segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Produção de carne e bactérias multirresistentes

 

                                            Nelore pintado. Fonte: https://dicas.boisaude.com.br/o-que-significa-e-como-comprar-boi-po/

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de carne  do mundo, com uma projeção de 10,5 milhões de toneladas de carne bovina e 4,2 milhões de toneladas de carne suína para o ano de 2020. Dessa forma, é fácil presumir que seja um ponto positivo para o desenvolvimento econômico do país demonstrar tamanha relevância no que tange a questão de exportação de commodities.

No entanto, essa produção de carne em grande escala, tem consequências para a saúde pública. Uma das problemáticas envolvidas com os modelos de pecuária, principalmente a intensiva, é justamente a contribuição para o desenvolvimento acelerado e possível disseminação das denominadas superbactérias ou bactérias multirresistentes. Para compreender melhor o cenário no qual estamos inseridos, são necessárias algumas informações.


Foto ilustrativa de antibióticos. Fonte: https://medium.com/bioblog-esem/antibióticos-os-medicamentos-que-revolucionaram-a-medicina-contemporânea-1a620aa98d13

Na pecuária, os antibióticos são empregados de três formas: 

-Uso terapêutico: quando o animal é acometido por alguma infecção e necessita de tratamento, assim como nós seres humanos;

-Uso preventivo: como o nome diz, como forma de prevenir doenças futuras, por exemplo quando os animais jovens passam pela desmama e consequentemente passam por maior estresse e imunossupressão, ficando mais suscetível à infecções bacterianas. 

Ainda dentro da categoria de uso preventivo, temos duas subdivisões: a profilaxia e a metaprofilaxia. A profilaxia consiste em uso em doses menores, quando por exemplo há casos de infecção em rebanhos da região e devido à dificuldade das condições de higiene locais, bem como a falta de espaço físico, que gera uma grande aglomeração dos animais em confinamento, opta-se pela administração de antibióticos no rebanho inteiro.

Já a metaprofilaxia, também consiste na administração das drogas no rebanho como um todo. Caso algum indivíduo seja diagnosticado com uma infecção, todos são medicados a fim de evitar que o rebanho inteiro seja infectado.

-Uso como melhorador de desempenho: Essa forma de utilização teve início na década de 50 com a liberação pelo FDA (Food and Drug Administration). Nesse caso, os antibióticos eram inseridos na ração dos animais, passando a compor a dieta do rebanho. A finalidade desse uso é selecionar uma microbiota intestinal que seja capaz de aumentar a conversão alimentar, isto é, resultando no ganho de peso de forma acelerada do rebanho. Este último modelo de uso vem sido debatido e cada vez mais e os países e empresas do ramo estão gradativamente deixando de fazer o uso, por ser o mais problemático de todos.

Como os antibióticos influenciam na formação de superbactérias ou bactérias multirresistentes? 

As bactérias, se reproduzem de forma muito rápida através de fissão binária, isto é, consiste em uma célula gerando uma cópia idêntica de si mesma. Processo que, em condições ambientais ótimas, acontece em minutos. Por isso, as bactérias crescem em ritmo exponencial e em um curto intervalo de tempo, o que possibilita uma grande variabilidade genética dentro de uma mesma comunidade bacteriana, devido às maiores chances de mutações genéticas, bem como as interações entre os indivíduos que compõe a comunidade.

Fissão binária. Fonte: https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos/biomonera3.php

Em se tratando do ambiente gastrointestinal, existe uma gama de microrganismos presentes que muitas vezes auxiliam no processo de digestão do bolo alimentar, no entanto, algumas dessas bactérias quando fora do trato digestivo, pode causar uma série de infecções prejudiciais aos organismos, incluindo os seres humanos.

Dessa forma, quando há uma pressão seletiva no meio, ocorre o que é denominado como seleção natural, neste caso, as bactérias que são suscetíveis aos medicamentos são eliminadas. Em contrapartida, aquelas que forem resistentes permanecem vivas e restauram a comunidade bacteriana, uma vez que a reprodução ocorre de forma rápida. Essa forma de transmissão, de genes que conferem resistência, é classificada como transmissão vertical.

