quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Produção de leite in vitro

 

Produção de leite in vitro 

Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), são estimados mais de 30% em emissão de gases poluentes provenientes da pecuária no mundo. Somente em 2016 os gases poluentes gerados no Brasil pela pecuária foram de  69% do total liberado naquele ano. Aliado a isso nos últimos anos o Brasil, teve um aumento no número de desmatamento de florestas, colaborando assim com 60% das emissões de poluentes.

Com objetivo de mudar essa realidade, deu-se início  a produção de leite de mamíferos em laboratório.


Somente a fabricação de leite colabora com 4% da emissão total de gases do efeito estufa, que o torna hoje ambientalmente inviável, pois a criação de bovinos emite 37% da emissão de metano no mundo e, os laticínios dependem de amplos recursos, como por exemplo, de água e terras.

Dessa maneira, com intuito de tornar esse meio mais verde, as indústrias estão criando tecnologias que irão colaborar de forma mais sustentável sem deixar de apresentar os produtos que consumimos.

Para isso ocorrer a Turtle Tree Labs (startup com sede em Cingapura) desenvolveu um projeto de criação de leite cru por meio de células,  esse processo é feito por meio da cultura de células mamárias in vitro que são incitadas a produzir leite em biorreatores. As células irão se aderir em canudos diminutos, pelo qual os líquidos então serão puxados, fazendo com que o leite saia pelo outro limite do canudo. 

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53897965

Os produtores estão empolgados com os resultados e as possibilidades futuras do leite gerado em laboratório. Até dado momento eles realizaram culturas de células de distintos mamíferos, como ovelhas, cabras, camelos e vacas, demonstrando assim um amplo leque de possibilidades. Há também empresas que desenvolvem trabalhos parecidos como a carne, trazendo assim novas técnicas de obtenção de recursos, diminuindo a emissão de gases poluentes e evitando os maus tratos aos animais e, consequentemente tendo um maior controle e uma maior qualidade com esses produtos, fazendo assim com que haja produtos de ótima qualidade no mercado e que a agropecuária se torne ambientalmente viável. 



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

EM PROPAGANDA COM LANCHE MOFADO, REDE DE FAST FOOD BURGER KING, ANUNCIA FIM DOS CONSERVANTES.

 

EM PROPAGANDA COM LANCHE MOFADO, REDE DE FAST FOOD BURGER KING, ANUNCIA FIM DOS CONSERVANTES.

Rede de sanduíches está, aos poucos, abandonando conservantes artificiais em suas franquias por todo o mundo e afirma que essa é a beleza da comida real; ela apodrece.


Restaurantes de fast-food estão longe de serem considerados saudáveis. Hoje, a maioria dos jovens, evitam esses locais. Pesquisas apontam que, ao mesmo tempo em que buscam uma alimentação rápida, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o conteúdo nutricional de sua refeição e o efeito que ela terá em sua saúde.

Por conta disso, essas redes estão tendo que se adaptar para responder à demanda do público. Como ação à isso, o Burger King lançou globalmente uma nova campanha publicitária em que apresenta o hambúguer Whopper, seu sanduíche mais famoso, coberto de mofo e em decomposição.  A proposta é anunciar que, ainda este ano, a rede de fast food vai colocar no cardápio o lanche sem corantes, sem aditivos e com uma receita livre de conservantes artificiais.

A mudança chegou agora ao Brasil. A campanha com um comercial de televisão, mostra um lanche Whopper normal apodrecendo ao longo de 34 dias, ao som da música “Tudo passará”, de Nelson Ned. No vídeo, o sanduíche é colocado em um pedestal e à frente de um fundo preto. Mãos se reúnem para montar o Whopper e uma aceleração do vídeo mostra como partes, como o pão e a alface, murcham enquanto o queijo e a carne ficam esverdeados pelo mofo. 

