arterial, tratamento da insônia, dores articulares, enxaquecas e cicatrização de feridas.

Além de todas as propriedades já citadas, algumas universidades e centros de pesquisa têm procurado por alternativas antimicrobianas para uso e desenvolvimento de novas substâncias que tenham efeito sob os tantos microrganismos que são encontrados e identificados como contaminantes, com isso, estão desenvolvendo extratos de vários tipos utilizando tanto o fruto, quanto a casca para testes nesse tipo de pesquisa.

REFERÊNCIAS:

https://www.google.com/search?q=noz+pecan&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=2ahUKEwjIlob_-rrzAhXuqZUCHWosAfMQ_AUoAXoECAEQAw&biw=1366&bih=657&dpr=1#imgrc=QufAGbNJik-6-M

https://www.google.com/search?q=casca+da+noz+pecam+&tbm=isch&ved=2ahUKEwi60I6B-7rzAhVnOLkGHXDqAN4Q2-cCegQIABAA&oq=casca+da+noz+pecam+&gs_lcp=CgNpbWcQAzoECAAQQzoLCAAQgAQQsQMQgwE6CAgAEIAEELEDOgUIABCxAzoFCAAQgAQ6BAgAEB46BAgAEBg6BggAEAoQGFD_wS1Ymd4tYJ7gLWgAcAB4AYABnQSIAf8fkgEMMC4xMy4yLjAuMi4xmAEAoAEBqgELZ3dzLXdpei1pbWfAAQE&sclient=img&ei=FE1gYbr2FOfw5OUP8NSD8A0&bih=657&biw=1366#imgrc=0ku_5u8f8bdyBM

ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DE EXTRATO AQUOSO DA CASCA DE NOZ-PECÃ [CARYA ILLINOINENSIS (WANGENH.) C. KOCH]. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/351644060_ATIVIDADE_ANTIBACTERIANA_DE_EXTRATO_AQUOSO_DA_CASCA_DE_NOZ-PECA_Carya_illinoinensis_Wangenh_C_Koch

Compostos Bioativos Benéficos Presentes em Castanhas e Nozes. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/122387

Efeitos benéficos do extrato das cascas de noz pecan (Carya illinoinensis) sobre parâmetros bioquímicos e comportamentais de camundongos expostos ao fumo passivo. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/8965/RECKZIEGEL%2c%20PATRICIA.pdf?sequence=1&isAllowed=y

A NOGUEIRA-PECÃ NO BRASIL: UMA REVISÃO ENTOMOLÓGICA. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cflo/a/gMbm4q99Cjy7CkH3shxZKPb/?lang=pt


quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Desmatamento e segurança dos alimentos - Desmatamento na Amazônia favorece aumento de bactérias resistentes a antibióticos.

 

Estudo realizado na Amazônia por pesquisadores mostrou que o desmatamento tem causado aumento na diversidade de bactérias resistentes a antibióticos

Foto: Cena-USP via Agência Fapesp / CC-BY-NC-ND


A expansão da pecuária e da agricultura é responsável pelo aumento acentuado das taxas de desmatamento na floresta amazônica, com consequências para o clima e micro e macro biodiversidade. Embora muitos estudos tenham avaliado os efeitos do desmatamento no microbioma, seu efeito no resistome do solo permanece desconhecido.


Pensando nisso,  pesquisadores do Cena, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (Esalq), em Piracicaba, e do Laboratório Nacional de Computação Científica, em Petrópolis (RJ), realizaram uma análise de 48 amostras de solo de áreas desmatadas do Pará e do norte do Mato Grosso. Comparando os microrganismos que vivem no solo da floresta nativa com aqueles encontrados em pastagens e plantações.


Usando ferramentas de bioinformática, os pesquisadores compararam cerca de 800 milhões de sequências de DNA extraídas das amostras, com um banco de dados de genes conhecidos pela resistência a antibióticos. Foram encontrados 145 genes com essa característica, capazes de resistir à ação de antibióticos por meio de 21 mecanismos moleculares diferentes. Ainda que bactérias resistentes a antibióticos estejam presentes no solo florestal, esses microrganismos e seus mecanismos de resistência se apresentaram muito mais abundantes nos solos de pastagens, áreas desmatadas e plantações.


bactérias e fungos isolados de solo e raiz de cana-de-açúcar. Foto: GCCRC/Divulgação via Agência Fapesp / CC-BY-NC-ND


“As bactérias produzem substâncias para atacar umas às outras. Essa competição por recursos é comum em qualquer ambiente. Quando uma área é desmatada, porém, uma série de fatores aumenta a competição, favorecendo justamente aquelas bactérias que podem resistir a essas substâncias. Se chegam aos humanos, esses microrganismos podem se tornar um grande problema”, explica Lucas William Mendes, pesquisador apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, e um dos autores do estudo. A pesquisa integra um projeto ligado ao Programa Biota-Fapesp e coordenado por Tsai Siu Mui, professora do Cena.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a resistência a antibióticos um problema de saúde pública global . Doenças resistentes a medicamentos, de modo geral, causam cerca de 700 mil mortes por ano no mundo, segundo a organização.


