segunda-feira, 10 de abril de 2017

Saiba mais sobre o Aspergillus e os problemas causados por ele



O Aspergillus é um gênero de fungos que apresenta coloração branca amarelada com formação de pedúnculos e uma ponta colorida. São importantes agentes decompositores de alimentos. Existem mais de 200 espécies encontradas na natureza. O Aspergillus foi catalogado em 1729, pelo padre italiano e biólogo Pietro Antônio Micheli. Observando o fungo no microscópio, Micheli lembrou-se da forma de um aspergillum (borrifador de água santa), e nomeou a espécie de acordo com o objeto.
                               

Patologia, sinais e sintomas da doença 
As substâncias denominadas aflatoxinas são produzidas por espécies de fungos, essencialmente por Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus.
A aflatoxina tem recebido grande atenção em comparação com as demais micotoxinas, devido aos efeitos carcinogênicos que podem provocar em animais e o efeito agudo tóxico em seres humanos. As aflatoxinas
representam o grupo de micotoxinas com mais resultados positivos em alimentos já relatados.
A contaminação e a deterioração dos alimentos causados por fungos são mais comuns que as originadas por qualquer outro grupo de microrganismos. A contaminação por fungos é importante não apenas sob o ponto de vista sensorial, mas também pelo perigo que a produção de micotoxinas representa para o consumidor.
Cerca de 16 a 20 espécies podem infectar o homem causando Aspergilose, sendo as mais comuns A. fumigatus, A. flavus e A. niger. As manifestações clínicas vão desde reações de hipersensibilidade (aspergilose alérgica) até formas pulmonares e cerebrais (aspergiloma ou bola fúngica).
Alimentos ou situações mais envolvidas
Os fungos podem promover prejuízos significativos aos alimentos. Quando presentes em sementes ocasionam perda do poder germinativo. No arroz e na manteiga de cacau afetam a qualidade, promovendo descoloração, e no café produzem aromas desagradáveis. Podem, ainda, alterar as condições físicas dos produtos, reduzir o valor nutritivo, alterar o aspecto externo, produzir aflatoxinas e favorecer a ação de outros agentes de deterioração, como leveduras, bactérias e insetos.
Em termos de maior e menor susceptibilidade, a contaminação dos alimentos por fungos, tendo em vista sua natureza, composição e uso, ocorre na seguinte ordem: cereais, subprodutos de cereais(essencialmente o trigo), subprodutos de matadouros de aves, farinhas de alfafa, mandioca, soja integral, girassol integral, algodão, farinha de soja, farinha de girassol, glúten de arroz e outros.
Curiosidade e Atualidade
A Anvisa publicou no dia 10/04/2017 em seu portal a  proibição de um lote do amendoim da marca Produtos Paulista, pois o produto apresentou alto teor de  aflatoxinas, produzidas por fungos da espécie Aspergillus. A legislação brasileira define um limite máximo tolerado em quantidades que não prejudique a saúde humana, pois seu acúmulo no organismo pode levar ao aparecimento de câncer após alguns anos.



Prevenir a contaminação pelo fungo Aspergillus sp continua sendo a melhor medida para evitar a presença de aflatoxina em alimentos e garantir a segurança alimentar. Deve haver a prevenção do desenvolvimento desses fungos em grãos e outros vegetais, com base, principalmente na secagem rápida desses alimentos, seguida de armazenamento com condições controladas de umidade relativa do ambiente. Já que umidade e temperatura elevada favorece o crescimento desse fungo. Portanto, a melhor medida preventiva é evitar a contaminação pelo Aspergillus sp.
Referência:

terça-feira, 4 de abril de 2017

Higiene no preparo de alimentos evita contaminação por Salmonella

A Salmonella spp. é uma bactéria entérica responsável por graves intoxicações alimentares que vem provocando surtos em vários países. A contaminação do paciente se dá principalmente através da ingestão de alimentos portadores desta bactéria, por água imprópria para o consumo, ou pela falta de higiene de quem manipula esses alimentos. Com o organismo do paciente contaminado, a aparição de sintomas é imediata, podendo provocar diarreia, vômito e náuseas intensas. 
O patógeno pode estar presente em vários alimentos de alto consumo como ovos e frangos. Por isso, se mal preparados, mal cozidos ou manipulados indevidamente por pessoas que não façam a higiene adequada das mãos, estes alimentos se tornam riscos potenciais à saúde de quem os consumir.