No vídeo intitulado “Nada além do Whopper”, o lanche é chamado de “comida de verdade”, e os fungos acompanham o slogan “A beleza de não ter conservantes de origem artificial. Então agora, o principal lanche do Burger King passará a mofar, algo considerado extremamente positivo pelos administradores do Burger King. “A beleza da comida real é que ela fica feia”, afirma Ariel Grunkraut, vice-presidente de marketing e vendas do Burger King no Brasil. De acordo com a empresa, 70% de seus produtos não possuem ingredientes artificiais. A meta é chegar aos 100% até o final do ano que vem, em todos os seus produtos. Estima-se que, com as mudanças, a empresa deve tirar do mercado 277 toneladas de conservantes artificiais. 

Link: https://youtu.be/uVigj5YYnmk



Influencia do marketing no mercado

O McDonald’s, outra grande rede fast foods, não ficou para trás e, no mesmo dia, anunciou a retirada de corantes e aromatizantes artificiais dos seus produtos. Em 2018, a rede já havia começado a mudar suas receitas, retirando aditivos de todos os restaurantes americanos. No Brasil, esse primeiro corte será feito nos produtos Mix de Baunilha, Molho Big Mac, Molho Ranch, Mostarda, Queijo Cheddar (em fatia) e Molho Barbecue. 

Em 2019, um vídeo que apresentava um combo de hambúrguer e batata frita da empresa viralizou na internet após ter ficado guardado durante mais de dez anos sem mofar. Essa história teve inicio em 2009, após um morador comprar e guardar sem comer, um lanche de um restaurante da rede, na Islândia, que estava prestes a fechar. Então, os produtos armazenado e exposto em diversos lugares. Foi feito até uma transmissão online de demonstração.  Na época, o McDonald’s negou todos os boatos de que seus produtos teriam excesso de conservantes e alegou que o hambúrguer não se deteriorava devido à falta de umidade no alimento e no ambiente, o que impedia a proliferação de fungos e bactérias.

 


Dificuldade para mudança

Apesar de haver um limite de aditivos alimentares considerado seguro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), nenhuma rede de fast-food brasileira jamais foi acusada por uso irregular de tais ingredientes.

A dificuldade para essas mudanças está em encontrar fornecedores que lidem com os produtos frescos. Além de precisar mudar as embalagens, para que não haja risco de contaminação, os produtos também devem durar menos nas prateleiras, sendo necessário alterar os lotes de compras.  “Se fosse fácil, todos já teriam feito”, afirma Fernando Machado, CMO global do Burger King. “Tem um impacto de logística, pois o pão vai durar menos da metade do tempo na prateleira, tem ainda o desafio de preparar os fornecedores para que consigam entregar os produtos. Quando as coisas têm conservantes, é muito mais fácil.”



Fontes:

https://super.abril.com.br/comportamento/burger-king-apresenta-nova-propaganda-com-whopper-mofado/

https://veja.abril.com.br/blog/radar-economico/o-lanche-do-burger-king-agora-mofa-e-isso-e-bom/

https://www.youtube.com/watch?v=uVigj5YYnmk&feature=youtu.be

Nova RDC e Instrução Normativa da ANVISA entrará em vigor

     Atualmente, indústrias e empresas alimentícias seguem uma Resolução da Diretoria Colegiada no. 12 de 02 de Janeiro de 2001, a qual estabelece os padrões microbiológicos e sanitários para os alimentos.

FONTE: Google Imagens

        Porém em 26 de Dezembro de 2019, foi publicada no Diário Oficial da União uma nova Resolução, a RDC no. 331, responsável por atualizar a RDC de 2001. Nela ainda, foi definido um prazo de 12 meses para que as novas regras entrem em vigor e, até lá, os produtos deverão adotar os padrões microbiológicos estabelecidos ainda pela RDC nº 12/2001 até o final do seu vencimento, ou seja, a Resolução 331 entrará em vigor em 26 de Dezembro de 2020. Além disso, também foi publicada a Instrução Normativa no. 60 no dia 23 de dezembro de 2019, a qual estabelece as listas de padrões microbiológicos para alimentos.
        Dentre algumas novidades, está o Artigo 6, que estabelece que a indústria é responsável para se adequar aos processos e determinar a frequência das análises do produto final. Outra novidade é que se devem investigar as possíveis causas de contaminantes microbiológicos no seu plano analítico, especificando os resultados satisfatórios com qualidade intermediária e resultados insatisfatórios com qualidade inaceitável.

