sábado, 20 de julho de 2019

Bacillus cereus

       O Bacillus cereus é um bastonete aeróbio, formador de esporos esféricos, normalmente encontrado no solo, na poeira e na água.

fonte: H. Seiler / TECHNICAL UNIVERSITY OF MUNICH (TUM)
É associado com intoxicações alimentares e pode ser encontrado em diversos alimentos, incluindo produtos in natura, frescos e processados.

Bacillus cereus pode causar duas formas de gastroenterite:      

SÍNDROME DIARREICA

              Provoca diarreia intensa, dores abdominais, raramente ocorre náuseas e vômitos. O período de incubação varia de 8 a 16 h e a duração da doença é de 12 a 24 h. Os alimentos envolvidos são os vegetais crus e cozidos, produtos cárneos, pescados, massas, leite, sorvete e pudins à base de amido.


SÍNDROME EMÉTICA

            Esta forma de intoxicação alimentar por B. cereus é mais grave e aguda que a síndrome diarreica. Causa vômitos, náuseas e mal-estar geral, e em alguns casos diarreias com 6 a 24 h de duração. Seu período de incubação é curto de 1 a 6 horas. Está quase que exclusivamente associada a base de arroz, quentes e frios. Creme pasteurizado, espaguete, purê de batatas e brotos vegetais também tem sido envolvidos.

CONTROLE E PREVENÇÃO DE INTOXICAÇÕES POR BACILLUS CEREUS

O Bacillus cereus por ser um formador de esporos, vem causando grandes preocupações quanto ao consumo de alimentos ligeiramente aquecidos e subsequentes refrigerados.
Os mesmos são bastante resistentes ao calor e ao serem reidratados obtém as condições para que sua germinação ocorra, provocando degradação dos alimentos bem como uma intoxicação alimentar.
Os tratamentos eficazes para o controle do B. cereus são o cozimento em vapor sob pressão, fritura e o assar em forno a temperaturas superiores a 100 °C, que eliminará a forma vegetativa, porém partes dos esporos podem resistir a temperaturas maiores que 100 °C.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para evitar a contaminação e a proliferação de microrganismos patogênicos, causadores de toxinfecções alimentares é fundamental tomar algumas medidas tais como:

1) Escolher alimentos processados de forma higiênica;
2) Cozinhar bem os alimentos;
3) Consumir imediatamente os alimentos cozidos;
4) Armazenar os alimentos cozidos fora da temperatura de risco;
5) Reaquecer suficientemente os alimentos cozidos;
6) Evitar o contato entre os alimentos crus e cozidos;
7) Lavar as mãos frequentemente;
8) Manter criteriosamente limpas todas as superfícies
da cozinha;
9) Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais;
10) Utilizar água potável

REFERÊNCIAS

GRANUM, P.E. Bacillus cereus and its toxins. J. Appl. Bact. Symp., v. 76 Supplement, p. 61S-66S, 1994.

JAY, J. M. Microbiologia de alimentos. 6ª ed – Porto Alegre: Artmed, 2005.

PAIVA, E. P.; FAI, A. E. C.; SOARES, D. S.; STAMFORD, T. L. M. Bacillus cereus e suas toxinas em alimentos. Higiene Alimentar, v. 23, n. 170/171, p. 87-92, 2009.

O GLOBO. Intoxicação alimentar mata mais de 350 milhões de pessoas por ano, alerta OMS. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/intoxicacao-alimentar-mata-mais-de-350-mil-pessoas-por-ano-alerta-oms-15768347> Acesso em 10 de julho de 2019.

