quinta-feira, 26 de março de 2020

É possivel a transmissão do Coronavírus por alimentos?





Uma das grandes dúvidas atualmente em relação a possibilidade de transmissão do novo coronavírus (COVID-19) se ela pode ocorrer por meio de alimentos, dessa maneira reunimos algumas informações a respeito. Segundo Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos (European Food Safety Authority - EFSA), que analisou tal possibilidade em relação a demais epidemias causadas por vírus pertencentes a mesma família, foi concluindo que não houve qualquer histórico de transmissão que tenha sido gerada por alimentos.

Dessa forma pode-se dizer que não há qualquer evidência a esse respeito, uma vez que segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o vírus se comporta de maneira semelhante aos demais da família, necessitando de um hospedeiro (seja ele humano ou animal) para sua multiplicação, além do fato de sua sensibilidade a temperaturas superiores a 70°C, o que o eliminaria durante o cozimento.
Contudo são necessários alguns cuidados em relação a ida ao mercado uma vez que a resistência do vírus em alguns materiais já foi comprovada, sendo assim é importante mais uma vez ressaltar a importância da higiene em relação aos alimentos antes de utilizá-los, como é o caso de frutas, caso alguém contaminado tenha tossido ou espirrado nas proximidades, gotículas podem permanecer retidas, facilitando dessa forma a transmissão, o mesmo se aplica as embalagens, o esquema abaixo demonstra permanência do vírus em alguns materiais.





Recomenda-se o uso de álcool 70% para higienizar as embalagens antes de seu uso, além sempre lavar as mãos e evitar tocar na face durante o preparo dos alimentos, e caso idas ao mercado sejam necessárias lembrar de evitar tocar em embalagens e alimentos e em seguida tocar áreas como olhos, boca e rosto em geral, lembrando também que uso de máscaras para idas ao mercado, por exemplo, é recomendado apenas àqueles que estejam demonstrando sintomas da doença.






Referências
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/03/23/o-novo-coronavirus-pode-ser-transmitido-por-alimentos.htm

domingo, 8 de março de 2020

Alimentos contaminados causam a morte de 420 mil pessoas todos os anos


É necessária uma maior cooperação internacional para evitar que alimentos perigosos causem problemas de saúde e dificultem o progresso do desenvolvimento sustentável.  
O apelo foi feito, por vários líderes mundiais na sessão de abertura da Primeira Conferência Internacional de Segurança Alimentar, em Addis Abeba, na Etiópia em 2019.

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Saúde

O encontro é organizado pela União Africana, UA, em parceria com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, a Organização Mundial da Saúde, OMS e a Organização Mundial do Comércio, OMC.
Segundo a FAO, os alimentos contaminados com bactérias, vírus, parasitas, toxinas ou produtos químicos fazem com que, a cada ano, mais de 600 milhões de pessoas adoeçam e 420 mil morram em todo o mundo. As doenças ligadas a alimentos inseguros sobrecarregam os sistemas de saúde e prejudicam as economias, o comércio e o turismo. O impacto dos alimentos inseguros gera, todos os anos, uma perda de produtividade estimada em cerca de US$ 95 bilhões às economias em desenvolvimento.
Por causa dessas ameaças, a ONU considera que a segurança alimentar deve ser um objetivo primordial em todas as etapas da cadeia alimentar, desde a produção até a colheita, processamento, armazenamento, distribuição, preparação e consumo.