FONTE: Google Imagens

    Também ocorrerão mudanças nos testes microbiológicos a fim de atender metas internacionais. Dentre eles estão o controle de histamina de 9 amostras, nenhuma pode ser maior do que 200 ppm, mas apenas é feito esse controle para peixes que contenham um alto teor de histidina. Já os testes de Coliformes a 45ºC foram substituídos por Escherichia coli; Carnes de aves agora deverão realizar testes para Salmonella tiphimurium e S. enteritidis com resultado de ausência. Listeria monocytogenes para alimentos prontos para consumo com n=5 agora pode ter até 100 UFC. Listeria para lactantes deve ser ausente e, para os demais alimentos poderá conter até 100 UFC/g. Também se faz necessário o controle de enterotoxina com padrão de 1 nanograma/1g de alimento.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

https://foodsafetybrazil.org/rdc-331-2019-e-in-60-2019-faltando-6-meses-para-entra-em-vigor-sua-empresa-ja-se-preparou/

http://www.vigilanciasanitaria.sc.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/149-noticias/noticias-2020/1112-reali-noticia-n-04-2020-publicadas-a-rdc-331-2019-e-a-instrucao-normativa-60-2019-sobre-padroes-microbiologicos-para-alimentos

https://pet.agro.ufg.br/n/124569-resolucao-da-diretoria-colegiada-n-331-2019-e-a-instrucao-normativa-n-60-2019-para-substituir-a-resolucao-da-diretoria-colegiada-n-12-2001

http://www.unirio.br/ib/dmp/nutricao-integral/legislacao/Resolucao%20RDC%20ANVISA%2012%20-%202001%20-Padroes%20Microbiologicos%20de%20Alimentos.pdf/view

https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-n-60-de-23-de-dezembro-de-2019-235332356

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

ANVISA aprova nova rotulagem para alimentos

            Na semana passada (07/10) a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a nova norma sobre rotulagem nutricional de alimentos embalados. Esta medida tem como objetivo aumentar a clareza e a legibilidade das informações nutricionais presentes nos rótulos dos produtos e visa ainda auxiliar o consumidor a realizar escolhas conscientes.

“Com a nova regra, os consumidores terão mais facilidade para comparar os alimentos e decidir o que consumir. Além disso, pretende-se reduzir situações que geram engano quanto à composição nutricional”, destaca Thalita Lima, gerente geral de Alimentos da Agência.

A principal mudança está na rotulagem nutricional frontal, uma simbologia que trará informações na parte da frente dos produtos. Além desta, outras mudanças acontecerão:

Rotulagem nutricional frontal  

Considerada a maior inovação da norma, a rotulagem nutricional frontal é um símbolo informativo na parte da frente do produto. A ideia é esclarecer o consumidor, de forma clara e simples, sobre o alto conteúdo de nutrientes que têm relevância para a saúde.    

Para tal, foi desenvolvido um design de lupa para identificar o alto teor de três nutrientes: açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio. O símbolo deverá ser aplicado na frente do produto, na parte superior, por ser uma área facilmente capturada pelo nosso olhar. Confira os modelos:    


Tabela de Informação Nutricional     

Já conhecida pelos consumidores brasileiros, a Tabela de Informação Nutricional passará por mudanças significativas. A primeira delas é que a tabela passa a ter apenas letras pretas e fundo branco. O objetivo é afastar a possibilidade de uso de contrates que atrapalhem na legibilidade das informações.    

Outra alteração será nas informações disponibilizadas na tabela. Passará a ser obrigatória a identificação de açúcares totais e adicionais, a declaração do valor energético e nutricional por 100 g ou 100 ml, para ajudar na comparação de produtos, e o número de porções por embalagem.    


 
      Além disso, a tabela deverá ficar, em regra, próxima da lista de ingredientes e em superfície contínua, não sendo aceitas quebras. Ela não poderá ser apresentada em áreas encobertas, locais deformados ou regiões de difícil visualização. A exceção fica para os produtos pequenos (área de rotulagem inferior a 100 cm²), em que a tabela poderá ser apresentada em áreas encobertas, desde que acessíveis.     