Mas ainda existe uma outra forma de transmissão de genes ou elementos genéticos transmissíveis e extracromossomais, que é denominada transmissão horizontal, que consiste na transmissão de genes entre bactérias da mesma espécie ou até mesmo entre bactérias de espécies distintas. Tais mecanismos são:

    -Transformação: mecanismo pelo qual as bactérias adquirem material genético disperso no ambiente, muitas vezes provenientes das bactérias que foram eliminadas pelos antibióticos. Esse mecanismo consiste basicamente no aumento de permeabilidade das membranas bacterianas a fim de permitir a entrada desses fragmentos de genes.


Transformação bacteriana. Fonte: http://www.vestiprovas.com.br/questao.php?questao=uftm-2013-1-9-biologia-diversidade-da-vida-geral-23709
    -Conjugação: quando ocorre a formação de um canal através de um poro entre duas bactérias, que permite a troca direta de material genético.

Conjugação bacteriana. Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Figura-2-Desenho-esquematico-da-conjugacao-bacteriana-1-DNA-cromossomico-2_fig2_316841484
    -Infecção viral por bacteriófagos, nesses casos, os vírus infectantes carregam a inserem os genes nessas bactérias e que podem eventualmente ser genes que conferem resistência aos antibióticos.

Bacteriófagos. Fonte: https://www.seuamigofarmaceutico.com.br/artigos-e-variedades/como-virus-equotbonsequot-podem-influenciar-a-saude/380

Estes elementos genéticos extracromossômicos livres, pode ser transmitidos e recombinados entre as espécies de bactérias como um grupamento mais complexo, o que é denominado um cluster de genes, possibilitando a formação das bactérias multirresistentes (aquelas que apresentam resistência à duas ou mais classes de antibióticos). E através dessas trocas genéticas aceleradas pela pressão seletiva que os antibióticos exercem, cada vez mais bactérias desenvolvem resistência ao longo das linhagens.

Um estudo realizado na China encontrou uma cepa de Escherichia coli em carne suína que apresentou resistência à colistina, o que gerou um estado de alerta quanto a essa questão. Posteriormente, a mesma cepa foi encontrada na carne de frangos da região. Neste caso, o gene que confere resistência é o MCR-1, que tem potencial para ser transmitido para outras espécies como a Klebsiella pneumoniae e a Pseudomonas aeruginosa, comumente responsáveis pelas infecções hospitalares, que na maioria das vezes levam os pacientes à óbito, pois os tratamentos se mostram cada vez mais ineficientes.

Quais são as formas de contaminação por essas bactérias nas carnes? 

    -Durante o abate, o material intestinal pode entrar em contato com a carne;

    -Ao longo do processo pós abate, os utensílios como ganchos, esteiras, serras e outros podem ser contaminados;

Animais em frigorífico. Fonte: https://estado.rs.gov.br/frigorifico-de-santiago-esta-liberado-para-abates

    -Os manipuladores que trabalham na indústria e nos mercados nos quais as carnes são comercializadas podem contaminar a carne ao manuseá-las;

Manipuladores de alimentos em frigorífico. Fonte: https://outraspalavras.net/alemdamercadoria/industria-da-carne-e-pandemia-automatizar-nao-e-solucao/

    -Além de tudo isso, em nossas casas, pode ocorrer a contaminação cruzada, isto é, uma bactéria multirresistente que estava presente inicialmente na carne comprada, durante o preparo em nossas casas, pode contaminar as facas utilizadas, a tábua de corte, a pia e as nossas mãos. E embora a carne contaminada passe pelo processo de cozimento, eliminando as bactérias patógenas termossensíveis, aquelas que podem ter restado em nossos utensílios podem contaminar os alimentos crus, como frutas e saladas, sendo posteriormente ingeridas por nós e consequentemente levando a uma infecção bacteriana.


Contaminação cruzada. Fonte: http://barreirogrande.com.br/contaminacao-cruzada/

Diante deste cenário, quais seriam possíveis soluções para este problema? 

-Uso racional de antibióticos, no âmbito da agropecuária;

-Políticas públicas que tenham como objetivo estimular um consumo mais consciente de proteína animal, ao reduzir a demanda por carne, reduz-se também a necessidade de uma produção em larga escala e de forma tão acelerada, possibilitando a criação de animais de forma orgânica, isto é, respeitando o intervalo de tempo mais adequado ao ciclo de vida dos animais, bem como criando rebanhos menores, em condições higiênico-sanitárias mais adequadas, reduzindo as chances de infecções.