Segurança Alimentar

A FAO lembra que os avanços tecnológicos, a digitalização, os novos alimentos e os métodos de processamento fornecem oportunidades para aumentar a segurança alimentar e melhorar a nutrição, a subsistência e o comércio.ONU News/Daniel Dickinson
O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, afirmou, durante o encontro, que a “parceria entre a União Africana e as Nações Unidas tem sido duradoura e estratégica", destacando que “esta conferência sobre segurança alimentar é uma demonstração desta parceria.”
O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, lembrou que o evento “é uma grande oportunidade para a comunidade internacional fortalecer os compromissos políticos e de se envolver em ações-chave” que protejam os alimentos. Para ele, é “necessário trabalhar em conjunto para aumentar a segurança alimentar nas agendas políticas nacionais e internacionais.”
Por outro lado, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, considerou que “os alimentos devem ser uma fonte de nutrição e prazer, não uma causa de doença ou morte", alertando para o facto de apesar dos “alimentos inseguros serem responsáveis ​​por centenas de milhares de mortes todos os anos, não recebem a atenção política que merecem".
Para o responsável, é fundamental “garantir que as pessoas tenham acesso a alimentos seguros” e “exigir investimentos sustentados em regulamentações e vigilância e monitorização mais rigorosos.”

Reforço de Cooperação

Comprometidas a dar prioridade à questão da segurança alimentar, as várias agências da ONU irão continuar a trabalhar no reforço da cooperação internacional nesta área.
O diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, informou que iria ocorrer uma nova reunião em abril de 2019 para abordar a questão do comércio como “uma força importante para tirar as pessoas da pobreza”, tema que será analisado com “mais profundidade.”
Cerca de 130 países participam nesta conferência de dois dias, incluindo ministros da agricultura, saúde e comércio. Também estão presentes especialistas científicos, agências parceiras e representantes de consumidores, produtores de alimentos, organizações da sociedade civil e do setor privado.
O objetivo da conferência é identificar as principais ações que garantirão a disponibilidade e o acesso a alimentos seguros agora e no futuro. Isso exigirá um compromisso reforçado no mais alto nível político para aumentar a segurança alimentar na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Sistemas Alimentares

A FAO lembra que os avanços tecnológicos, a digitalização, os novos alimentos e os métodos de processamento fornecem oportunidades para aumentar a segurança alimentar e melhorar a nutrição, a subsistência e o comércio.
No entanto, a agência lembra que, ao mesmo tempo, as mudanças climáticas e a globalização da produção de alimentos, juntamente com uma crescente população global e crescente urbanização, representam novos desafios para a segurança alimentar.

Referências

Rede internacional de Educação de Técnicos em Saúde. Alimentos contaminados causam a morte de 420 mil pessoas todos os anos. Rio de Janeiro. 2019. Disponível em: <http://www.rets.epsjv.fiocruz.br/noticias/alimentos-contaminados-causam-morte-de-420-mil-pessoas-todos-os-anos>. Acesso em: 08/03/2020.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Biofilme pode dobrar o prazo de validade dos ovos:

Um biofilme que possibilita revestir ovos e prolongar seu prazo de validade foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O material produzido à base de quitosana, polímero natural extraído da carapaça de crustáceos como camarão, lagosta e caranguejo. Além de ovos, ele pode ser usado para revestir embalagens de alimentos diversos, conferindo maior resistência mecânica e proteção contra microrganismos. O trabalho contou com a colaboração de cientistas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
De acordo com os pesquisadores, além de aumentar a resistência e ter propriedades antifúngica e bactericida, o biofilme permite vedar microfissuras e poros na superfície de ovos. Isso resulta em um aumento do tempo de prateleira do produto. Os estudos apontam que o revestimento prolongue a durabilidade do ovo de 30 para 50 ou até 60 dias, dependendo das condições de armazenamento.


O material, que já teve patente depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), foi obtido por meio da associação de quitosana e sais de quaternários de amônia de todas as gerações disponíveis comercialmente.