Alegações  

Foram propostas ainda alterações nas regras atuais para a declaração das alegações nutricionais, com o objetivo de evitar contradições com a rotulagem nutricional frontal. Confira as orientações:    


Prazos    

É importante esclarecer que a nova regra será publicada nos próximos dias no Diário Oficial da União (D.O.U.), por meio de uma Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) e de uma Instrução Normativa (IN). A norma entrará em vigor 24 meses após a sua publicação. 

Os produtos que se encontrarem no mercado na data da entrada da norma em vigor terão, ainda, um prazo de adequação de 12 meses. 

No entanto, os produtos que forem destinados exclusivamente ao processamento industrial ou aos serviços de alimentação deverão estar adequados já a partir da entrada em vigor do regulamento, de forma a garantir que os fabricantes tenham acesso às informações nutricionais das matérias-primas e ingredientes alimentares utilizados em seus produtos. 

Os alimentos fabricados por empresas de pequeno porte, como agricultores familiares e microempreendedores, também possuem um prazo de adequação, mas de 24 meses após a entrada em vigor, totalizando 48 meses no total. Para as bebidas não alcoólicas em embalagens retornáveis, a adequação não pode exceder 36 meses após a entrada em vigor da resolução.

Ressalta-se que os produtos fabricados até o final do prazo de adequação poderão ser comercializados até o fim do seu prazo de validade. 

Como os regulamentos se aplicam a praticamente todos os alimentos embalados, os prazos acima são necessários e adequados para as empresas de alimentos realizarem os ajustes em seus produtos, bem como para o setor público organizar ações orientativas e educativas, além de estruturar a fiscalização. 

“O objetivo dessa norma não é impor nenhuma escolha. É possibilitar a compreensão, respeitando a liberdade de escolha de todas as pessoas que vivem no nosso território”, ressalta a diretora relatora Alessandra Bastos, da Diretoria Colegiada da Anvisa.

Fontes:

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/aprovada-norma-sobre-rotulagem-nutriciona

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/anvisa-aprova-nova-norma-para-os-r%C3%B3tulos-de-alimentos-1.495060

Legislação Rotulagem Nutricional de Alimentos (Proposta de RDC e IN)

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Bactérias da folha da laranja são capazes de degradar pesticidas

       

        O uso indiscriminado de agrotóxicos gera uma série de impactos ao meio ambiente. Dependendo da forma como são aplicados e da dose empregada nas plantações , os produtos podem gerar uma acumulação no solo, nos rios ou nas próprias hortaliças, afetando insetos que vivem no local, como as abelhas, além de poluir os recursos hídricos . Os riscos também atingem as pessoas, que possam tanto se intoxicar pela exposição aos agroquímicos quanto se intoxicar pelo consumo de alimentos contaminados.

        O desenvolvimento econômico brasileiro está voltado principalmente para as atividades agrícolas, cenário que contribui para o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pelo Censo Agropecuário de 2017, entre 2006 e 2017 o Brasil registrou um aumento de 20% no número de propriedades rurais que utilizam os produtos químicos.


FONTE: Google Imagens

        Encontrar alternativas para solucionar esse problema e eliminar esses compostos depositados na natureza foi o que motivou pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo a estudarem bactérias do gênero Bacillus que foram extraídas da superfície das folhas da laranja. Depois dos testes, eles descobriram que esses determinados microrganismos produzem enzimas que são capazes de biodegradar dois pesticidas muito utilizados na agricultura brasileira: a Bifentrina e o Fipronil.

        Banidos na União Europeia, tanto a Bifentrina como o Fipronil são empregados no Brasil como inseticida e formicida em diversos tipos de plantações, como por exemplo, plantações de tomate, batata, milho, arroz, soja, entre outras. Além de sua aplicação no campo, o Fipronil também é utilizado para matar pulgas e carrapatos em cães, podendo até gerar riscos aos próprios animais caso seja administrado de maneira incorreta. Em abelhas, os dois produtos são capazes de atingir o sistema nervoso e levá-las à morte, acarretando problemas não só para nós, que perderíamos uma população de insetos responsável pela polinização de flores que produzem diversos tipos de alimentos, mas também para a economia.

        A hipótese dos cientistas para estudar essas bactérias é que eles acreditavam que elas conseguissem degradar os agrotóxicos, visto que tais microrganismos habitam o mesmo ambiente onde os produtos químicos são aplicados e ainda conseguem se manter vivas.