domingo, 14 de julho de 2019




STAPHYLOCOCCUS AUREUS E AS SUPERBACTÉRIAS


STAPHYLOCOCCUS AUREUS
O Staphylococcus aureus, são cocos Gram positivos, coagulase positiva não esporulados, imóveis, anaeróbios facultativos, com melhor crescimento em condições aeróbias. Tem a capacidade de sobreviver e se multiplicar em uma concentração de cloreto de sódio de até 15%, o que faz com que os alimentos curados também sejam veículos potenciais de intoxicações por esses microrganismos. Estão associados aos produtos de origem animal industrializados e manipulados, tais como carnes, ovos, queijos, leite e doces.
Surtos de intoxicação alimentar por Staphylococcus aureus são os mais comuns, pois de 1-6 horas após a ingestão, certas cepas produzem uma enterotoxina termoestável que é responsável por causar náusea, vômito, espasmo abdominal e diarreia com muco e sangue, podendo ser fatal para crianças, imunodeprimidos e idosos.
Trata-se de uma bactéria comum, encontrada normalmente colonizando a pele de várias pessoas saudáveis, são microrganismos encontrados na boca, cavidade nasal e nas mãos, sendo comum serem encontrados nos alimentos, devido a más condições higiênicas durante o processo de fabricação e a presença de trabalhadores portadores assintomáticos e com maus hábitos higiênicos, o que contribui para disseminação dos microrganismos. Além das infecções estafilocócicas na glândula mamária bovina que apresenta um reservatório de culturas toxigênicas deste microrganismo, contaminando assim, o leite cru.
Porém, como qualquer bactéria fora do seu tecido de origem, ela pode causar infeções sérias e que podem levar uma pessoa a óbito, O problema maior acontece quando essa bactéria atinge a corrente sanguínea, podendo ser levada a qualquer parte do corpo, provocando uma infecção generalizada, caso do neto de Lula. Muitas vezes, as infecções bacterianas são restritas a apenas um órgão, mas sempre existe a possibilidade de se tornarem sistêmicas, gerando assim um quadro de sepse, que é extremamente grave e responsável por várias mortes diariamente quando não tratado corretamente.



                                                                                             Fonte: istockphoto

SUPERBACTÉRIAS
Superbactérias são bactérias que conseguem resistir ao tratamento com o uso de uma grande quantidade de antibióticos. Geralmente essas superbactérias surgem em razão do uso de antibióticos de forma desnecessária ou de maneira incorreta, que acaba selecionando as formas resistentes. Representando atualmente uma das principais ameaças à saúde pública mundial.
É uma bactéria comum, que já existe há vários anos, porém, devido ao uso indiscriminado de antibióticos, adquiriu resistência a praticamente todos os recursos de tratamento que estão disponíveis atualmente.
A medida em que as bactérias foram sendo expostas aos antibióticos, elas começaram a desenvolver alguns mecanismos de defesa para garantir a sua sobrevivência e, dessa forma, “resistir” aos antibióticos. Esses mecanismos de defesa podem, geralmente, ser transferidos de uma bactéria para outra. Quando uma bactéria adquire diversos mecanismos e passa a ser resistente a uma variedade enorme de antibióticos, ela se torna uma superbactéria.
As superbactérias ganharam destaque primeiro dentro dos hospitais, onde o uso de antibióticos é mais intenso e a transmissão de bactérias mais eficiente. Elas ainda são importantes causas de infecções graves entre pacientes hospitalizados. No entanto, atualmente, já sabemos que as superbactérias podem ser encontradas também em indivíduos saudáveis da comunidade, animais, alimentos e no meio ambiente.
Infecções por essas bactérias estão se tornando cada vez mais comuns e algumas delas são resistentes a praticamente todos os antibióticos existentes. Ao mesmo tempo, a velocidade com que os cientistas descobrem novos antibióticos vem sendo cada vez mais lenta. Nesse cenário, a Organização Mundial de Saúde estima que, se nada for feito para controlar essas superbactérias, até 2050 elas serão responsáveis por cerca de 10 milhões de mortes por ano no mundo, tornando-se mais letais que o câncer. Além disso, de acordo com estimativas globais, até 2050 as infecções por superbactérias gerarão um custo de aproximadamente 84 trilhões de dólares para a economia global.
Uma das principais bactérias resistentes a medicamentos é a Staphylococcus aureus, sendo a forma resistente à meticilina (MRSA) a mais comum. A MRSA é encontrada em praticamente todo o mundo, normalmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), onde causam sérios problemas. Essa superbactéria, além de ser resistente a vários antibióticos, é capaz de colonizar instrumentos médicos.
Em 17 de abril de 2014, um trabalho intitulado Transferable Vancomycin Resistance in a Community-Associated MRSA Lineage alertou a respeito de uma nova superbactéria do tipo VRSA (Vancomycin Resistent Staphylococcus aureus) resistente à meticilina e à vancomicina. Essa bactéria, chamada de BR-VRSA, foi descoberta no Brasil e é um tipo ainda mais resistente de Staphylococcus aureus. O que a diferencia das outras bactérias do tipo VRSA é o material genético herdado de bactérias que são encontradas em ambientes fora dos hospitais. Essa característica é importante porque torna mais fácil a sua disseminação.
Outra superbactéria que reflete um grande problema nos hospitais do mundo todo é a chamada KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemases). Ela produz carbapenemases do grupo A, enzima responsável por inibir a ação dos antibióticos que possuem o anel betalactâmico. Isso faz com que as opções de medicamento no tratamento dessa bactéria sejam diminuídas. A KPC acomete normalmente pacientes imunodeprimidos, em especial aqueles que estão na UTI.
Existe ainda uma superbactéria chamada NDM-1, que inicialmente surgiu na Índia e Paquistão, mas, posteriormente, espalhou-se por praticamente todo o mundo nos ambientes hospitalares. Ela apresenta um gene responsável pela produção de uma enzima que atua nos antibióticos betalactâmicos, conferindo resistência a esse medicamento.
Podemos concluir que várias são as superbactérias existentes no planeta e que todas elas constituem um grave problema para o ambiente hospitalar, uma vez que atacam pacientes com doenças graves ou extremamente debilitados. Conter o avanço de superbactérias é uma tarefa difícil e necessita de uma ação conjunta de profissionais da saúde, pacientes e até mesmo dos governantes. Profissionais da saúde devem ter em mente que a prescrição de antibióticos só deve ser feita quando necessário e todos os procedimentos hospitalares devem ser feitos com total higiene, utilização de jalecos, toucas e luvas. Os pacientes, por sua vez, devem ficar atentos às recomendações médicas e nunca se automedicar. Já os governantes devem dificultar a venda indiscriminada de antibióticos e criar políticas que incentivem a pesquisa sobre essas bactérias.