-Mudar a forma como vivemos em sociedade, desde hábitos alimentares até os modelos projetados de megalópolis, com cada vez mais pessoas habitando espaços cada vez menores. Pois com o estilo de vida extremamente insustentável que possuímos, viver em harmonia com o meio ambiente se mostra como uma realidade distópica;

            -Ter boas práticas de higiene e manipulação dos alimentos;

-Dar preferência aos produtores orgânicos, que se preocupam não somente com a produção, mas também com a responsabilidade socioambiental oriunda da atividade.


Referências bibliográficas

https://www.bbc.com/portuguese/geral-50119820

https://nacoesunidas.org/oms-lanca-estrategia-para-combater-resistencia-de-bacterias-a-antibioticos/

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/kpc-superbacteria/

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5664:folha-informativa-resistencia-aos-antibioticos&Itemid=812

https://alociencia.com.br/podcast/superbacterias-na-producao-de-carne/



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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Bactérias láticas podem reduzir o potencial alergênico do glúten

 

Um estudo feito por cientistas do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center), da Universidade de São Paulo (USP) e de duas instituições francesas e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), investigam a possibilidade de usar bactérias láticas para reduzir ou prevenir processos alérgicos relacionados ao consumo de alimentos com  glúten, por meio de duas abordagens.  

A primeira abordagens explora bactérias com atividade proteolítica, ou seja, que são capazes de quebrar as sequências responsáveis pela alergia ao glúten (complexo proteico composto de gliadinas e gluteninas). As bactérias seriam usadas para fermentar o glúten, aproveitando as propriedades que esses microrganismos têm de reduzir as proteínas em partes menores (peptídeos e aminoácidos livres) e, assim, diminuir seu potencial alergênico. Dominado este processo, poderia ser empregado para a fabricação de alimentos ou na produção de um glúten fermentado para uso como ingrediente em produtos de panificação. Uma segunda abordagem da pesquisa busca bactérias que tenham também propriedades probióticas, com vistas a uma terapia adjuvante que atenuassem os processos de alergia alimentar.


- Atividade proteolítica


De acordo com a bióloga Marcela Albuquerque, pós-doutoranda na FCF (Faculdade de Ciências Farmacêuticas) da USP e que está no INRA desenvolvendo parte de sua pesquisa,  para se desenvolverem, as bactérias precisam, entre outros nutrientes, de aminoácidos, pois são fatores de crescimento para elas. "O acesso aos aminoácidos se dá por meio da quebra de proteínas, a exemplo do glúten. Para tanto, as bactérias produzem enzimas que hidrolisam as proteínas, ou seja, quebram as proteínas em diversas partes menores, conhecidas como peptídeos. É o que chamamos de atividade proteolítica, e essa é uma característica importante que nos interessa nessas bactérias. Focamos nas bactérias láticas porque elas são reconhecidas como seguras para consumo humano e amplamente exploradas para o desenvolvimento de alimentos." O glúten é um complexo proteico formado por duas subunidades: gliadinas e gluteninas, cada uma delas composta de diferentes subtipos. Os pesquisadores procuram encontrar cepas de bactérias láticas capazes, principalmente, de hidrolisar as gliadinas, que são as principais responsáveis tanto pelas reações de hipersensibilidade ao glúten quanto pelas reações desencadeadas nos celíacos. 


- Seleção de bactérias 


O bioquímico Kamel El-Merchefi explica que para selecionar os microrganismos com atividade proteolítica as cepas foram cultivadas em um meio tradicional e depois inoculadas em meio suplementado com glúten. "Nesta última etapa, não há nitrogênio: a ideia é que a única fonte de nitrogênio seja o próprio glúten, e o nitrogênio presente no glúten é importante para o metabolismo desses microrganismos", explica. Nesse processo, o Lactococcus lactis foi o melhor candidato de todos; então, continuamos a estudar especificamente as cepas dessa bactéria e seu potencial de afetar as sequências responsáveis pela alergia ao trigo, sobretudo nas gliadinas", resume ele, ressaltando que a fermentação é um processo estável, natural e barato.