        Para comprovar tal teoria, os cientistas realizaram inúmeros testes no Laboratório de Química Orgânica e Biocatálise do Instituto de Química de São Carlos - USP. Um desses experimentos, diversas espécies de Bacillus extraídas de folhas de laranja de uma plantação em Tabatinga, interior de São Paulo, foram colocadas em frascos que continham pequenas amostras dos agroquímicos. Após cinco dias, alguns resultados chamaram a atenção: a bactéria Bacillus amyloliquefaciens conseguiu biodegradar 93% do Fipronil, enquanto a bactéria Bacillus pseudomycoides eliminou 88% da Bifentrina.

Bactéria Bacillus
FONTE: Google Imagens

        A pesquisadora Juliana G. Viana, autora desse trabalho, o qual foi financiado pela FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, também testou como seria o desempenho de grupos de bactérias do gênero Bacillus atuando juntas contra os agrotóxicos. O resultado mostrou que oito linhagens dos microrganismos de diferentes espécies foram colocadas para reagir com os produtos químicos e alcançaram uma degradação de 81% do Fipronil e de 51% da Bifentrina.

        “Elas promoveram reações de biodegradação dos pesticidas, mostrando potencial para eliminar tais agentes tóxicos lançados no meio ambiente.” afirma Juliana G. Viana. E segundo o professor André Luiz M. Porto, o qual orientou o trabalho, quando as bactérias estão em conjunto, pode haver competição por espaço e nutrientes, o que pode fazer com que aconteça um “desvio de foco” do combate aos pesticidas. Isso de certa forma justificaria a taxa de biodegradação ser um pouco inferior ou mais lenta nos testes com bactérias trabalhando em equipe.

André Luiz M. Porto e Juliana G. Viana
FOTO: Henrique Fontes


        Segundo eles, as bactérias estudadas no instituto têm um enorme potencial para serem utilizadas por agricultores na eliminação dos resquícios de agrotóxicos que sobram nas plantações, e também para evitar a contaminação de outros seres vivos e dos recursos naturais.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

https://jornal.usp.br/ciencias/bacterias-da-folha-da-laranja-podem-reduzir-impacto-de-agrotoxicos-na-natureza/

http://www5.iqsc.usp.br/2020/bacterias-da-folha-da-laranja-podem-reduzir-impacto-de-agrotoxicos-na-natureza/

https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2020/09/06/bacterias-da-laranja-podem-reduzir-impacto-de-agrotoxicos-segundo-estudo-da-usp-sao-carlos.ghtml


quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Desconhecimento da presença de açúcar em alimentos, você realmente sabe o que está comendo?

 

Desconhecimento da presença de açúcar em alimentos, você realmente sabe o que está comendo?

 

Em pesquisa encomendada pela WWVigilantes do Peso em parceria com a Opinion Box revelou que 37%dos brasileiros não reconhecem a presença de açúcar em determinados alimentos e acaba ultrapassando o consumo diário recomendado pela OMS.

 

Fonte: Aditivos e ingredientes

Recomendações da OMS

 

Em 4 de setembro de 2015 a Organização mundial da saúde lançou um novo guia com as recomendações de consumo de açúcar para adultos e crianças. Atualmente a recomendação é que o consumo diário não ultrapasse 10% das calorias ingeridas diariamente, considerando uma dieta saudável, um consumo de açúcar reduzido próximo a 5% das calorias ingeridas (aproximadamente 25 g/dia) pode acarretar em maiores benefícios.

O açúcar total consumido é composto tanto pelo açúcar comum de mesa quanto o açúcar acrescido ao preparo de alimentos e alimentos ultraprocessados.

Grande parte do açúcar consumido pela população brasileira está mascarado, em alimentos ultraprocessados, como refeições de fast-food, tempero, refrigerantes sucos industrializados.

 

Sobre o estudo

 

O levantamento foi realizado com mais de 1000 pessoas com idades entre 18 e 50 anos em todas as regiões do Brasil. 85% dos participantes mostraram estar cientes sobre as recomendações da OMS, porém boa parte demostrou não saber quais alimentos continham açúcar em sua composição, pois apenas 25% dos participantes tinha o hábito de ler os rótulos e tabelas nutricionais.