Uma vez que os sintomas se apresentem, o paciente deve ser conduzido ao médico para que se faça a detecção da doença. A diagnose é feita através de um exame de fezes. Se apresentar infecção no exame realizado é importante avaliar a necessidade de intervir com antibióticos e soros para repor o líquido perdido (caso seja em grande quantidade) através da diarreia, os sintomas e a própria infecção duram de 4 a 7 dias. De resto não há outros métodos ou medicamentos neste período de convalescença, apenas a recuperação normal do organismo do paciente.
Para evitar intoxicações alimentares, a higienização dos alimentos é muito importante no nosso dia a dia.

Confira algumas dicas de como realizar essa higienização de forma natural e fácil:

A preparação dos alimentos antes da higienização
Coloque vegetais e verduras em recipientes limpo e deixe-os na geladeira por aproximadamente duas horas. Esse procedimento é imprescindível para o começo do processo de higienização por que os vegetais absorvem qualquer bactéria e contaminação do ambiente que estão se forem colocados em contato com água da mesma temperatura que eles. Por isso, coloque-os ainda frios em um recipiente com água em temperatura ambiente ou morna.

Higienização com vinagre                                                                       
Coloque duas colheres (sopa) de vinagre para cada 1 litro de água filtrada. Depois disso, deixe as verduras e frutas mergulhadas nessa mistura por aproximadamente 30 minutos. O vinagre não irá matar aquelas larvas que sempre estão nas verduras, mas faz com que elas se soltem das folhas com mais facilidade.

Higienização com limão
Já o limão também é muito utilizado para eliminar qualquer tipo de bactérias de saladas e frutas. Para isso basta cortar 1 limão inteiro em 4 partes, espremer bem para retirar todo o suco e colocar em uma bacia com 1 litro de água. Para alimentos delicados como alface, deixe agir por 5 minutos. Para os mais resistentes como batatas, deixe de 10 a 15 minutos.

Higienização com água sanitária 
Essa é a solução mais simples de preparar, mas é super eficaz! Coloque uma colherzinha de hipoclorito de sódio ou solução clorada em 1 litro de água e deixe os alimentos de molho por 15 minutos para eliminar qualquer bactéria e impurezas! Depois, lave em água corrente e está pronta para consumir!

Em suma, estes cuidados básicos são essenciais para prevenir uma infecção por Salmonella ou outros tipos de microrganismos. Portanto, é muito importante manter uma dieta regular com alimentos saudavelmente tratados e preparados, o que colabora bastante para esta prevenção! 





domingo, 26 de março de 2017

Como evitar comer carne estragada? Confira dicas!

Na última sexta-feira (17), a Polícia Federal deflagrou uma operação no mercado de carne chamada "Carne Fraca", a qual acusa vendas ilegais deste alimento pelos grandes frigoríficos do país.
A operação tem como foco a desarticulação de uma suposta organização liderada por fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, que facilitavam a liberação de produtos contaminados.

Estamos sujeitos à contaminações como estas, mas podemos minimizá-las conferindo algumas dicas de segurança alimentar abaixo:


  • Em casa:
A temperatura da geladeira que temos em nossas casas não é ideal para a conservação de uma carne, pois o eletrodoméstico não alcança a temperatura necessária para isso.Por isso é recomendável que o alimento fique no máximo 2 dias, mesmo no congelador.
Em geladeiras industriais, a carne pode ficar até 3 meses armazenada, já que a temperatura necessária (4ºC) é atingida.

  • No supermercado: 
Prestar atenção na data que está na etiqueta é essencial para adquirir um bom alimento. Prefira produtos com datas recentes do que os que estão quase atingindo o fim do prazo de validade. Os frigoríficos garantem que em 60 dias na gôndula a carne ainda está adequada para o consumo, porém temos que pensar nos contratempos em que o alimento fica fora da refrigeração.O consumidor pode abandonar o alimento na "boca" do caixa e este pode permanecer por horas ali, até ser colocado na gôndula novamente. Não sabemos se a carne que estamos comprando passou por isso, então, opte por alimentos novos!

  • Olfato
A cor da carne é muito importante, porém dá para enganar o consumidor.No escândalo da "Carne Fraca" descobriram que carnes podres estavam sendo "maquiadas" com ácido ascórbico para ficarem mais apresentáveis. Por isso, temos que achar outras maneiras de verificar se o alimento está bom para o consumo.
Cheirar a carne não pode ser considerado um ato constrangedor, já que é uma alternativa que não pode ser "maquiada".Carnes em condições normais não possuem cheiro de nada! Qualquer odor diferente já indica que está imprópria para levar para casa.




A contaminação do alimento, que tem como procedência a maneira do abate do animal, as práticas no campo,estocagem e a temperatura, não depende do consumidor e sim do local de fornecimento.Por isso, quando temos a oportunidade de minimizar a intoxicação alimentar, devemos fazê-la, já que quando em estado avançado, pode levar à óbito.
Vamos prestar mais atenção no que estamos ingerindo! 







Fontes: 





terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NO CARNAVAL


É Carnaval e a maratona para manter a alegria nos quatro dias de folia exige atenção e cuidado especial com a alimentação com intuito de garantir uma diversão saudável e sem espaço para contratempo com a saúde. Para que se tenha pique para pular o carnaval todos os dias, a realização de uma alimentação equilibrada é essencial para você aproveitar esses dias de festa com saúde, independente se você vai ao clube, desfilar na avenida, no carnaval de rua, seguir o trio elétrico ou até mesmo ir curtir o feriadão na praia. Uma alimentação adequada nas refeições e no intervalo entre elas vai te ajudar a ter energia suficiente para aproveitar ao máximo todos os dias, sem ficar de ressaca e indisposto. Preste atenção às dicas e aproveite a festa:
Atenção aos líquidos: água, água de coco e sucos naturais são importantes para manter a hidratação. Se forem ficar expostos ao sol, redobre a atenção, afinal no verão e no carnaval transpiramos mais, e essa combinação aumenta o risco de desidratação. Dê preferências ao suco no lugar do refrigerante.
Alimentação adequada: é fundamental se alimentar a cada 3 horas. Não ultrapasse esse tempo sem se alimentar, pois são os alimentos que fornecem a energia necessária ao nosso organismo, para que você seinta-se disposto nas horas de folia.
Café da manhã: deve ser uma alimentação saudável que contenha frutas, pães integrais ou granola, leite e derivados;
Almoço e jantar: consuma alimentos leves como peixe assado, carnes magras grelhadas, assadas ou cozidas, frango sem pele. Prefira consumir verduras e legumes, pois são alimentos de fácil digestão, fontes de fibras, vitaminas e minerais. Use frutas como sobremesa.
Evite: frituras, comidas gordurosas e pesadas como: dobradinha, feijoada e churrasco, pois podem causar desconforto abdominal e indisposição, o que prejudicará o bem estar do folião. Cuidado com os alimentos consumidos fora de casa, algumas dicas devem ser seguidas para evitar os riscos de intoxicação alimentar. Preste atenção na higiene do local e dos manipuladores. Evite o consumo de molhos à base de maionese e ovos, pois estes alimentos estragam mais facilmente quando não são conservados sob refrigeração e na temperatura adequada. Frutas e barrinhas de cereais são boas opções por serem fáceis de transportar na bolsa. Escolha as frutas mais firmes que não são amassadas facilmente, como maçã, ameixa, pêra, nectarina, etc.
Se consumir bebidas alcoólicas, não deixe de ingerir outros líquidos também (como água, água de coco e suco natural) e consumir alimentos, a fim de evitar que a ressaca te pegue e comprometa os próximos dias de carnaval. Lembre-se que se ingerir bebidas alcoólicas, NÃO DIRIJA!
– O açaí é um alimento interessante para ser consumido nesta época do ano, pois por apresentar elevado valor energético, fornece energia aos foliões e repõem as energias perdidas. Mas atenção, o açaí por si só já é considerado um alimento hipercalórico, portanto prefira consumí-lo com frutas. Evite a adição de doces, chocolates, leite condensando e demais carboidratos refinados. Não se esqueça de que a ingestão excessiva desse alimento pode favorecer o aumento de peso.
– Na quarta-feira após o carnaval, retome a sua alimentação habitual. Consuma alimentos leves no almoço e no jantar, consuma peixes, carnes magras grelhadas, assadas ou cozidas, frangos sem pele. Consuma um prato de salada com bastante variedade e bem colorido. Isso irá contribuir com o consumo de micronutrientes, importantes para o bom funcionamento do metabolismo.

Abaixo estão algumas receitas de suco que desintoxicam o organismo

Suco verde de acelga com mação
Ingredientes:
1 folha de acelga com talo
1 maçã com casca
150 ml de água de coco
4 folhas de hortelã
Modo de preparo:
Bata tudo no liquidificador. Se preferir coe, e sirva em seguida.

Suco verde de melancia com pepino
Ingredientes:
2 xicaras (chá) de melancia em cubos
¼ de pepino
5 folhas verdes a sua escolha
Modo de preparo:
Bata tudo no liquidificador. Se preferir coe, e sirva em seguida.

Agora que você já tem todas as dicas, é só aproveitar!








Saiba mais sobre Bacillus cereus

                                 
Bacillus cereus é uma bactéria responsável pela produção de uma grande quantidade de toxinas. Vive em ambientes naturais, no solo, na poeira, no ar e nos esgotos. Pode multiplicar-se tanto na presença como na ausência de oxigênio e é encontrado principalmente em farináceos, cereais como o arroz, leites e derivados vegetais, carne e produtos fermentados de soja. Outros produtos também têm sido implicados em surtos como batatas, massas, queijos, misturas com molhos, pudins, sopas, assados e saladas.  A falta de higiene na preparação de alimentos e o seu incorreto acondicionamento favorecem a multiplicação da bactéria. A temperatura ideal para a proliferação do Bacillus cereus situa-se entre 30 e 37. A bactéria forma esporos que são resistentes ao calor e sobrevivem à temperatura da cozedura. Por isso, o controle da temperatura no acondicionamento de alimentos é fundamental para prevenir intoxicações alimentares causadas por esta bactéria.
Os Alimentos contaminados pelo Bacillus cereus podem provocar duas síndromes: a emética (vômito) e a diarreica. Essa bactéria produz diferentes toxinas, sendo cada uma responsável por determinados sintomas:
·         Síndrome emética: causado por uma toxina de resistência estável ao calor, presente nos alimentos como o arroz cozido e as batatas. Os sintomas manifestam-se entre 30 minutos a seis horas após a ingestão e incluem náusea e vómito;
·         Síndrome diarréica: causado pela ingestão de alimentos contaminados por uma grande quantidade de bacillus cereus ou dos seus esporos, que proliferam rapidamente e produzem toxinas assim que penetram nos intestinos. Os sintomas manifestam-se entre 6 a 15 horas após a ingestão e incluem, sobretudo, diarréia, dor de barriga, cólica abdominal, eventual náusea e poucas vezes pode provocar vómito.
Para reduzir os riscos de intoxicação alimentar por bacillus cereus, é fundamental uma boa higiene pessoal, assegurar que as fontes de alimentos são seguras e de confiança e ter sempre presente as seguintes dicas de segurança alimentar:
 Dicas para o público:
 - Guarde os alimentos de forma adequada para evitar contaminação cruzada entre alimentos crus e cozidos ou contaminação por vetores de doenças no ambiente;
- No frigorífico, os alimentos crus e cozidos devem ser sempre guardados separadamente e lembrem-se do princípio de “colocar alimentos cozinhados por cima dos crus”;
- Utilize sempre utensílios diferentes para manusear alimentos crus e cozidos.
 - Os alimentos devem ser completamente cozidos ou reaquecidos até a sua temperatura interior atingir 75 ou superior. Evite guardar alimentos que tenham sido reaquecidos várias vezes;
- Os alimentos cozinhados devem ser consumidos o mais cedo possível e nunca serem deixados à temperatura ambiente por mais de duas horas;
- Os alimentos cozinhados que não sejam consumidos de imediato devem ser mantidos a uma temperatura superior a 60 ou então, após arrefecimento, serem colocados no frigorífico, a menos de 5.
- Indivíduos de alto risco, como grávidas e pessoas com deficiências imunológicas, devem evitar a ingestão de sobras alimentares, como arroz e massas que não sejam devidamente reaquecidas ou alimentos frios, prontos-a-servir que estejam expostos demasiado tempo à temperatura ambiente.
Dicas para os comerciantes
- Certifique-se da origem dos alimentos, compre apenas em lojas de sua confiança e guarde sempre os comprovantes da compra;
- Ao receber os alimentos, verifique o seu estado e aspecto sem contaminação nem danificação, bem como se estiveram armazenados à temperatura correta;
- Os ingredientes e os produtos finais devem ser armazenados separadamente, em termos de ambiente e temperatura. Na armazenagem, adote sempre o princípio “primeiro a entrar, primeiro a sair”.
- Evite sempre confeccionar alimentos com demasiada antecedência;
- Os alimentos devem ser completamente cozidos ou reaquecidos até a sua temperatura interior atingir 75 ou superior. Evite reaquecer os alimentos mais de uma vez.
- Os alimentos cozinhados devem ser guardados à temperatura adequada. As comidas quentes devem ser mantidas a mais de 60 e as frias a menos de 5.