Os pesquisadores ainda testaram o glúten fermentado nos basófilos (células do nosso sistema imunológico responsáveis pelos sintomas nas reações alérgicas) em um estudo in vitro, e perceberam um decréscimo satisfatório na  alergenicidade.


- Desdobramentos 


Para os pesquisador, os resultados dos 18 meses de pesquisa foram muito positivos. O projeto terminou em setembro de 2019, e agora o grupo busca financiamento para uma segunda etapa da pesquisa: o desenvolvimento de produtos (fermentos) com o glúten hidrolisado pelas bactérias láticas. “Constatamos que o microrganismo é capaz de reduzir consideravelmente o teor de glúten in vitro. Ainda estamos um pouco distantes para testar o efeito dos alimentos desenvolvidos em um modelo clínico. Mas a pesquisa segue em andamento.” destaca Marcela.

Os próximos passos, segundo Marcela incluem a aplicação de bactérias láticas no desenvolvimento de alimentos de panificação. “Assim poderemos verificar se o microrganismo que estamos estudando, que é uma bactéria lática isolada de leite cru, pode reduzir o teor de glúten em alimentos de panificação”, afirma.



Referências:


https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/09/13/bacterias-laticas-podem-reduzir-o-potencial-alergenico-do-gluten.htm?cmpid=copiaecola


https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/09/09/interna_bem_viver,1183555/bacterias-laticas-podem-reduzir-potencial-alergenico-do-gluten.shtml 


domingo, 13 de setembro de 2020

Cebolas roxas contaminadas por Salmonella ocasiona grande surto no Canadá e EUA

FONTE: https://belezaesaude.com/cebola/


No início de agosto de 2020, a U.S Food and Drug Administration (FDA) juntamente com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e a Public Health Agency of Canada (PHAC) iniciaram a investigação de um grande surto de Salmonella Newport, onde a provável fonte de contaminação seriam cebolas vermelhas, conhecida no Brasil como cebola roxa. Os casos começaram em junho, e até o dia 21 de agosto foram registrados 457 casos no Canadá e 1012 nos Estados Unidos. Até então uma morte foi registrada no Canadá, porém não se sabe se foi ocasionada pela Salmonella.

A investigação ainda está em curso, mas foi identificada que as cebolas potencialmente contaminadas seriam originadas da empresa Thomson International Inc. de Bakersfield, Califórnia.

“Informações epidemiológicas e de rastreamento mostraram que as cebolas vermelhas são uma provável fonte deste surto. Devido à forma como as cebolas são cultivadas e colhidas, outros tipos de cebola, como a branca, a amarela ou a amarela doce, também podem estar contaminadas” informou o CDC.

Em 1° de agosto, a empresa fez recall de todas as variedades de cebola que poderiam ter entrado em contato com as cebolas roxas, incluindo cebolas vermelhas, brancas, amarelas e amarelas doces que foram distribuídas no período de 1° de maio à 1° de agosto para atacadistas, restaurantes e lojas de varejo nos 50 estados dos Estados Unidos, Distrito de Columbia e Canadá. Empresas que venderam as cebolas ou produtos contendo as variedades recolhidas também iniciaram recall.

A Canadian Food Inspection Agency (CFIA) emitiu o seguinte alerta:

“[...] Dadas essas novas informações, e até que se saiba mais sobre o surto, não coma, use, venda ou sirva cebolas vermelhas, brancas, amarelas e doces da Thomson International Inc., ou quaisquer produtos feitos com essas cebolas. [...] Este conselho se aplica a todas as pessoas em todo o Canadá, bem como varejistas, distribuidores, fabricantes e estabelecimentos de serviços de alimentação, como hotéis, restaurantes, lanchonetes, hospitais e casas de repouso”.

A salmonelose é a infecção ocasionada pela bactéria Salmonella que tem como habitat o intestino de animais e humanos, estando presente nas fezes. A infecção é comum, e acontece pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Na maioria das pessoas os sintomas são diarreia, febre e cólicas estomacais que surgem em um período de 6 horas a 6 dias após a exposição, e costuma durar de 4 a 7 dias. De forma geral, as pessoas se recuperam sem necessidade de tratamento, mas a doença pode se agravar e precisar de hospitalização. Crianças menores de 5 anos, adultos com mais de 65 e pessoas com sistema imunológico enfraquecidos, são mais suscetíveis a ter a forma grave da doença.