 

O conhecimento sobre a presença do açúcar se restringe ainda mais uma vez que as indústrias brasileiras não tem obrigatoriedade em reportar se o açúcar está presente em seus produtos ou não e muitas vezes este pode estar camuflado com outros nomes tais como, sacarose, maltodextrina, glucose, xarope de milho, que nada mais são do que açúcar, e que a maioria da população desconhece por estes termos.

 

Fonte: Saúde da saúde


Cerca de 93% dos participantes reconheceram a presença de açúcar em bolos e tornas, porém apenas 45% reconheceram a presença em macarrão e demais massas. Os carboidratos comuns tiveram as maiores taxas de consumo semanal (52%) ao lado de produtos como doces e biscoitos (53%).

 

A pesquisa ainda demonstrou que na atual situação que vivemos nesta pandemia, com o isolamento social, os hábitos alimentares pioraram para 43% dos participantes, e a preferência por alimentos com concentrações elevadas de açucares como doces, pães e carnes aumentaram o consumo de chocolates, bolos, tortas e bebidas alcoólicas também aumentaram muito, uma vez que estes alimentos estão associados a sensação de felicidade e conforto, e apenas 14% dos participantes afirmaram que não houve aumento no consumo destes alimentos durante esse período.

 

O consumo desregrado do açúcar pode colaborar para o aparecimento de patologias que podem se desenvolver de maneira rápida ou em um longo prazo. Cerca de 91% dos pacientes tinham consciência de que o consumo excessivo de açúcar poderia potencializar o aparecimento de Diabetes enquanto 80% viam como principal problema a obesidade e 71% o aparecimento de cáries dentarias.

 

A ingestão excessiva de açúcar pode resultar apenas não em diabetes, que é uma patologia seguida por diversas complicações secundarias, porém doenças cardíacas, aumento nos níveis de colesterol, indisposição, dificuldade de concentração e aparecimento de acne podem ser sintomas do consumo excessivo de açúcar.

 

Tendo em vistas esses problemas que podem surgir devido ao consumo excessivo de açúcar, vale apena adotar hábitos mais saudáveis para um vida toda, e também é sempre bom lembrar que devemos ficar de olho nos rótulos de alimentos e tabelas nutricionais, pois o açúcar pode estar escondido atrás de um nome bonito.

 

Referências bibliográficas:

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2020/09/4878416-pesquisa-revela-que-brasileiro-desconhece-presenca-do-acucar-nos-alimentos.html

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=4783:oms-recomenda-que-os-paises-reduzam-o-consumo-de-acucar-entre-adultos-e-criancas&Itemid=820#:~:text=A%20recomenda%C3%A7%C3%A3o%20atual%20%C3%A9%20de,25g%20de%20a%C3%A7%C3%BAcar%20por%20dia).

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Os Principais Métodos de Conservação

1-                  Métodos de Conservação por Calor

-Pasteurização

Os tratamentos térmicos empregados como método de conservação contribuem na eliminação das cargas microbiológias dos alimentos. A pasteurização é uma metodologia de conservação criada no ano em 1864 por Louis Pasteur e está entre os métodos mais conhecidos de conservação com calor. É um tratamento térmico brando, no qual o alimento é aquecido a temperaturas inferiores a 100 ºC.  A pasteurização é recomendada para alimentos sensíveis ao calor, como ovos, leites, sucos e cervejas.

A técnica pode ser de duas formas: a Pasteurização lenta e a Pasteurização rápida. A Pasteurização lenta (LTLT) utiliza baixa temperatura (normalmente 63 ºC) a longo tempo (30 minutos). Essa técnica é apropriada para volumes baixos de produto. Já na Pasteurização rápida (HTST), as temperaturas são mais altas (normalmente 72ºC), em um tempo mais reduzido (15 segundos). Esse processo utiliza pasteurizadores com placas de trocadores de calor.