Esses compostos, com propriedades antimicrobianas, são usados em concentrações controladas em indústrias de alimentos para desinfecção e como sanitizantes domésticos. A combinação com a quitosana em uma determinada concentração ideal resultou em misturas poliméricas nas quais os sais de quaternários de amônia ficam homogeneamente dispersos ou contidos na estrutura do material.
As misturas poliméricas podem ser usadas nas formas de solução, emulsão, gel e dispersões, ou ainda contidas em outras matrizes ou suportes naturais ou sintéticos.
Na forma líquida, por exemplo, o material pode ser pulverizado nos aviários diretamente sobre a casca de ovos ou no banho de desinfecção do produto, na etapa de higienização.
Ao perder água rapidamente e secar, a mistura polimérica retorna ao seu estado inicial, de polímero, com cadeias de sais de quaternários de amônia entrelaçadas em sua estrutura.
Semelhante a um verniz flexível, o material forma um biofilme que impede a colonização de fungos e bactérias na superfície da casca do ovo, impedindo que os microrganismos penetrem através de microfissuras ou poros. Além disso, ao revestir o produto, impede a perda de umidade, controla gases e, consequentemente, evita a perda de massa do ovo por evaporação, protegendo o alimento em toda a cadeia, da produção à comercialização.
Os testes laboratoriais mostraram que ovos recobertos com o material perdem 40% menos massa do que os sem a proteção com o material.

Planos de comercialização

A ideia é que o novo material seja disponibilizado para comercialização e aplicação em aviários por pulverização ou banhos de higienização, após a etapa de polimento dos ovos, anterior à seleção por tamanho.
O produto pode ser pulverizado por meio de um borrifador convencional ao passar pela esteira transportadora para ser empacotado.
O objetivo é desenvolver junto aos produtores uma solução já na concentração ideal para aplicação por meio de um processo simples, de modo a não afetar financeiramente a cadeia de produção de ovos comerciais, pois são produtos muito baratos.


Na avaliação dos pesquisadores, as soluções à base de quaternários de amônia empregadas hoje na pulverização de ovos incubáveis para desinfecção do produto não são totalmente eficazes para combater salmonelas e outros organismos.
Isso porque, ao secar, os sais de quaternários de amônia presentes nessas soluções se desprendem facilmente da superfície da casca do ovo por qualquer abrasão mecânica durante o transporte, por exemplo. No caso do biopolímero não há esse risco, pois as partículas do composto estão homogeneamente dispersas na superfície.

Novas soluções

Os pesquisadores estão desenvolvendo, agora, misturas poliméricas com novos compostos bioativos para cobertura não só de ovos, mas também de frutas e leguminosas. A ideia é desenvolver embalagens “inteligentes” para alimentos.
Algumas das vantagens dos novos compostos em desenvolvimento, em comparação com polímeros naturais como a quitosana, quitina, alginatos e pectinas, são melhor custo-benefício e maior segurança de consumo e ambiental.
Os novos compostos poderiam ser usados de forma complementar aos revestimentos poliméricos e até em aplicações especiais para diversos produtos e embalagens de alimentos.
Dessa forma, teriam menor toxicidade em comparação com os sanitizantes convencionais usados hoje para desinfecção de frutas, verduras e leguminosas e poderiam ser usados para produzir filmes plásticos e outros produtos para revestimento de embalagens e superfícies.
“Acreditamos que o polímero à base desse composto tem grande potencial para ser usado como filme bioprotetor de frutas e leguminosas e até para produção de embalagens para alimentos”, disse o pesquisador.

Fonte: eCycle, Biofilme pode aumentar o prazo de validade do ovo. Disponíveis em: https://www.ecycle.com.br/component/content/article/37-tecnologia-a-favor/7786-biofilme-pode-dobrar-prazo-de-validade-do-ovo.html

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Alimentos transgênicos: conheça seus riscos e benefícios

Fonte: HypeScience


Também denominados de Alimentos Geneticamente Modificados (AGM), alimentos transgênicos são aqueles que tem seu DNA modificado em laboratório através de técnicas de engenharia genética. “Ela envolve selecionar em um ser vivo um gene com alguma característica vantajosa e transferi-lo para outro” como explica o biólogo Marcelo Menossi da Unicamp. Essa técnica tem como perspectiva aumentar a produtividade das lavouras, obtenção de alimentos menos perecíveis e com mais nutrientes.
O primeiro alimento transgênico aprovado no Brasil foi em 1998, uma soja tolerante ao herbicida glifosato, composto considerado genotóxico e cancerígeno. Em 2017 o Brasil se tornou o segundo maior produtor de transgênicos, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Atualmente cerca de 93% da soja brasileira, 82% do milho e 66% do algodão é geneticamente modificado.
Em 2003 foi divulgado o Decreto nº 4.680 que tem como exigência para as empresas, que todo alimento, que tenha mais de 1% de ingredientes transgênicos, levem na embalagem um “T” dentro de um triângulo amarelo.
Fonte: Senado Federal

As últimas pesquisas realizadas sobre o tema demonstram que não haveria efeitos nocivos, porém, a nutricionista Ana Paula Bortoletto do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor crítica, “Só vale lembrar que há um forte conflito de interesses, uma vez que parte dos estudos é patrocinada pelos produtores de sementes transgênicas”.
Os agricultores seriam os maiores beneficiados, uma vez que as sementes geneticamente modificadas teriam como principais propriedades a tolerância a herbicidas e resistência a pragas, o que leva a uma maior produtividade das lavouras e redução de custos com as plantações.
Outra vantagem citada pela engenharia genética, é de que seria utilizado menos agrotóxicos no cultivo desses alimentos. Segundo dados fornecidos pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Avanços em Agro-Biotecnologia, nos últimos 20 anos houve uma redução de 37% no uso de pesticidas e herbicidas no mundo, porém de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil foi na direção contraria, tendo um aumento de 190% no mercado de agrotóxicos no período de 2003 e 2013, e os produtos que receberam mais desses químicos foram justamente os transgênicos aprovados no país, a soja, milho e algodão. A bióloga Adriana Brondani, diretora do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, justifica que “Nosso país está na região tropical, com uma incidência alta de pragas, e a produção aumentou muito nessas décadas, o que eleva a demanda pelos químicos”.
Para o consumidor, o principal benefício são os alimentos “turbinados”, onde há a adição de nutrientes não naturais destes. Este é o caso do arroz rico em betacaroteno criado por cientistas das Filipinas, da alface desenvolvida pela Embrapa com 15 vezes mais ácido fólico, da soja rica em Ômega-3 criada pela multinacional Monsanto, entre outros exemplos.
Mesmo que essa tecnologia pareça quase perfeita, ainda há muito receio em torno destes alimentos. Um dos maiores temores é o aumento dos casos de alergia. Ao transferir um gene, as reações indesejadas de um alimento poderiam ser passadas para o outro, caso que ocorreu na criação de um feijão mais rico em proteína com a adição do DNA da castanha do Pará desenvolvido pela Embrapa, assim pessoas alérgicas à castanha seriam consequentemente intolerantes ao feijão também.
Outra preocupação é a possível resistência a antibióticos. Uma vez que alguns transgênicos são desenvolvidos com auxílio de bactérias, informações genéticas poderiam ser transferidas para o DNA de outros microrganismos, como os presentes no nosso trato gastrintestinal, dificultando o tratamento de infecções no futuro.


REFERÊNCIAS:
ANDRÉ BIERNATH. Revista Saúde. Os transgênicos dominaram o mundo. 2018. Disponível em: <https://saude.abril.com.br/bem-estar/os-transgenicos-dominaram-o-mundo/>.
EducaMais Brasil. Alimentos Transgênicos. Disponível em: <https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/biologia/alimentos-transgenicos>.
Embrapa. Transgênicos: Perguntas e respostas. Disponível em: <https://www.embrapa.br/tema-transgenicos/perguntas-e-respostas>.
FRANCO LAJOLO. Revista Saúde. O papel dos alimentos transgênicos. 2018. Disponível em: <https://saude.abril.com.br/blog/alimente-se-com-ciencia/o-papel-dos-alimentos-transgenicos/>.
Instituto brasileiro de defesa do consumidor (Idec). Saiba o que são os alimentos transgênicos e quais os seus riscos. 2019. Disponível em: <https://idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/saiba-o-que-sao-os-alimentos-transgenicos-e-quais-os-seus-riscos>.
LANA MAGALHÃES. TodaMatéria. Alimentos Transgênicos. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/alimentos-transgenicos/>.
Revista Exame. 20 anos depois da aprovação, transgênico se torna regra no campo. 2018. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/brasil/20-anos-depois-da-aprovacao-transgenico-se-torna-regra-no-campo/>.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Regulamentações sobre medicamentos veterinários e riscos à saúde humana:



Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 328/2019, que dispõe sobre a avaliação do risco à saúde humana de medicamentos veterinários e os métodos de análise para fins de avaliação da conformidade, entrou em vigou em dezembro de 2019. Complementando a mesma, foi publicada a Instrução Normativa (IN) 51/2019, que estabelece a lista de limites máximos de resíduos (LMR), ingestão diária aceitável (IDA) e dose de referência aguda (DRfA) para insumos farmacêuticos ativos (IFA) de medicamentos veterinários em alimentos de origem animal.
Os medicamentos veterinários são utilizados para o tratamento, a prevenção e a promoção do crescimento de animais produtores de alimentos. Mas mesmo com a aplicação das boas práticas veterinárias, o uso desses medicamentos pode resultar em resíduos nos alimentos de origem animal, como carne, leite e ovos. 

            
Como medida de prevenção, a RDC 328/2019 estabelece o risco à saúde humana devido a esse emprego de medicamentos veterinários em animais, que pode ser reavaliada a qualquer tempo e, sempre que justificado, a ingestão diária aceitável (IDA), a dose de referência aguda (DRfA), quando aplicável, e o limite máximo de resíduos (LMR) podem ser alterados.
Deverão ser realizados estudos de farmacocinética, de modo a contemplar o comportamento farmacocinético dos IFA, utilizando radiomarcados no medicamento veterinário, em animais de laboratório e na espécie-alvo produtora de alimento, incluindo dados de absorção, distribuição e eliminação, tempo de meia-vida no plasma e tecidos, e vias metabólicas.

            Os estudos de metabolismo com animais produtores de alimentos devem permitir a definição dos resíduos marcadores, da razão de resíduos marcadores para resíduos totais e do tecido comestível selecionado para monitorar os resíduos marcadores na espécie-alvo.  Esses resíduos devem possuir um método de análise validado para quantificar sua concentração no produto de origem animal.

Os estudos toxicológicos devem incluir os ensaios de: genotoxicidade, toxicidade aguda, toxicidade de doses repetidas, toxicidade sobre a reprodução (multigeração), toxicidade sobre o desenvolvimento e toxicidade crônica ou carcinogenicidade. Estudos adicionais de neurotoxicidade, imunotoxicidade, alergenicidade ou disfunção endócrina podem ser exigidos para identificação de efeitos específicos relacionados à estrutura, classe e modo de ação dos IFA ou seus metabólitos.

Os estudos microbiológicos devem avaliar potenciais efeitos sobre a barreira de colonização do trato intestinal humano e o aumento da resistência em bactérias residentes no cólon humano. Para IFA e seus metabólitos com ação antimicrobiana, a IDA e a DRfA serão definidas com base nos resultados dos estudos toxicológicos e microbiológicos, sendo adotado o menor valor encontrado nestes estudos.

Os estudos de depleção de resíduos devem ser realizados nos seguintes tecidos:  músculo; gordura; fígado; rim e leite, ovos e mel, quando aplicável. No caso de peixes, aves e suínos incluem a pele em proporções naturais. Os estudos de depleção de resíduos devem ser realizados na espécie-alvo e incluir informações sobre os resíduos totais, resíduos livres e resíduos ligados nos diferentes tecidos.
     

A partir da vigência da RDC 328/2019, três resoluções foram revogadas. São elas: RDC 4/2001 (regulamento técnico de glossário de termos e definições para resíduos de medicamentos veterinários); RDC 5/2001 (regulamento técnico para métodos de amostragem para programas de controle de resíduos de medicamentos veterinários em alimentos de origem animal); e RDC 53/2012 (regulamento técnico do Mercosul).
Com a aprovação desses novos regulamentos pela Diretoria Colegiada da Anvisa, o número de IFAs com limites estabelecidos aumentou de 24 para 658. Desse modo, as novas regulamentações propiciam mais proteção à saúde da população brasileira e uma realidade com maior respaldo para os setores envolvidos na produção de alimentos de origem animal.


Referências:

ANVISA. Regulamentação: Normas tratam de resíduos de medicamentos veterinários. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/normas-tratam-de-residuos-de-medicamentos-veterinarios/219201?p_p_auth=wLNxwQuE&inheritRedirect=false&redirect=http%3A%2F%2Fportal.anvisa.gov.br%2Fnoticias%3Fp_p_auth%3DwLNxwQuE%26p_p_id%3D101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-4%26p_p_col_count%3D2. Acesso em: 03/02/2020.

INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 51, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2019. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/5545276/IN_51_2019_.pdf/15986ce9-1636-4060-8ffb-ae49be5d5207. Acesso em: 03/02/2020.

RDC Nº 328, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2019. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/5545276/RDC_328_2019_.pdf/c8530bf9-5c55-43fa-ae38-4d8aeff71270. Acesso em: 03/02/2020.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020


Algas marinhas apresentam efeitos benéficos ao sistema  digestivo humano

Estudo realizado em parceria pela Embrapa (RJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e Universidade de Campinas (Unicamp) encontrou nova funcionalidade para a goma carragena, extraída de algas vermelhas, está é capaz de estimular a proliferação de bifidobactérias que apresentam efeitos benéficos à microbiota intestinal.

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As algas marinhas, muito comuns na culinária oriental são ricas em fibras, vitaminas, proteínas, compostos antioxidantes e baixo teor energético, cerca de 90% da sua estrutura é composta basicamente por água, e os outros 10% são representados por componentes da parede celular, de textura gelatinosa, responsáveis por conferir as algas maleabilidade e proteção durante a alteração das marés e de onde também são extraídas as gomas e outras matérias-primas de interesse para indústria cosmética, alimentícia, farmacêutica e agroquímica.

As algas marinhas têm sido exploradas comercialmente em cultivos em diversas regiões do planeta, representando uma importante fonte de renda de comunidades ribeirinhas e empresas de pequeno, médio e grande porte. A alga de maior cultivo no mundo é a da espécie Kappaphycus alvarezii, de onde se extrai a carragena, conhecida popularmente como goma, com uso bastante difundido na indústria alimentícia, estando presente em produtos cárneos, lácteos e embutidos.
O cultivo de algas Kappaphycus alvarezii no Brasil com fins comerciais existe unicamente em fazendas marinhas nos litorais dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, sob autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Recentemente, foram também expedidas licenças ambientais para cultivos experimentais nos litorais da Paraíba e de Santa Catarina.
A goma carragena é rica em fibras alimentares, sendo utilizada como espessantes, alterando a textura de produtos alimentícios, e também como estabilizante, porém não é totalmente solúvel em água, sendo dependente de alta temperatura para desagregação e solubilização. Para contornar este desafio, a equipe utilizou o processo de extrusão termoplástica para promover alterações químicas nas cadeias de polissacarídeos, resultando em alterações de propriedades físicas da goma modificando sua solubilidade e viscosidade aparente, além do aumento de solubilidade este processo aumentou as propriedades funcionais da goma que pode ser considerada uma fonte natural de fibra alimentar de alto valor nutricional, capaz de potencializar o efeito bifidogênico de microrganismos do trato intestinal humano, atuando como um suplemento alimentar.