O sorotipo Newport da Salmonella já ocasionou surtos anteriores em alimentos diferentes nos Estados Unidos e Reino Unido. Por ser frequentemente associada a bovinos e cavalos, o uso de esterco animal como fertilizante é uma potencial fonte de contaminação.

Uma grande questão em discussão sobre o caso, é como essas cebolas foram contaminadas uma vez que por ser bulbosa cria uma barreira contra bactérias, tendo uma pele/casca impenetrável. O procedimento de cura, secagem a temperaturas quentes antes de ser levada para o comércio, também é projetado para manter o alimento protegido de doenças de origem alimentar.


Fontes:

- Food Safety Brazil (https://foodsafetybrazil.org/o-curioso-caso-das-cebolas-roxas/);

- Jornal North News (https://www.jornalnorthnews.com/noticia/5217/457-doentes-no-canada-por-salmonella-de-cebolas-dos-eua-uma-morte-suspeita.html);

- Sanity Consultoria (https://sanityconsultoria.com/contaminacao-por-salmonella-em-cebolas-atinge-os-estados-unidos/);

- Food & Drug Administration (https://www.fda.gov/food/outbreaks-foodborne-illness/outbreak-investigation-salmonella-newport-red-onions-july-2020);

- Government of Canada (https://www.canada.ca/en/public-health/services/public-health-notices/2020/outbreak-salmonella-infections-under-investigation.html);

- Centers of Disease Control and Prevention (https://www.cdc.gov/media/releases/2020/s0731-salmonella-red-onions.html).

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Tempo de vida de Covid-19 em alimentos congelados

Refrigeração aplicado à Pesca – Resfriando    

    Desde a documentação do caso de contaminação com traços de coronavírus em uma carga de frangos oriundos de um frigorífico do sul de Santa Catarina para a China, o interesse quanto a transmissão por meio de alimentos vem crescendo, e hoje abordaremos o estudo realizado na  Universidade Nacional de Singapura estabeleceram sobre a contaminação por meio de congelados.

    O estudo publicado no site Biorxiv relata sobre o tempo que o vírus é capaz de permanecer em carnes congeladas, cerca de três semanas. O estudo demonstrou ainda que pelas baixas temperaturas de armazenamento essa forma de transmissão é provável uma vez que persiste desde o transporte até o armazenamento.

    Os cientistas introduziram o vírus de maneira controlada em cubos de salmão, carne suína e frango, em seguida congelaram as amostras e após as três semanas retiraram-nas e conduziram as análises que demonstraram  partículas do vírus ativas nos pedaços contaminados.

    Tal forma de transmissão pode estar ainda associada ao ressurgimento de surtos do vírus em regiões onde ele supostamente já havia sido erradicado, como foi o caso do Vietnã, Nova Zelândia e partes da China.

    As observações do estudo além de muito importantes para o âmbito da saúde apresenta também relevância econômica, uma vez que a preocupação da importação do vírus por meio de alimentos já motivou a China a anular transações comerciais com diversos países como Alemanha, Brasil e Estados Unidos. 

Referências:

https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/estudo-descobre-quanto-tempo-coronavirus-vive-em-congelados/

https://catracalivre.com.br/cidadania/china-diz-que-encontrou-tracos-de-coronavirus-em-frango-brasileiro/

https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.08.17.255166v1.full.pdf

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

5 de agosto: Dia Nacional da Vigilância Sanitária

 

Além de zelar pela segurança e pela qualidade de produtos e serviços, também é atribuição da vigilância sanitária estabelecer medidas de enfrentamento a doenças, como a Covid-19.



Cinco de agosto foi o Dia Nacional da Vigilância Sanitária, instituído em 2015 pela Lei 13.098. A data homenageia o nascimento do médico e sanitarista Oswaldo Cruz, e marca o reconhecimento da importância estratégica dessa área, responsável por diversas ações de preservação da saúde da população.     

Além da promoção da segurança e da qualidade dos produtos e serviços utilizados diariamente pela população, também é atribuição da vigilância estabelecer medidas de enfrentamento sanitário em momentos preocupantes, como o que estamos vivenciando na atual pandemia de Covid-19.   

No mundo, é uma das mais importantes áreas da saúde pública, por estabelecer regulamentações que visam atender a necessidades das populações de cada nação, criando barreiras de proteção à vida.    

Rede   

Internacionalmente, a vigilância sanitária forma uma rede de proteção mundial. No Brasil, a Anvisa cumpre o mesmo papel que, lá fora, é desempenhado pelas agências reguladoras norte-americana (Food and Drug Administration – FDA), europeia (European Medicines Agency – EMA), japonesa (Pharmaceuticals and Medical Devices Agency – PMDA) e australiana (Therapeutic Goods Administration – TGA), isso só para citar alguns exemplos.     

Essas instituições contam com equipes técnicas de especialistas capacitadas para avaliar a realização de estudos sobre novos medicamentos e a entrada de inovações tecnológicas, como os dispositivos e equipamentos médicos, além de estabelecer condições rigorosas para aprovação e registro de fármacos, alimentos e diversos outros produtos, bem como realizar ações de monitoramento de serviços de saúde.   

As agências também investem em ações de promoção da convergência regulatória, que significa alinhar normas, fazendo com que não existam padrões distintos, nacionais e internacionais, aplicados aos produtos sujeitos à vigilância sanitária, facilitando a circulação de produtos, o comércio internacional e o acesso da população a produtos de qualidade, algo essencial neste momento de pandemia.       

Anvisa 

Criada em 1999, a Anvisa é reconhecida internacionalmente como órgão de excelência na área. Essencial à vida dos brasileiros e à economia nacional, sua atuação abrange atividades como a regulação, a fiscalização, o monitoramento e o registro de produtos, além do controle sanitário de portos, aeroportos e fronteiras e ainda a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).   

Ao todo, o órgão é responsável por 12 temas gerais: agrotóxicos, alimentos, cosméticos, laboratórios analíticos, medicamentos, saneantes, farmacopeia, tabaco, serviços de saúde e produtos para saúde, além da área de portos, aeroportos e fronteiras e de sangue, tecidos, células e órgãos. De acordo com dados de 2014, em estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, os produtos regulados pela Anvisa correspondiam a 22,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.  

Conexão com estados e municípios 

Para dar conta do trabalho de vigilância sanitária em um país com a dimensão e a divisão territorial do Brasil, além de sua diversidade geográfica, populacional e econômica, existe uma rede nacional de atuação, que abrange o nível central (Anvisa) e as unidades nos estados, municípios e Distrito Federal (DF), conhecidas como as Vigilâncias Sanitárias (Visas) estaduais, municipais e do DF. Esse conjunto forma o SNVS, coordenado pela Agência.  

Embora haja uma coordenação nacional, as Visas são independentes e autônomas na sua atuação em seus territórios. Dessa forma, desempenham um importante conjunto de atividades rotineiras, tais como autorização de funcionamento de estabelecimentos, realização de inspeções e fiscalização, bem como a concessão de certificação de boas práticas, além de licenciamento para empresas que trabalham com produtos sujeitos à vigilância sanitária, entre outras atribuições.  

Além disso, a atuação das Visas assegura a qualidade do sangue na rede brasileira de hemoderivados, bem como de órgãos e tecidos para transplantes. Também há forte atuação nas áreas de portos, aeroportos e fronteiras, onde funcionam como uma tela de proteção sanitária, evitando a entrada e a saída de produtos fora dos padrões de qualidade exigidos mundialmente. Portanto, as Vigilâncias Sanitárias são essenciais para a adoção e o êxito das medidas de enfrentamento ao novo coronavírus (Sars-CoV-2).     

Ações durante a pandemia  

A importância da vigilância pode ser notada no rol de ações implementadas pela Anvisa, por meio de suas diversas áreas, neste momento de pandemia. Confira alguns exemplos:   

Portos, aeroportos e fronteiras (PAF): primeira a sentir o impacto da pandemia, a área orientou as comunidades portuárias, aeroportuárias e de fronteiras sobre como deveriam proceder diante do novo cenário, bem como divulgou esclarecimentos para viajantes e aprovou novos requisitos sanitários para importação e exportação de bens e produtos, entre diversas medidas.  

Serviços de saúde: orientou sobre prevenção e controle de infecções, hospitais de campanha, implantação das práticas de segurança do paciente e equipamentos de proteção individual (EPIs), além de ter participado da campanha “Salve vidas: higienize suas mãos”, da OMS, que, neste ano, teve como tema “Profissionais de enfermagem e atenção obstétrica – o cuidado seguro está em suas mãos”.  

Medicamentos: estabeleceu critérios, procedimentos e requisitos para a exportação, a distribuição e o controle da cloroquina e da hidroxicloroquina, e para a liberação de pesquisa com a hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Também foram estabelecidos critérios, requisitos e procedimentos extraordinários para avaliação de pedidos de registro de medicamentos e produtos biológicos para prevenção e tratamento da doença e autorização de estudos clínicos para a Covid-19.   

Produtos para saúde: adotou medidas regulatórias destinadas à venda de máscaras de proteção de uso não profissional (máscaras de tecido) em farmácias e drogarias, aprovação de testes rápidos para Covid-19 e orientações sobre máscaras N95 ou equivalentes, além da priorização de análise de pedidos de registro de ventiladores pulmonares.  

Saneantes, cosméticos e produtos para higiene: foram estabelecidos critérios e procedimentos para fabricação, comercialização e exposição à venda de preparações antissépticas ou sanitizantes, aprovação de géis antissépticos e autorização temporária de produção e comercialização de álcool gel de forma direta a farmácias de manipulação.  

SNVS: publicou medidas para ampliação da capacidade laboratorial pública nacional para o diagnóstico da Covid-19 e financiamento especial e específico para as Vigilâncias Sanitárias locais com maiores dificuldades em relação ao enfrentamento da doença, em especial aquelas com problemas nas fronteiras.   

Sangue, tecidos, células e órgãos: aprovou novos critérios para triagem clínica de candidatos à doação de sangue e à doação de órgãos e tecidos, para manejo dos pacientes em lista de espera e dos transplantados e diretrizes para a triagem de pacientes e doadores que realizam procedimentos de reprodução humana assistida. Também tratou do uso de plasma convalescente (parte líquida do sangue coletada de pacientes que se recuperaram da infecção pelo novo coronavírus) como procedimento experimental para tratamento da Covid-19 e divulgou orientações sobre ensaios clínicos e o uso experimental de produtos de terapias avançadas.  

Alimentos: as medidas adotadas foram focadas no uso de luvas e máscaras em estabelecimentos da área de alimentos, orientação para a produção segura de alimentos, orientações para os serviços de alimentação com atendimento direto ao cliente e boas práticas de fabricação e manipulação, entre outras.   

Referência:

Ascom/Anvisa5 de agosto: Dia Nacional da Vigilância Sanitária. 04/08/2020. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/noticias?p_p_id=101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_groupId=219201&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_urlTitle=5-de-agosto-dia-nacional-da-vigilancia-sanitar-1&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_assetEntryId=5969403&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_type=content


domingo, 16 de agosto de 2020

Cidade chinesa encontra coronavírus no frango brasileiro exportado

© REUTERS
© REUTERS


No dia 12 de agosto, o Brasil recebeu a preocupante notícia da detecção do novo coronavírus em frango que foi exportado para a China. O governo da cidade de Shenzhen, localizada ao lado de Hong Kong e com a quarta maior população do país, soltou uma notificação do resultado positivo do teste de amostras do nosso frango, apontando uma fábrica catarinense da Aurora Alimentos como produtora dessa exata amostra.

Porém, a Aurora publicou uma nota oficial informando que não houve confirmação pela autoridade pública nacional chinesa. Além disso, o Ministério da Agricultura do Brasil relembrou a falta de comprovação científica de que o novo coronavírus pode ser transmitido pelo transporte de alimentos ou embalagens de alimentos congelados, o que foi reiterado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), citando a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

A notícia do teste positivo foi comentada internacionalmente pela preocupação da ocorrência de novos surtos devido ao transporte de alimentos. Isso poderia trazer sérias conseqüências para o Brasil, cuja economia depende em grande parte da exportação de alimentos. O jornal estadunidense The New York Times publicou na quinta-feira (13) uma matéria contando o ocorrido e reunindo declarações de especialistas em virologia afirmando que a probabilidade de se contrair o vírus por meio de comida – principalmente congelada – é muito baixa. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, diz que não há evidência que sugira que o manuseio e consumo de comida estejam associados com a contaminação do vírus da Covid-19, apoiando o que o Ministério da Agricultura do Brasil havia afirmado.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

AGROTÓXICOS E SAÚDE

 

Desenvolvidos durante a segunda guerra mundial e utilizados como armas químicas, os agrotóxicos hoje são usados como defensivos agrícola. Diante da modernização da agricultura, esses passaram a ser útil em grande quantidade para controlar pragas, afim de evitar prejuízo, uma vez que podem modificar as composições da flora e da fauna.