sábado, 3 de setembro de 2016

Anvisa vai liberar lote de achocolatado que havia sido suspenso no país.

 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comunicou nesta sexta-feira (2) a suspensão da interdição cautelar que determinava o recolhimento e comercialização do lote M4 21:18 do achocolatado Itambezinho, da marca Itambé. O anúncio foi feito após laudo divulgado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), nesta quinta-feira (1º), identificar veneno em bebida ingerida por menino de 2 anos, que morreu na semana passada, em Cuiabá. A contaminação do produto foi descartada.


“A Anvisa reitera que a empresa Itambé não foi responsável pelo ocorrido e que a hipótese de contaminação decorrente do processo de fabricação do produto está descartada”, diz trecho da nota.
Segundo a Anvisa, a revogação da resolução será publicada na próxima segunda-feira (5).
A comercialização do lote estava suspensa desde o dia 29 de agosto, depois da publicação da portaria no Diário Oficial da União.
Após a comprovação do envenenamento da bebida consumida pela criança, a Itambé publicou nota lamentando o ocorrido, afirmando que se solidariza com a dor da família e que reforça o compromisso com os consumidores ao entregar produtos com qualidade.
A suspensão da interdição é necessária devido à comprovação de que cinco unidades do achocolatado haviam sido adulteradas, de acordo com a Anvisa. A partir da publicação da revogação, o lote do produto poderá ser comercializado normalmente.
“A Anvisa reitera que a empresa Itambé não foi responsável pelo ocorrido e que a hipótese de contaminação decorrente do processo de fabricação do produto está descartada”, diz trecho da nota.
Disponível em : http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/09/anvisa-comunica-suspensao-da-interdicao-de-lote-de-achocolatado.html

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Encontrada no Brasil bactéria resistente a um dos mais poderosos antibióticos