De acordo com Mendes - o processo de ocupação na Amazônia consiste em, primeiramente, derrubar as árvores mais valiosas para exploração da madeira. Em seguida, todo o resto é desmatado e a área, queimada, para dar espaço a culturas agrícolas ou capim para o gado. Além das cinzas da vegetação que vivia ali, o solo recebe ainda calcário para diminuir a acidez e outros insumos agrícolas. Essa abundância de nutrientes gera uma proliferação de bactérias e uma competição feroz por recursos 


O estudo observou  uma grande quantidade de bactérias resistentes principalmente a dois tipos específicos de antibióticos, tetraciclina e betalactamase. Medicamentos com esses princípios ativos são largamente utilizados no tratamento de doenças do gado e podem chegar ao solo por meio das fezes e da urina, uma vez que os bovinos têm baixa absorção de antibióticos. O uso de esterco como adubo pode, segundo os pesquisadores, contribuir para a propagação das bactérias resistentes.


Não é possível afirmar, no entanto, que os microrganismos imunes a antibióticos são capazes de migrar do solo amazônico para os alimentos produzidos nele, como grãos, cana-de-açúcar e carne. Alguns trabalhos supõem que essa transferência possa ocorrer, mas ainda não há estudos que mostrem uma relação direta. Contudo, é algo que deve ser olhado com atenção, pois se essas bactérias resistentes chegarem aos humanos podem causar um grande problema de insegurança alimentar para milhares de pessoas, além de gerar um grave quadro de saúde pública.

Tampouco há soluções imediatas para impedir o surgimento dessas bactérias em solos cultivados. Um manejo que leve em consideração outras funções dos microrganismos além da produtividade das plantas, como ciclagem de nutrientes e diminuição de espécies produtoras de metano, por exemplo, pode ajudar a mitigar o problema.

Isso pode ser feito com o transplante de solo natural para uma área cultivada ou mesmo com o uso de inoculantes. Esses produtos baseados em microrganismos levam para o solo funções importantes que podem, de quebra, diminuir o uso de fertilizantes e agrotóxicos, a ponto de serem vistos como um potencial mercado de bilhões de dólares.

No caso da Amazônia, as soluções e as oportunidades podem estar logo ao lado de um pasto ou de uma plantação, no próprio solo da floresta nativa.

Referências:

Desmatamento na Amazônia favorece aumento de bactérias resistentes a antibióticos (ecodebate.com.br)


Desmatamento favorece aumento de bactérias resistentes a antibióticos – Jornal da USP


Amazon deforestation enriches antibiotic resistance genes - ScienceDirect


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Testes indicam bactéria capaz de atacar fungo de lavouras

(Imagem por David B. Langston, University of Georgia. Fonte: IPMimages)

Cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP Piracicaba publicaram um artigo na revista Microbiological Research detalhando seus achados em relação à actinobactéria Streptomyces lunalinharesii. Segundo o estudo, esta bactéria é capaz de impedir a proliferação do fungo Rhizoctonia solani, que ataca plantações como de arroz, feijão, milho e soja.

Esta bactéria é encontrada em plantas de antúrio na ilha de Palmas, do litoral paulista (área de Mata Atlântica). “Hoje em dia é comum na área de pesquisa em produtos naturais de microrganismos que as buscas por novos compostos bioativos, incluindo os de possível aplicação agrícola, envolvam linhagens isoladas em localidades que haviam sido até então subexploradas, como é o caso das ilhas oceânicas, pois microrganismos pouco estudados podem representar grandes oportunidades para se encontrar compostos ainda não descritos na literatura. Além disso, as actinobactérias têm especial relevância neste âmbito, pois são sabidamente capazes de produzir um amplo espectro de metabólitos secundários, muitos dos quais bioativos.”, afirma ao Jornal da USP a bióloga Naydja Moralles Maimone, autora da pesquisa. 

O fungo em questão, Rhizoctonia solani, é do filo Basidiomycota, sendo um fitopatógeno de solo que acomete várias culturas importantes economicamente com doenças conhecidas como "tombamento" ou "podridão radicular". Nos testes em placa (cocultivo), foi fácil verificar que o fungo para de crescer na presença da bactéria S. lunalinharesii, que o ataca, deteriorando suas hifas. A bióloga Naydja Moralles ainda afirma: "Levantamos a hipótese de que esta actinobactéria é potencial produtora de compostos ainda não conhecidos ou descritos na literatura".



Fonte: Bactéria encontrada na Mata Atlântica tem potencial contra fungo de lavouras, apontam testes – Jornal da USP.