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Fonte: https://escolakids.uol.com.br/geografia/agrotoxicos.htm acessado: 05/08/2020


E qual impacto da utilização desses agrotóxicos?


O impacto causado por agrotóxicos não é observado na maior parte das vezes, pois o maior foco de intoxicação ocorre em áreas rurais onde muitas vezes não possuem centros de controle de intoxicações, contribuindo assim para uma divergência no número de casos registrados e a realidade.

Tabela 1: Notificação de intoxicações por agrotóxicos, por unidade de Federação - Brasil (2007-2015)

Fonte: Sinan. Consulta ao banco de dados

(consulta de dados referentes a 20015 são parciais)


Como ocorre a intoxicação?


A intoxicação se dá por meio da contaminação ambiental e por meio de resíduos presentes em alimentos, os agrotóxicos estão presentes em pequenas quantidades nos alimentos e acumulam-se no organismo, o que não ocasiona doenças de imediato, porém seu acúmulo faz com que o indivíduo tenha uma má absorção de nutrientes, havendo muitas vezes doenças degenerativas, como câncer.


Um exemplo de agrotóxico que provoca problemas na saúde e era muito utilizado no Brasil é o DDT (diclorodifeniltricloroetano), que ao ser estudado demonstrou o ocasionamento de altas concentrações de hormônios que estimulam a tireóide TSH, causando assim hipotireoidismo. Outras ações que pode causar são: aumento de câncer de mama, diminuição da quantidade de sêmen, câncer nos testículos, mudanças no ciclo menstrual, aborto espontâneo e mudanças no amadurecimento sexual.


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Fonte:http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI283394-18071,00-PIMENTAO+MORANGO+E+PEPINO+LIDERAM+RANKING+DE+ALIMENTOS+COM+AGROTOXICOS.html acessado: 07/08/2020


Muitos agrotóxicos ficam nas cascas de legumes e frutas, porém maior parte deles pode agir em toda a planta, incluindo os frutos, por isso a qualidade do alimento deve ser certificada. Análises podem mostrar que há resíduos de produtos não autorizados, trazendo um grande risco à saúde, pois se um produto não apresenta qualidade para o consumo pode ser intolerável. Dessa forma, os limites máximos de resíduos são estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela comissão do Codex Alimentarius das Nações unidas para a Agricultura e Alimento (FAO).

Nesse sentido, pode-se afirmar que os agrotóxicos causam danos à saúde e ao meio ambiente, trazendo uma série de problemas de diversos tipos sendo eles, intoxicações agudas e crônicas, causando paralisias, danos no desenvolvimento do feto, dificuldade respiratória, tremores, convulsões, entre outros. Por isso é necessário conhecer a qualidade dos produtos, comprando alimentos que passaram por análise e possuem selo de qualidade e dar preferência a alimentos orgânicos e de pequenos produtores, tendo assim sempre produtos próprios para o consumo.

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Fonte:https://www.promotorapresenca.com.br/noticias/605-anvisa-divulga-lista-dos-alimentos-mais-contaminados-por-agrotoxicos acessado: 07/08/2020

Referências

https://www.tuasaude.com/3-doencas-causadas-por-alimentos-contaminados/

https://www.scielosp.org/article/csc/2007.v12n1/7-14/pt/

https://www.scielosp.org/article/csc/2005.v10suppl0/91-100/pt/

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422009000400031&script=sci_arttext

https://www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/757610/1/almeidaagrotoxicos.pdf

http://revista2.grupointegrado.br/revista/index.php/sabios2/article/view/152/237

https://revistas.ufpr.br/pesticidas/article/view/39500/24282

https://www.ecycle.com.br/3671-agrotoxicos.html

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/relatorio_nacional_vigilancia_populacoes_expostas_agrotoxicos.pdf