Diego Freire | Agência FAPESP – Recentemente descoberto na China e também encontrado em países da Europa, da Ásia e da África, o gene mcr-1, que causa resistência a uma classe de antibióticos utilizados justamente para tratar infecções por bactérias multirresistentes, foi identificado pela primeira vez no Brasil em cepas da bactéria Escherichia coli isoladas de animais de produção.
Os pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) responsáveis pela identificação da bactéria também reportaram o primeiro caso de infecção humana no Brasil, em um hospital de alta complexidade em Natal (RN), por uma cepa da bactéria portadora do gene e resistente a Colistina (polimixina E), um dos mais poderosos antibióticos, considerados como último recurso no tratamento de infecções produzidas por bactérias que não respondem a outras drogas.
“A aparição desse gene no Brasil pode contribuir para o surgimento de bactérias totalmente resistentes aos antibióticos, com risco de enfrentarmos uma situação similar ao que foi a era pré-antibiótica, quando doenças comuns, como uma infecção urinária ou um ferimento profundo na pele, levavam facilmente a óbito”, alerta Nilton Lincopan, responsável pela pesquisa Monitoramento de bactérias Gram-negativas multirresistentes de importância médica (humana e veterinária): impacto clínico/ambiental e desenvolvimento de alternativas terapêuticas e produtos de inovação tecnológica, realizada com apoio da FAPESP.
Os resultados da pesquisa foram publicados nas revistas científicas Eurosurveillance, do European Centre for Disease Prevention and Control, e Antimicrobial Agents and Chemotherapy, da American Society for Microbiology.
Superbactéria
Descoberta em 1949, a produção de Colistina foi descontinuada entre a década de 1970 e o ano 2000 por sua elevada toxicidade, ficando o antibiótico restrito ao uso veterinário. No início do século, entretanto, com a emergência de bactérias produtoras de enzimas responsáveis por provocar resistência a praticamente todos os antibióticos beta-lactâmicos, como as penicilinas, a Colistina voltou a ser utilizada como última alternativa terapêutica no tratamento de infecções produzidas por microrganismos multirresistentes, principalmente associadas a surtos de infecção hospitalar.
Por muito tempo, conta Lincopan, a comunidade científica internacional acreditou que o desenvolvimento da resistência bacteriana a Colistina seria um processo difícil. “Porém, ao final do ano passado, um artigo alarmante foi publicado na revista Lancet Infectious Diseases, em que pesquisadores chineses descreveram a identificação de um novo gene (o mcr-1) que confere resistência contra polimixina E e polimixina B.”
Ainda mais preocupante, de acordo com o pesquisador, foi a descoberta de que o gene é facilmente transferível de uma espécie bacteriana a outra por meio de plasmídeos, fragmentos de DNA extracromossômicos que podem se replicar autonomamente e que podem ser transferidos entre diferentes espécies bacterianas por conjugação – processo de reprodução das bactérias por meio do qual pedaços de DNA passam diretamente de uma para a outra. O fragmento de DNA transferido se recombina com o material genético da bactéria receptora, produzindo novas combinações genéticas que serão transmitidas às células-filhas na próxima divisão celular.
Cepas bacterianas carregando o gene mcr-1 foram encontradas tanto em animais de produção como em seres humanos, levantando suspeitas sobre a existência de uma cadeia na disseminação da resistência a Colistina que começa a partir do uso do antibiótico na alimentação animal, propagando-se para os animais abatidos, os alimentos derivados e o ambiente.
Diante da ameaça de que muitas infecções poderiam se tornar intratáveis, um alerta mundial foi emitido no início do ano pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Segundo Lincopan, papers de pesquisadores de diferentes países reportaram em seguida a identificação do gene mcr-1 em cepas de bactérias clinicamente importantes, como Escherichia coliSalmonella spp. e Klebsiella pneumoniae.
“O aspecto mais assustador sobre o gene é a facilidade com que ele é transferido entre diferentes espécies bacterianas. Consequentemente, algumas bactérias hospitalares têm alinhado este gene junto a outros de resistência a antibióticos, favorecendo que a espécie bacteriana receptora fique resistente a praticamente a totalidade dos medicamentos. Assim, se um paciente estiver gravemente infectado, por exemplo, por uma E. coli, não haverá nada que se possa fazer”, diz o pesquisador.
Urgência epidemiológica
De acordo com Lincopan, suspeita-se que a principal razão para o surgimento e a propagação do mcr-1 seja o uso exacerbado de Colistina na produção agropecuária, como promotora de crescimento. Entretanto, a presença do gene também foi descrita em amostras de animais domésticos, alimentos e ambientes aquáticos, evidenciando a disseminação para diversos ecossistemas.
“No Brasil, no início deste ano, nosso grupo de pesquisa identificou pela primeira vez a presença do gene mcr-1 em animais de produção das regiões Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e Sul (Paraná e Santa Catarina), o que deve ser considerado uma urgência epidemiológica e um alerta para as implicações no agronegócio, visto que o país é um grande produtor e exportador de produtos de origem animal.”
Para os pesquisadores, os órgãos reguladores do setor deveriam reavaliar o uso de antibióticos como a Colistina.
“O impacto real da resistência bacteriana no Brasil também precisa ser avaliado pelo poder público e pela comunidade científica. Além disso, devemos privilegiar a educação sobre o uso racional de antibacterianos. Clinicamente, muitos estudos e reuniões científicas têm alertado que bactérias multirresistentes estão adquirindo um caráter de endemicidade em centros hospitalares, sendo frequentemente associadas a altas taxas de falha terapêutica e subsequente morbimortalidade”, conta Miriam Fernandes, aluna de doutorado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e primeira autora dos artigos publicados. “Estes esforços poderiam evitar uma situação irreversível”.
Um plano de ação global contra o risco do colapso dos antibióticos, avalia Lincopan, deve incluir “o uso racional desses fármacos na saúde humana e animal, o reforço da vigilância epidemiológica e o estímulo de pesquisas na área, a educação da população e dos profissionais da saúde humana e veterinária, assim como fazendeiros e produtores, sobre o uso adequado de antibióticos e o desenvolvimento de novos compostos e ferramentas de diagnóstico”.