Algas como fontes de fibras dietéticas solúveis

Segundo as Diretrizes Globais da Organização World Gastroenterology (2017), prebiótico é definido como um ingrediente que resulta em alterações específicas na microbiota gastrointestinal, conferindo benefícios à saúde do hospedeiro. O estudo conduzido pela Embrapa avaliou o efeito prebiótico presente na goma carragena após passar pelo processo de extrusão, e obteve resultados promissores.

O uso das fibras alimentares como suplemento alimentar é regulado no Brasil pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para registrar esse produto na Anvisa é necessário ainda a realização de mais pesquisa: simulação da digestão humana in vitro, toxicidade, biodisponibilidade e testes clínicos.

Embora apenas uma cepa de bactérias da espécie Bifidobacterium, a Bb12, tenha sido avaliada nesse estudo, os dados indicaram que a goma carragena possui atividade bifidogênica in vitro. No entanto, novos estudos com outras cepas devem ser realizados, Entre as bactérias, as da espécie Bifidobacterium Bb12 é uma das mais exigentes para o crescimento no sistema gastrointestinal porque necessitam de condições muito específicas para o aumento de seu número dentro do intestino, por essa razão o resultado obtido é bastante significativo.

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Referências:


domingo, 2 de fevereiro de 2020





O que sabermos sobre o novo Coronavírus: o vírus da China?

   O nome do vírus é 2019-nCoV que pertence ao grupo Coronavírus e foi identificado na China, onde contaminou o primeiro paciente em dezembro de 2019. As autoridades chinesas começaram uma investigação na primeira semana de janeiro de 2020 e informaram que acreditavam que o vírus tivesse origem no mercado de frutos do mar da cidade de Wuhan e que era necessário contato direto com animais pescados para ser infectado. Porém, no dia 20 de janeiro, o governo da China informou que o vírus é transmitido diretamente de pessoa para outra e não apenas diretamente de animais.

Transmissão

   De acordo com Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), EUA, os coronavírus são uma grande família de vírus comuns em muitas espécies diferentes de animais, incluindo camelos, gado, gatos e morcegos. Raramente, os coronavírus animais podem infectar pessoas e depois se espalhar entre pessoas como MERSSARS e agora com 2019-nCoV.
   Na maioria das vezes, a propagação de pessoa para pessoa acontece entre contatos próximos (cerca de um metro e oitenta). Pensa-se que a disseminação de pessoa a pessoa ocorre principalmente através de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra, semelhante à forma como a influenza e outros patógenos respiratórios se espalham. Essas gotículas podem pousar na boca ou no nariz de pessoas próximas ou possivelmente inaladas nos pulmões. Atualmente, não está claro se uma pessoa pode obter o 2019-nCoV tocando em uma superfície ou objeto com o vírus e, em seguida, tocando sua própria boca, nariz ou possivelmente seus olhos.
   Normalmente, com a maioria dos vírus respiratórios, as pessoas são consideradas mais contagiosas quando são mais sintomáticas (as mais doentes). Com 2019-nCoV, no entanto, houve relatórios de propagação de um paciente infectado sem sintomas para um contato próximo.

Sintomas

Os sintomas mais comuns são os de uma infecção respiratória:
  •    Febre;
  •   Tosse;
  •   Falta de ar;
  •   Dificuldade para respirar.


Casos graves:
  •  Pneumonia;
  •   Síndrome respiratória aguda grave;
  •   Insuficiência renal.


Recomendações da Organização Mundial de Saúde
  •   Lavar as mãos regularmente;
  •   Não comer carnes e ovos crus;
  •   Evitar contato muito próximo com pessoas que apresentem os sintomas.



(ME) 2019-nCov. Fonte: Centers for Disease Control and Prevention/CDC. 



Referências:

CDC - Center for Disease Control and Prevention (CDC), EUA. www.cdc.gov