Os
agrotóxicos consistem em produtos cujo uso pode ser voltado tanto para
atividades agrícolas como não agrícolas, consistem geralmente em químicos
sintéticos voltados a exterminar insetos, larvas, fungos, carrapatos, visando
primordialmente o controle dessas pragas permitindo controlar doenças e
aumentar a produtividade das lavouras, seu uso, porém está longe de ser algo
tão positivo e livre de riscos como alguns julgam levianamente.
Fonte: Google.
A
exposição a estes produtos gera inúmeros prejuízos no ponto de vista ambiental,
por exemplo, há a contaminação dos solos, águas e mananciais, enquanto do ponto
de vista humano, há riscos ocupacionais daqueles que se expõe durante o
trabalho nas lavouras, mas também há a contaminação pelo produto final, ou
seja, ao consumir o alimento, consumimos esses venenos por associação.
Estima-se pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) que os agrotóxicos gerem anualmente mais de 70 mil intoxicações
agudas e crônicas que acabam por levar a óbitos, fato que se torna ainda mais
perceptível em países em desenvolvimento, imaginemos então o Brasil que é
campeão na compra de tais produtos desde 2008, e que ainda no ano de 2021 encerrou
com 562 agrotóxicos liberados, dos quais 33 eram inéditos, o número só tem
crescido desde 2016 como demonstrado pelo infográfico abaixo.
É
importante frisar ainda que uma parcela significativa destes produtos tem sua
venda proibida em países como os EUA, e pela União Europeia, por levar em conta
os riscos já citados acima.
Em
meio a situação já citada, o descontrole na liberação de tais produtos por
pressão especialmente da bancada ruralista, passa por cima de questões
ambientais e até mesmo da própria saúde pública, neste contexto há ainda um
projeto de lei (PL 4.316/2021) que faria com que houvesse a dispensa de
registro para a importação de agrotóxicos oriundos de demais países do Mercosul,
sendo que muitos desses insumos não são aprovados pelo Ministério da
Agricultura, a justificativa dada para a PL segundo Heinze é de "A situação, que é classificada como crise de
insumos, embora tenha contornos mundiais, não está afetando igualmente todos os
países. Algumas empresas instaladas em outros países podem ter estoques maiores
ou mesmo ter como fornecedor de matéria-prima empresas instaladas em países que
não reduziram a produção e está entregando regularmente a matéria-prima” (Fonte:
Agência Senado).
Desta
maneira é necessário que estejamos ainda mais vigilantes em se tratando de um
tema tão sério e com consequências tão drásticas, haja vista que há
alternativas viáveis como a agroecologia, que tem como princípios fundamentais
a solidariedade, sustentabilidade, preservação da biodiversidade, equidade,
justiça social e ambiental, mas principalmente a segurança alimentar.
Referências
Bibliográficas
AGÊNCIA
NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Monografias autorizadas. Brasília, DF:
ANVISA, 2018.
AGÊNCIA
NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Regulamentação. Anvisa aprova novo marco regulatório
para agrotóxicos. Brasília, DF: ANVISA, 2019.
CARNEIRO,
F. F. et al. Segurança Alimentar e nutricional e saúde. Parte 1. In CARNEIRO,
Fernando Ferreira et al. (org.) Dossiê
ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.
Rio de Janeiro: EPSJV; São Paulo: Expressão Popular, 2015. Disponível em:
Acesso: 15 ago. 2017.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Fourth national report on human
exposure to environmental chemicals. Atlanta, GA:
Centers for Disease Control and Prevention, 2009.
Proposta
de Heinze dispensa registro a agrotóxicos importados do Mercosul acesso disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/01/17/proposta-de-heinze-dispensa-registro-a-agrotoxicos-importados-do-mercosul
Após
novo recorde, Brasil encerra 2021 com 562 liberados, sendo 33 inéditos acesso
disponível em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2022/01/18/apos-novo-recorde-brasil-encerra-2021-com-562-agrotoxicos-liberados-sendo-33-ineditos.ghtml