Figura adaptada de Antibiotic Resistance Threats in the United States, 2013, CDC.


REFERÊNCIAS
http://www.comciencia.br/resistencia-antibioticos-e-as-superbacterias/
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/superbacterias.htm
https://mdemulher.abril.com.br/saude/
SANTANA, E. et al. Artigo de Revisão Estafilococos em alimentos. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.77, n.3, p.545-554, jul./set., 2010.
RADDI, M., LEITE, C. e MENDONÇA, C. Staphylococcus aureus: Portadores entre manipuladores de alimentos. Rev. Saúde Pública., São Paulo, 22(1) : 36-40, 1988.





segunda-feira, 1 de julho de 2019

Nova técnica utilizando ozônio diminui chances de contaminação do milho



A Food and Drug Administration reconhece a segurança da aplicação do ozônio como sanitizante em alimentos e nos últimos anos, aumentou-se o interesse na aplicação desse gás no processamento de alimentos já que apresenta eficácia em pequenas quantidades, sua decomposição não gera metabólitos tóxicos e demanda pouco tempo de contato para surtir efeito. Com esse pensamento, pesquisadores da Embrapa Agroindústria e Alimentos recentemente validaram uma nova tecnologia pós-colheita que – utilizando do ozônio – reduz contaminações por fungos e micotoxinas em grãos de milho.
Um dos principais pontos na utilização do ozônio é a possibilidade de substituir sanitizantes a base de cloro, com ênfase no fator de que ele pouco altera características as características químicas e sensoriais. Diferente de métodos que acabam inviabilizando o alimento para o consumo, a aplicação de ozônio descontamina e degrada resíduos e contaminantes ao degradar as paredes celulares de microrganismos.

Na pesquisa realizada pelos profissionais da Embrapa, resultados como redução de 57% dos níveis de aflatoxinas e redução da contagem de fungos totais foram observados. Os grãos de milho que sofreram tratamento intenso – alta concentração de ozônio por longo período de tempo – apresentaram resultados ainda melhores. As análises múltiplas realizadas após o tratamento permitiam analisar, simultaneamente, treze micotoxinas em milho – como fumonisinas e ocratoxinas – que causam danos à saúde dos consumidores e dificultam a exportação.

Dada a importância do milho na agricultura e – consequentemente – economia brasileira, observa-se a importância de avanços tecnológicos como o citado acima, para garantir não apenas produtos de maior qualidade como maior segurança para os consumidores.