Fonte: Google

- Esterilização

 O método de esterilização utiliza autoclaves, levando a destruição de microrganismos patogênicos e/ou deterioradores de alimentos, tornando-se estéreis. A temperatura do método de esterilização deve ultrapassar 100 ºC, destruindo tanto as formas esporuladas dos microrganismos, como, células vegetativas (toxinas).

Os dois tipos de esterilização são: convencional e comercial. A comercial é mais utilizada nas indústrias, pois tem eficiência de 99,99% na destruição de microrganismos e não danifica o alimento, mantendo suas características organolépticas. Infelizmente, por necessitar de autoclaves, a esterilização é considerada uma técnica cara pelas indústrias.

Fonte: Google

-Branqueamento

O método de branqueamento é um tratamento mais brando e utilizado em sinergia ao resfriamento. Essa técnica utiliza temperaturas entre 70 e 100 ºC, por 1 a 5 minutos, com posterior resfriamento para evitar que o produto permaneça em temperatura elevada. Esse método é empregado em frutas e hortaliças, objetivando a inativação de enzimas naturais presentes nesses alimentos.

Fonte: Google

2-             Métodos de Conservação por Desidratação e/ou Secagem

É uma técnica de remoção de água do alimento para prolongar sua vida útil. Esse processo de conservação visa à desidratação do alimento, realizado sob umidade atmosférica e temperatura controladas, sendo classificados como método de secagem natural e método de secagem artificial.

O método natural ou ao sol pode causar contaminação ao alimento, deste modo a secagem artificial é a mais recomendada, pois, utiliza estufas de secagem, controlando assim as condições extrínsecas, priorizando a qualidade do alimento e sua conservação.

-Métodos de Conservação por Salga

A salga é um dos processos mais antigo de conservação. Esse processo amplia a estabilidade microbiológica, química e bioquímica de alimentos e colabora no acréscimo de características sensoriais.

  • Salga seca: o cloreto de sódio é inserido diretamente ao produto. Esse método é utilizado para peixes salgados, como sardinhas, bacalhau e camarões. O cloreto de sódio penetra no alimento, fazendo com que a água ali presente seja “expulsa” por osmose. O tempo médio de duração desse processo é de 3 a 15 dias, dependendo do tamanho e do tipo de alimento que está sendo desidratado. O ideal é fazer uma desidratação que atinja valores de umidade inferiores a 50% e manter uma sinergia com outro método de conservação, como a refrigeração.
  • Salga úmida: esse método é bastante difundido em laticínios, no processo de salmoura. O queijo é submerso em uma solução salina de cloreto de sódio, visando à sua desidratação e à manutenção do sabor ao alimento. É utilizado em alimentos ricos em ácidos graxos, como peixes gordos, pois o processo inibe a oxidação lipídica. Em sinergia a essa técnica, pode-se utilizar o método de defumação, enlatamento e secagem.
  • Salga mista: essa técnica, utiliza as duas outras técnicas em conjunto (seca e úmida). O ideal é que o alimento submetido à salga seca fique disposto em telas, para que, assim, a água escorra e não deixe o alimento submerso.
Fonte: Google

3-             Métodos de conservação por frio

O método a frio está baseado na inibição total ou parcial das ações metabólicas dos microrganismos que alteram os alimentos. Todavia a atividade enzimática e microbiana não é evitada, apenas retardada. Nas técnicas de refrigeração, as temperaturas podem variar de 0 a 10 ºC, dependendo do tipo de alimento:

  1. alimentos perecíveis: temperatura de até 10ºC;
  2. vegetais e frutas: entre 9 e 10ºC;
  3. laticínios e ovos: entre 3 e 8ºC.

O congelamento é considerado um dos métodos mais eficientes para a conservação dos alimentos em longo prazo, visto que mantém as características intrínsecas e extrínsecas dos alimentos, utilizam temperaturas abaixo de 0 ºC (varia entre -10 e -40 ºC). As vantagens do congelamento estão aliadas à inativação das reações enzimáticas e à imobilização da água, que condicionam o desenvolvimento de microrganismos.

Sendo classificado como rápido ou lento. O congelamento lento, o processo é mais demorado (3 a 12 horas), a temperatura inicial do alimento vai decrescendo gradativamente até o momento em que atinge a temperatura desejada. A desvantagem desse método é a formação de grandes cristais de gelo no interior do produto que podem vir a danificar as células e causar reações não favoráveis. Já no método de congelamento rápido, as temperaturas são diminuídas bruscamente, de modo que os cristais de gelo são menores em comparação aos cristais de gelo formados pelo método lento. Esse efeito é mais eficiente, pois não compromete as paredes celulares do produto.

4-             Outros tipos de métodos de conservação

-Defumação

A técnica de defumação utiliza fumaça, dentre elas, os compostos aldeído, álcoois, cetonas, ácidos alifáticos, ésteres, benzóis e fenóis. Podemos citar como exemplo mortadelas defumadas, salames e queijos. Além de trazer sabor ao alimento, também é utilizada como método de conservação. O alimento que entra em contato com a fumaça quente, posteriormente irá perder umidade que, por consequência, retarda o desenvolvimento de microrganismos. A técnica deve ser utilizada em sinergia com outros métodos, como, por exemplo, a cura para produtos cárneos. Não sendo efetiva na inibição de mofos e bolores, porém tem eficiência em várias cepas de bactérias.

Fonte: Google

-Aditivos químicos (conservantes químicos)

De acordo com a Anvisa, Portaria SVS/MS 540, de 27/10/97, todo produto ou substância adicionado em um alimento visando fazer alguma modificação que não seja de nutrição é considerado como aditivo alimentar. Essas substâncias podem causar modificações químicas, físicas, biológicas ou sensoriais nos alimentos, com o intuito de aumentar a vida útil do alimento, estabilização ou acondicionamento.

Deve-se levar em consideração as características intrínsecas dos alimentos que irão receber um aditivo químico, como analisar pH, acidez, Aw, entre outros, uma vez que, dependendo da natureza do aditivo, esse pode causar uma reação indesejada no alimento. Exemplificando, os emulsificantes devem ser utilizados em alimentos que possuem uma umidade mínima para ter a ação esperada. Nem todos de aditivos podem ser utilizados em qualquer tipo de alimento, deve-se fazer uma análise prévia. Podemos citar, como exemplo de aditivos químicos, antioxidantes, estabilizantes, conservantes, corantes e edulcorantes.

-Irradiação

A irradiação de alimentos é derivada de radiações ionizantes que, ao entrar em contato com a matéria, acaba ionizando a mesma. São utilizadas partículas de raios alfa e beta e ondas eletromagnéticas. O objetivo de se utilizar o método de irradiação é destruir microrganismos e algumas enzimas indesejadas, porém doses em excesso podem afetar as características dos alimentos, como desnaturar proteínas e afetar estrutura de carboidratos e vitaminas.

A quantidade de irradiação em um alimento para se ter uma eficiência de conservação vai variar de acordo com sua composição bioquímica. Alimentos ricos em água, normalmente utilizam doses menores, pois há uma variação de sensibilidade aos raios ionizantes. A irradiação em alimentos não é maléfica à saúde, desde que se respeite a dosagem prevista pela legislação.

Um outro exemplo de utilização de radiação é o método de conservação por micro-ondas, que é uma técnica que utiliza dosagens de ondas térmicas de forma coerente, acabando por esterilizar o alimento. Para esse tipo de método, não é necessário fazer um tratamento prévio com outros tipos de técnicas de conservação, e o tempo que o alimento fica exposto às ondas é relativamente curto. Esse método é muito visado por ambientalistas, por ser considerado uma “tecnologia verde”, ou seja, que não agride o meio ambiente, por não ter resíduos químicos, físicos ou biólogos no meio.

Referências:

ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria SVS/MS 540, de 27/10/97. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/417403/PORTARIA_540_1997.pdf/25cbd1e0-ecf3-4cc3-8039-ba460182e4d9>.

Ciência e Tecnologia de Alimentos. Barueri, SP: Editora Manole, 2015.

Conservação de Alimentos. Programa Escola Técnica Aberta do Brasil (ETEC – Brasil), 2010.

Dossiê Técnico: Conservação de alimento. Belo Horizonte: Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais CETEC, 2017.

Princípios de tecnologia de alimentos. 7. ed. São Paulo: Nobel, 2010.

Técnica Dietética: Seleção e preparo de alimentos. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2001.