sexta-feira, 11 de junho de 2021

PESQUISA BUSCA BIOATIVOS NATURAIS CONTRA FUNGOS, BACTÉRIAS E VÍRUS

       Um estudo desenvolvido pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) com a finalidade de avaliar os efeitos causados por bioativos vegetais quando associados às nanopartículas metálicas e biogênicas teve como resultado preliminar a eliminação de bactérias, superbactérias, fungos e vírus por meio de nanopartículas sintetizadas através da ação de organismos vivos.

     O intuito da pesquisa é conseguir alcançar um nível de atividade biológica natural como alternativa aos produtos sintéticos disponíveis no mercado de defensivos agrícolas nos dias de hoje. Foram realizados testes in vitro, os quais já foram possíveis comprovar a ação do produto. Na etapa seguinte, os pesquisadores pretendem avaliar a capacidade dessas nanopartículas inativar vírus, incluindo o Sars-CoV-2, vírus que causou a atual pandemia de Covid-19.

Fonte: news-medical

    A coordenadora do projeto, professora Fabiana Gisele da Silva Pinto, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Unioeste, explica que a nanopartícula é uma matéria-prima com diferentes utilidades, e tem como benefício uma baixa toxicidade tanto para as células humanas quanto para o meio ambiente, uma vez que elas não geram resíduos tóxicos.

      Como exemplo, a professora Fabiana menciona o triclosan, um agente bactericida banido tanto nos Estados Unidos quanto nos países da Europa, e que continua sendo muito utilizado no Brasil como antisséptico e conservante em cosméticos e fármacos. “A nanopartícula pode substituir esse composto químico antimicrobiano, presente em medicamentos, sabonetes, desodorantes e cremes dentais”, sugere.

                                                                                                              Foto: Unioeste

        A equipe de pesquisa é composta pela estudante de pós-doutorado Juliana Moço Correa e pelas estudantes de mestrado Joelma Marques Batista, Débora Marina Bandeira e Larissa Valéria Lakoiski, além de duas alunas de Iniciação Científica do curso de graduação em Ciências Biológicas. Além dessas, também integram o estudo os pesquisadores Gerson Nakazato e Renata Katsuko Takayama Kobayash, do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que atuam no Laboratório de Bacteriologia Básica e Aplicada do Departamento de Microbiologia.

                                                                                                               Foto: Unioeste

        Por conseguinte, ela ainda aponta a possibilidade de, futuramente, substituir substâncias nocivas à saúde humana em vários produtos da indústria. Além disso, tanto o processo quanto o produto já estão com patente registrada pelo INPI, Instituto Nacional da Propriedade Industrial, no Ministério da Economia.

 

Referências Bibliográficas:

https://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=112326

http://www.seti.pr.gov.br/Audio/Pesquisa-da-Unioeste-busca-bioativos-naturais-contra-bacterias-fungos-e-virus

domingo, 6 de junho de 2021

O que determina o prazo de validade de um alimento?

 

Fonte: disponível em: (https://istoe.com.br/450271_CIENTISTAS+JAPONESES+CRIAM+SENSOR+QUE+DETECTA+ALIMENTOS+ESTRAGADOS/)

Os conhecidos testes de vida de prateleira são utilizados para determinar o prazo em que um alimento deve ser consumido com segurança, sem causa qualquer problema de saúde ou ter suas características organolépticas (cor, odor e sabor) alteradas.

Este tipo de estudo é realizado em laboratório com pequenas amostras do alimento, onde se avalia sob qual o tempo e condições aquele alimento irá se deteriorar. Estes testes são realizados em ambientes com umidade e temperatura controlados, e regularmente as amostras são checadas.

Para se determinar o prazo de validade são analisados se a quantidade de microrganismos presentes no alimento ao longo de tempo se encontra dentro do limite estabelecido pela Agência de Vigilância Sanitária, o aspecto, aroma, sabor e a cor do alimento.

 Os laboratórios costumam ter ideia da validade de determinados produtos através de resultados obtidos com produtos semelhantes, porém o que é realmente necessário checar, por meio destes testes é se o tempo de vida de prateleira estabelecido ali é realmente verdadeiro, o que nem sempre acontece porque a utilização da matéria-prima pode causar grande variação no resultado.

Durante a realização dos testes, os alimentos não-refrigerados, serão submetidos a temperaturas mais elevadas do que as registradas em regiões onde estes serão comercializados, mostrando como o produto se comportará se submetido a condições extremas, no caso dos alimentos refrigerados, o prazo de validade é calculado tendo como base a sua exposição em uma prateleira de supermercado com uma temperatura já pré-determinada.