Referências:


segunda-feira, 24 de junho de 2019

Higienização das Mãos


As mãos dos manipuladores de alimentos representam uma importante fonte de transmissão de microrganismos. A pele possui naturalmente diversos microrganismos contaminantes que são frequentemente responsáveis por infecções alimentares e hospitalares, por isso a lavagem correta das mãos é uma das maneiras mais seguras para evitar a contaminação dos alimentos. Uma adequada lavagem das mãos deve durar mais que vinte segundos para eliminar esses microrganismos.
Os manipuladores de alimentos devem lavar as mãos sempre que: 


− Iniciar seu trabalho; 



− Utilizar os sanitários; 



− Tossir, espirrar ou assuar o nariz; 



− Usar esfregões, panos ou materiais de limpeza; 



− Recolher lixo e outros resíduos; 



− Tocar em alimentos não higienizados ou crus; 



− Pegar em dinheiro; 



− Houver interrupção do serviço; 

Ao trocar de atividade, quando estiver manipulando tipos de  alimentos diferentes ou em preparos diferentes, como um alimento cru e outro cozido;

− Iniciar uma nova atividade; 


− Tocar em utensílios não higienizados; 



− Vestir luvas para manipular alimentos prontos;

A contaminação por estes microrganismos patogênicos nos alimentos pode levar a ocorrência das Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA), onde as pessoas podem desenvolver problemas graves na saúde que podem levar até a morte. Dessa forma, reduzir essa microbiota das mãos significa reduzir essas contaminações e doenças proporcionando uma melhor qualidade dos alimentos e da saúde.

   
Para higienizar corretamente as mãos devem ser seguidos os seguintes passos:


Referências:


http://portal.anvisa.gov.br/resultado-de-busca?p_p_id=101&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_101_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_assetEntryId=450722&_101_type=document

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/nutricao/a-importancia-da-higiene-das-maos-na-manipulacao-de-alimentos/65949


domingo, 16 de junho de 2019

AS MICOTOXINAS

                            Resultado de imagem para micotoxinas   Imagem relacionada                    



 A história das micotoxinas começa em 1960, quando um surto de mortes inexplicáveis de aves no Reino Unido (especialmente perus) foi investigado. O surto ficou mundialmente conhecido como turkey x disease. Chegou-se à conclusão que o problema estava na ração, a qual havia sido produzida com amendoim importado da África e do Brasil. Esse amendoim estava contaminado com uma substância fluorescente produzida pelo fundo Aspergillus flavus de onde derivou a palavra aflatoxina.
 Hoje é de conhecimento geral que não existe uma aflatoxina, mas no mínimo 17 compostos tóxicos, dentre os quais os mais importantes são as aflatoxinas B1, G1, B2 e G2, sendo que a B1 é considerada o agente natural mais carcinogênico que se conhece. Por conta disso e pela prevalência desse fungo, é a mais importante micotoxina do Brasil.
 A partir de 1962, quando se estabeleceu as causas do surto, pesquisas subsequentes encontraram outros fungos produtores de substâncias diferentes.
 Os piores efeitos das micotoxinas no homem tendem a ser os crônicos, de difícil associação com o consumo de alimentos contaminados. Os principais efeitos registrados são indução de câncer, lesão renal e depressão do sistema imune. 
 Uma vez que as micotoxinas costumam ser termoestáveis, a abordagem preventiva em relação a elas é de suma importância. Evitar a contaminação por fungos é frequentemente impossível, visto que os principais bolores toxigênicos são bastante disseminados pelo ambiente. Portanto, restam estratégias ligadas a utilização de linhagens de plantas resistentes à colonização fúngica, colheita apropriada, estocagem adequada, controle de insetos e roedores, controle de temperatura e umidade, tempo de estocagem dentro dos limites de vitalidade dos grãos e, eventualmente, irradiação dos grãos. 
 Existem micotoxinas que são benéficas ao homem, como é o caso da penicilina, mas com efeitos tóxicos apenas para a bactéria que lhe é sensível. Nos cultivos agrícolas existem aproximadamente 100 fungos encontrados no próprio campo de produção ou em produtos alimentares armazenados, e que são capazes de produzir micotoxinas, sendo que 20 tipos de fungos são causadores de doenças em animais que podem levar a problemas de saúde e, inclusive à morte. 
 Por estarem presentes em quase todos os lugares, os fungos produtores de micotoxinas são capazes de germinar, crescer e produzir toxinas em uma grande variedade de produtos agrícolas. Para que isso aconteça devem haver condições favoráveis de umidade, temperatura e aeração.
A tabela 1 oferece uma visão geral das principais micotoxinas:

Fonte: http://revista-fi.com.br/upload_arquivos/201606/2016060379366001465583508.pdf

Geralmente, as micotoxinas estão associadas a grãos armazenados e rações para alimentação animal, especialmente milho com alto teor de umidade, em silagem, semente de algodão, amendoim, soja e algumas castanhas.
 As micotoxinas mais conhecidas são as aflatoxinas, produzidas principalmente pelo fungo Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus. As aflatoxinas podem ser encontradas em milho, amendoim, caroço de algodão, bem como em outros grãos e algumas espécies de nozes. Também são conhecidas as fumonisinas e zearalenona em milho, ocratoxinas em café, temperos, soja, amendoim, entre outras.
 Alguns programas de descontaminação com produtos químicos são capazes de controlar o desenvolvimento de fungos e reduzir a concentração de micotoxinas, mas deve-se levar em consideração o custo/benefício da atividade. Esses procedimentos de descontaminação não são eficientes em larga escala, tendo um custo muito elevado e com resultados bastante discutíveis.
 O homem pode ser contaminado por micotoxinas através do consumo de alimentos processados ou in natura. Também pode ingerir carne de animais alimentados com ração contaminada, pois a toxina pode ser transmitida pelo corpo do animal através da sua carne, leite ou ovos. Alguns alimentos com contaminação potencial, como o milho, podem ter seus produtos derivados, como o óleo refinado, isento de toxina, pois há a destruição da mesma no processo de transformação do produto. 
 A legislação brasileira, através da RDC Nº 274, do Ministério da Saúde, dispõe que alguns alimentos de consumo humano, como o amendoim, o milho em grão e leite, podem ter uma concentração máxima de 0,5ng/Kg de aflatoxina, enquanto que a União Europeia permite teores de aflatoxinas mais restritos para alguns alimentos comuns a nossa legislação, variando de 2 a 5ng/Kg.
 Já a Instrução Normativa nº 13 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), dispõe que se houver algum lote de mercadoria devolvida por importadores ou por resultado de inspeção ou fiscalização, este poderá ser liberado para o consumo humano ou animal se o resultado da primeira análise for igual ou menor que o limite de 30 a 50ng/Kg. 
 Desse modo, podemos concluir que as micotoxinas ocorrem e exercem seus efeitos tóxicos em quantidades extremamente pequenas nos alimentos. Por isso, sua identificação e controle são de suma importância para a saúde pública. A fiscalização e controle dos produtos acometidos pelas micotoxinas devem ser rigorosos, para que assim tenhamos uma maior qualidade dos produtos utilizados com um menor risco à saúde.

Referências: 
Food Ingredients Brasil. As micotoxinas. São Paulo. 2009. Disponível em: <http://revista-fi.com.br/upload_arquivos/201606/2016060379366001465583508.pdf>. Acesso em: 16/06/2019.

Aditivos e Ingredientes. Micotoxinas: As micotoxinas. Disponível em: <http://aditivosingredientes.com.br/upload_arquivos/201604/2016040341798001460639073.pdf>. Acesso em: 16/06/2019.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Saccharomyces cerevisiae na produção de vinhos


A levedura Saccharomyces cerevisiae é um microrganismo aeróbio facultativo, isto é, que tem a habilidade de se ajustar metabolicamente, tanto em condições de aerobiose como de anaerobiose. Nesse processo aeróbio facultativo, os produtos finais do metabolismo do açúcar irão depender das condições ambientais em que a levedura se encontra. Assim, em aerobiose, o açúcar é transformado em biomassa, CO2 e água, e, em anaerobiose, a maior parte é convertida em etanol e CO2, processo denominado de fermentação alcoólica.

As leveduras S. cerevisiae são elípticas, medindo cerca de 6 a 8 mm de comprimento por 5 µm de largura. Reproduzem-se assexuadamente por brotamento (ou gemulação). Sendo a temperatura ótima de seu crescimento entre 20 e 30°C, com o pH entre 4,5 e 5,5. A S. Cerevisiae não é considerada um microrganismo patogênico, mas raramente tem sido relatada como causa de infecções oportunistas. Nas quais todos os pacientes nos casos tinham doença subjacente. A levedura Saccharomyces sp. por ser a única espécie totalmente aceitável como alimento para seres humanos destaca-se nesse sentido, sendo amplamente utilizada na produção de etanol, produtos de panificação, assim como no processamento de bebidas alcóolicas (cervejas, vinho, cachaça).