Os prazos de validade de alimentos são determinados como uma certa margem de segurança, sendo a prazo repassado ao consumidor um pouco menor do que o encontrado nas analises, porém isso não significa que o alimento deva ser consumido após o prazo estabelecido no rótulo, pois não é possível garantir sua integridade.

Para determinar o prazo de validade de alimentos, podem ser empregados métodos diretos, como os estudos de estabilidade em tempo real e testes de desafio e metodologias indiretas, como estabilidade acelerada e uso de dados coletados ou modelos preditivos.

Referência bibliográfica:

https://foodsafetybrazil.org/como-determinar-o-prazo-de-validade-de-um-alimento/#:~:text=Para%20se%20determinar%20as%20validades,hist%C3%B3ricos%20coletados%20ou%20modelos%20preditivos.

https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2021/05/25/como-funciona-o-prazo-de-validade-dos-alimentos.htm

sexta-feira, 4 de junho de 2021

A fome e a insegurança alimentar

Família de agricultores. Fonte: Governo Federal

    Em 2021 a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) realizou o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. De acordo com os resultados da pesquisa, nos três meses anteriores à coleta de dados, 44,8% dos domicílios brasileiros estavam com seus moradores em segurança alimentar, enquanto que 55,2% das demais se encontravam em situação de insegurança alimentar; 9% estavam em situação grave, isto é, tinham a fome presente no cotidiano, enquanto que nas áreas rurais, a situação era pior, atingindo 12%. A partir do inquérito, constatou-se que os níveis moderado e grave de fome atingiram 11,5% e 9% da população brasileira, sendo o pior índice desde 2004, quando os índices eram de 12% e 9,55%, respectivamente.

    Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado no mês de janeiro de 2021 pelo IBGE, a inflação de alimentação e bebidas acumulou uma taxa de 14,36% ao longo de 2020, no mesmo ano, itens comumente consumidos pelos brasileiros apresentaram alta expressiva nos custos, como o óleo de soja (+ 103,79%) e o arroz (+ 76,01%) o que ajuda a ilustrar os impactos na qualidade das refeições consumidas no país e na própria cultura alimentar como um todo.

Além do ano de 2020 ter sido atípico por conta da pandemia do novo coronavírus, a alta do preço do dólar também contribuiu com o aumento dos preços dos alimentos, haja visto que com a estabilidade do dólar em cerca de R$ 5,14  no mês de dezembro, tornou-se mais vantajoso para outros países importar alimentos do Brasil, ao mesmo tempo em que tornava mais lucrativa a exportação por parte do agronegócio, diminuindo assim a oferta de alimentos no mercado interno.

Além disso, de acordo com um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (WFP), estima-se que a situação de fome aguda deve aumentar em 20 países nos próximos meses, caso não haja uma ação de assistência urgente em grande escala. Isso significa dizer que atualmente, mais de 34 milhões de pessoas ao redor do mundo já enfrentam níveis de emergência de fome aguda, ou seja, estão a um passo da morte em decorrência da fome.

Diante deste cenário catastrófico, faz-se necessário, como já indicado pelo relatório, ações de rápidas e efetivas, que visem atender às necessidades atuais e futuras, o que vai desde aumentar a assistência alimentar e nutricional nessas localidades, até restabelecimento de sistemas de coleta de água e formas de aumentar o acesso à renda para as comunidades mais vulneráveis.

No Brasil, a agricultura familiar é de extrema importância, como já indicado pelo Censo Agropecuário de 2017, indicando que 77% dos estabelecimentos agrícolas do país foram classificados como sendo de agricultura familiar, em termos de extensão territorial, abrangem cerca de 23% dos estabelecimentos do mesmo setor em território nacional, até o ano do censo, mais de 10 milhões de pessoas eram empregadas pela agricultura familiar, o que representava na época, 67% do total de empregos na área, bem como responsável por 23% do total de produção no país. O Censo também destaca os impactos dessa modalidade na alimentação dos brasileiros, uma vez que das culturas permanentes, a agricultura familiar é responsável pela pela produção de 48% da produção de café e banana; 80% do valor de produção de mandioca, 69% da produção de abacaxi e 42% da produção de feijão. 


Programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) são responsáveis pelo incentivo e fomento à agricultura familiar. O PAA emprega recursos públicos para a compra de leite e produtos hortifruti e distribui para o país através do Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Já o PNAE é amparado pela Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009, que determina o valor mínimo de 30% da verba repassada aos estados, municípios e Distrito Federal através do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) seja utilizada para a aquisição de alimentos diretamente da agricultura familiar, dando prioridade aos assentamentos da reforma agrária, comunidades tradicionais indígenas e quilombolas, apoiando assim a produção de alimentos local e de qualidade. 

Na prática, isso significa que enquanto as grandes corporações do agronegócio exportam alimentos visando o lucro por commodities, é a agricultura familiar que sacia a fome dos jovens estudantes através da merenda escolar ao redor de todo o país, uma refeição fundamental na vida de muitas famílias brasileiras, cenário esse que já não é realidade desde a paralisação das aula presenciais em decorrência da pandemia de SARS-Cov-2, ou seja, mais crianças e adolescentes perderam acesso à uma das principais refeições de seus dias e em paralelo à isso, muitas famílias que antes dependiam destes programas para comercializarem seus produtos, agora se vem em uma situação ainda mais precária.

Portanto, é evidente que há uma grande necessidade de incentivar ainda mais a produção de alimentos de origem familiar, bem como valorizá-la adequadamente e promover a distribuição igualitária em todo o território nacional, através de políticas públicas, especialmente em um momento tão dramático da história, na qual a alimentação, uma das necessidades mais básicas para a sobrevivência humana, está sob ameaça.



Referências

http://www.fao.org/family-farming/detail/fr/c/1392789/

https://ojoioeotrigo.com.br/2021/01/preco-de-alimentos-2021/

http://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1391674/

https://ojoioeotrigo.com.br/2020/10/abastecendo-o-direito-a-alimentacao/

https://www.fnde.gov.br/index.php/programas/pnae/pnae-eixos-de-atuacao/pnae-agricultura-familiar

https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/agricultura-familiar/agricultura-familiar-1


quarta-feira, 19 de maio de 2021

Carne in vitro: seria este o futuro na produção de carnes?


FONTE: BeefPoint


Nas últimas décadas a produção de carne vem enfrentando alguns desafios, como o impacto ambiental, aumento na emissão de gases do efeito estufa (metano, dióxido de carbono e óxido nítrico) e a crescente pressão popular sobre o bem-estar animal. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), estima-se que a população mundial atinja a marca de 9 bilhões de pessoas em 2050, o que pode ocasionar em um aumento de até 73% na demanda mundial por carne. Com base em tais fatos, surge-se a necessidade de buscar tecnologias alternativas para aumentar a produção de proteínas de origem animal.


A carne artificial, carne de laboratório, carne in vitro ou também denominada de carne sintética, está cada vez mais perto de chegar aos mercados. Atualmente dezenas de empresas estão investindo no desenvolvimento deste tipo de carne, porém ainda é preciso resolver alguns problemas para que seja viável, como  tornar o produto atraente para o consumidor e verdadeiramente sustentável.


A produção de bacon desenvolvido pela Universidade de Bath na Inglaterra e de hambúrgueres pela Universidade de Maastricht na Holanda são alguns dos exemplos de projetos em andamento. Em estágio mais avançado tem-se os nuggets de frango in vitro produzidos pela startup americana Eat Just, que em dezembro de  2020 conseguiu autorização da Agência Alimentar de Singapura para a sua comercialização.


COMO É PRODUZIDA?


FONTE: Mosa Meat

Primeiramente através de biópsia é feita a retirada de células animais, em seguida são coletadas células-tronco musculares e colocadas em meio de cultura contendo fatores de crescimento e nutrientes para favorecer a multiplicação das células. Com o uso de reatores biológicos o crescimento é acelerado até que haja a aglutinação dessas células formando pequenos filamentos. Microtransportadores são introduzidos nas células cultivadas para que estas se desenvolvam em fibras musculares específicas e mais largas. 


Posteriormente as fibras formadas são unidas e misturadas a aditivos para adquirir consistência, sabor e cor característica, formando assim um pedaço de carne artificial. Todo o processo leva cerca de 21 dias.


A adição de aditivos é essencial para que haja adesão do consumidor. A carne in vitro possui coloração amarelada pela ausência de mioglobina, sendo feito o uso de corantes naturais como açafrão, caramelo e suco de beterraba. Já com relação a sabor e textura é preciso que outras células como de gordura e colágeno sejam desenvolvidas para que a complexidade da carne natural seja reproduzida.


Entenda melhor sobre o processo de produção no vídeo abaixo:




VANTAGENS


  • Atualmente a pecuária é responsável pela emissão de 14,5% de todas as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) segundo a FAO, sendo 65% destes advindo da criação de gado bovino. Em tese, a carne produzida em laboratório seria uma alternativa mais sustentável;

  • De acordo com estudo realizado pela Universidade de Oxford juntamente com a Universidade de Amsterdam, a produção de carne em laboratório representa uma redução de 82-96% no consumo de água comparada a produção convencional;

  • Embora alguns pesquisadores veem com desconfiança a não utilização de hormônios para a produção, as empresas envolvidas afirmam que seu uso não é necessário;

  • A carne in vitro evitaria os maus-tratos e o abate aos animais, uma vez que a indústria da carne frequentemente é alvo de denúncias por crueldade animal.


DESVANTAGENS


  • Com o alto custo de produção, a carne de laboratório ainda não é considerada economicamente viável, um exemplo é o nuggets de frango produzido pela Eat Just que foi anunciada inicialmente com um custo de US$50 por unidade. Porém a tendência é que o custo diminua conforme as pesquisas avancem e a produção aumente de escala;

  • Estudo da Universidade de Oxford aponta que a longo prazo a produção de carne artificial traria maior prejuízo ao meio ambiente do que a partir do gado. Isso seria devido ao gás metano, que mesmo tendo um impacto climático maior que o dióxido de carbono, ele não acumulativo ao longo do tempo, ficando por cerca de 12 anos na atmosfera, enquanto que o dióxido de carbono (emitido na produção da carne artificial) persiste por milênios;

  • A realização de biópsia nos animais para obtenção da células-tronco é alvo de debate pela comunidade vegana, que argumentam que o produto segue baseado em exploração animal;

  • Criação de subprodutos químicos prejudiciais ao meio ambiente;

  • Devido a alta taxa de replicação celular o desenvolvimento de células cancerígenas é favorecido.


A demanda por produtos alternativos a carne vem crescendo nos últimos anos, e a carne artificial tem se mostrado uma opção interessante nesse âmbito. Porém ainda há muitas discussões sobre se a carne artificial seria realmente saudável e sustentável, além de questões a serem trabalhadas como a aceitação do público e a certificação de segurança desse tipo de alimento.



REFERÊNCIAS:


Artigo: Carnes para o futuro: carne orgânica x carne artificial, uma revisão (UFMS)

O que é carne artificial? (ecycle.com.br)

Carne artificial: os cientistas britânicos que estão criando bacon em laboratório | Ciência e Saúde | G1 (globo.com)

Carne de laboratório é o futuro da alimentação? Entenda prós e contras - UOL ECOA

Carne artificial de frango é vendida pela 1ª vez no mundo em Cingapura - UOL Notícias

Carne cultivada em laboratório: o futuro da produção de carne? - Scot Consultoria

Vista do Carne artificial (unicamp.br)

Environmental Impacts of Cultured Meat Production | Environmental Science & Technology (acs.org)

Revista Galileu - NOTÍCIAS - A gordura é o próximo passo, diz criador da carne de laboratório (globo.com)

Bife de laboratório : Revista Pesquisa Fapesp


domingo, 16 de maio de 2021

Contaminação cruzada em serviços de alimentação e indústrias de alimentos

A Contaminação Cruzada é uma das principais causas das Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), colocando em risco a saúde e a vida dos consumidores, podendo ocorrer de forma grave, principalmente em idosos, crianças, gestantes e indivíduos imunossuprimidos. 

É definida como a transferência direta ou indireta de micro-organismos patogênicos (que podem causar doenças) desde um produto contaminado a um produto não contaminado. Essa transferência é baseada em uma fonte de contaminação, sendo as formas mais comuns através de manipuladores, utensílios e equipamentos. Ou seja, a contaminação por equipamentos e utensílios utilizados no preparo de um alimento contaminado, que sem o devido processo de higienização e desinfecção, são utilizados no preparo de outros alimentos, de origem ou estado diferentes (cru e cozido). Podendo ocorrer em várias etapas do processo de produção ou manipulação de alimentos.
Fonte: Google. 

Existem dois tipos de contaminação cruzada, a direta e a indireta. A contaminação direta ocorre de alimento para alimento; já a contaminação indireta ocorre por meio do contato com um utensílio ou uma superfície contaminada por algum alimento. 

A contaminação cruzada é de grande preocupação para as indústrias de alimentos e para o sistema de saúde pública, já que é uma das principais causas de ocorrência de surtos de doenças de origem alimentar. Deste modo, as indústrias de alimentos precisam seguir várias medidas exigidas por órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o intuito de evitar a contaminação alimentar. 

É de extrema importância a implantação das Boas Práticas de Higiene e Boas Práticas de Fabricação em uma indústria alimentícia, evitado assim a contaminação através da higienização correta das mãos dos manipuladores; dos alimentos; utensílios e equipamentos. Sendo necessário também um adequado processo de armazenamento dos alimentos, com a separação dos alimentos de origens diferentes (crus dos cozidos) e dando a devida atenção a fatores como a umidade e temperatura do local, que podem provocar a contaminação dos produtos.
Fonte: Google. 

Para evitar a multiplicação de agentes patogênicos é necessário o controle da temperatura dos alimentos armazenados. Deste modo, é preciso manter uma temperatura abaixo de 5°C para os produtos refrigerados, já os itens congelados devem permanecer em ambiente com temperatura inferior a -18°C.

É essencial adotar treinamentos com a equipe, garantindo assim uma correta manipulação dos alimentos, para que os produtos cheguem aos consumidores em condições próprias para consumo. Evitando assim, risco a saúde dos consumidores, além de desperdícios e prejuízos financeiros. 

Alguns tipos de falhas no processo que resultam na contaminação cruzada: 

• Falta de higienização das mãos dos manipuladores entre as manipulações 
• Utilização dos mesmos utensílios, como facas e tábuas, para a manipulação de alimentos crus e cozidos sem a correta higienização. 
• Manipular alimentos de origens diferentes na mesma bancada ao mesmo tempo. 
 • Armazenar alimentos de origens diferentes no mesmo vasilhame, ou no mesmo refrigerador sem as devidas separações. 
• Colocar alimentos crus ou cozidos em equipamentos sujos. 
• Manipular o lixo e não higienizar as mãos para manipular os alimentos. 
• Manipular dinheiro higienizar as mãos para manipular os alimentos. 


Referências Bibliográficas: 

https://consultoradealimentos.com.br/seguranca-alimentar/contaminacao-cruzada http://blogdasegurancaalimentar.volkdobrasil.com.br/contaminacao-cruzada-na-industria-de-alimentos/ http://www.posalimentos.ufv.br/wp-content/uploads/2015/05/Resumen-Semin%C3%A1rio-Angie-D.-Duque-R..pdf

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Alimentos integrais: Relação com a microbiota e RDC 493/2021


 

É de conhecimento comum que nossos hábitos alimentares afetam diretamente nossa saúde, porém uma descoberta relativamente recente é de que a microbiota, que nada mais é do que os microrganismos (como bactérias), não apenas colabora para a digestão e obtenção de nutrientes, mas também tem importante papel na produção de hormônios e até na imunidade. 

A saúde e equilíbrio desta microbiota depende de diversos fatores como genética, uso de medicamentos, mas abordaremos mais especificamente sobre os alimentos ou componentes como as fibras. 


As fibras são componentes extremamente importantes, apesar de não serem digeridos por nosso organismo servem como alimento para diversas bactérias benéficas de nossa microbiota. Além de atuar na saúde intestinal garantindo um melhor fluxo e consequentemente regularidade em relação as evacuações, atua também no controle do apetite. 


As fibras se dividem em dois principais tipos: solúveis, atuam absorvendo água e produzindo uma espécie de gelatina, que atua na absorção de nutrientes, enquanto o segundo tipo, as chamadas insolúveis, não sofrem qualquer modificação atuando na fluidez já citada acima. 


Diversos alimentos contêm fibras, como é o caso dos alimentos integrais, compostos essencialmente por cereais como trigo, aveia, arroz, chia e linhaça. 


O cerais diferentemente dos alimentos processados possuem a integralidade das partes dos cerais, sendo elas o gérmen, farelo e endosperma (este último é onde se encontra o amido, sendo utilizado apenas esta parte nos processados). 


Os alimentos integrais apresentam ainda além dos benefícios a microbiota diversos outros como: redução dos colesteróis, reduz níveis de açúcar no sangue, efeito protetivo nos dentes. ajudando no higiene bucal, atuam como fator preventivo em diversas patologias.


Tantos benefícios por sua vez levam a uma maior procura e adesão destes por parte da população, desta maneira torna-se necessário que haja normas relativas a tais produtos, neste contexto a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma nova resolução a RDC 493/2021, na qual fica estabelecido regras quanto a classificação dos alimentos à base de cerais, como os integrais ou do destaque para a sua presença no alimento. 


Sendo assim, de acordo com a nova RDC para que o alimento seja classificado como integral, deverá apresentar no mínimo 30% de ingredientes integrais e ainda a quantidade de ingredientes integrais contidos na fórmula deve ser mais do que a proporção dos refinados, e a palavra integral poderá ser posta no rótulo, desde que haja o percentual de cada ingrediente integral composto na fórmula, tais regras devem chegar aos mercados até abril de 2022.  

 

 

Referências