A fermentação pode ser considerada o processo chave na produção do vinho. Não existe vinho sem que ocorra a fermentação alcoólica do mosto de uvas e a própria lei 7678/88, que rege a produção de vinhos, em seu artigo 3º, assim conceitua: "Vinho é a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto simples de uva sã, fresca e madura." Pela ação de enzimas liberadas pelas leveduras, em ambiente anaeróbico (sem oxigênio), os açúcares são transformados em álcool e gás carbônico, liberando também energia (calor). Outros alcoóis também são produzidos em quantidades menores e são responsáveis por oferecerem maior complexidade aromática e de sabor. Convertendo as unidades de medida, chega-se ao resultado que 17 gramas de açúcar por litro é capaz de produzir 1% de álcool pelo mesmo volume.

 A Saccharomyces cerevisiae é a mais difundida — por ter uma resistência maior ao próprio álcool gerado e ao SO2 (dióxido de enxofre: o principal conservante dos vinhos) — e também sendo utilizada para a produção de cervejas. Na verdade, cada espécie tem uma tolerância diferente a essas substâncias, bem como pode interferir em quais compostos variados poderão surgir, principalmente os aromas. Durante a fermentação há liberação de energia em forma de calor, e a temperatura na qual o processo ocorre interfere substancialmente no resultado final. Temperaturas altas, entre 24 ºC a 32 ºC, podem privilegiar a extração de compostos da casca da uva, resultando em tintos com maior concentração fenólica, ou seja, mais corpo e cor. Já os vinhos brancos são fermentados em temperaturas amenas, em torno de 14 ºC a 18 ºC. Assim, é possível obter um fermentado com aromas mais finos e elegante.

Embora a S. cerevisiae seja a mais importante levedura envolvida na produção de vinhos, esse microrganismo está pouco presente nos vinhedos e nos bagos íntegros de uva. Nas etapas mais tardias da fermentação S. cerevisiae torna-se prevalente. A fermentação espontânea inicia-se pelas espécies nativas de leveduras. A elevação do teor alcoólico a 4° a 6° provoca o desaparecimento dessas espécies e a S.cerevisiae passa a dominar. A fermentação espontânea teria como vantagens a diversidade e a complexidade de aromas, a sutileza e o caráter regional, além de uma característica única de cada safra.

Referências:

http://hypescience.com/levedura-manipulada-pode-aumentar-producao-de-bioetanol/

http://microbiologia.icb.usp.br/cultura-e-extensao/textos-de-divulgacao/micologia/genetica-e-biologia-molecular-de-fungos/saccharomyces-cerevisiae-o-modelo/




quinta-feira, 6 de junho de 2019

Candida auris o perigoso fungo resistente a medicamentos que se alastra pelo mundo


O Candida auris é um fungo do tipo levedura que foi descoberto pela primeira vez em 2009.

A infecção de Candida auris é resistente aos medicamentos existentes atualmente e pode ser fatal, com índice de mortalidade de 59%, segundo o médico André Mário Doi, patologista do setor de microbiologia do Hospital Albert Einstein.

Para ser infectado por esse fungo o paciente deve ter passado por cirurgias recentes, esteja com o sistema imunológico comprometido, ou que esteja fazendo uso de antibióticos e antifúngicos por muito tempo. O Candida auris apresenta maior risco se afetar a corrente sanguínea. A transmissão desse fungo ainda não é totalmente conhecida porém acredita-se que ele se espalha por superfícies ou objetos e equipamentos contaminados.  

Segundo a Anvisa como prevenção é necessário ressaltar a importância da higienização das mãos, tanto dos profissionais de saúde como de acompanhantes em ambientes de saúde, como também a correta higienização dos alimentos ministrados aos pacientes ou dentro de seus próprios domicílios, já que a má higienização pode contribuir para a disseminação do fungo Candida auris aderir a diversas superfícies.

Esse caso vem preocupando muitos médicos e micro biólogos pelo mundo. Por ser um fungo que sofreu um processo de especialização, surgiu já na presença de vários antifúngicos e substancias antimicrobianas adquirindo assim resistência a elas.

 Até o momento o C. auris já foi encontrado em mais de 20 países. No Brasil ainda não há notificações, mas na Colômbia e Venezuela ele já foi detectado.
 Referencias: